Aparelho desenvolvido em São José revoluciona uso de células-tronco

Um aparelho produzido em São José dos Campos promete aumentar as chances de cura por meio de células-tronco em pacientes de diversos países do mundo. Desenvolvido pela equipe do pesquisador Luis Augusto Conrado, proprietário da empresa Bios, especialista em desenvolvimento de equipamentos médicos, o tratamento agiliza o período entre a retirada das células do organismo e a injeção do material para tratamentos médicos e estéticos.

Escrito por: João Pedro Teles4 min de leitura
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Fotoestimulador acelera uso das células-tronco; mas burocracia impede saúde brasileira de avançar no tema

Flávio Pereira/Meon

Um aparelho produzido em São José dos Campos promete aumentar as chances de cura por meio de células-tronco em pacientes de diversos países do mundo. Desenvolvido pela equipe do pesquisador Luis Augusto Conrado, proprietário da empresa Bios, especialista em desenvolvimento de equipamentos médicos, o tratamento agiliza o período entre a retirada das células do organismo e a injeção do material para tratamentos médicos e estéticos.

A máquina, um fotoestimulador de células-tronco, é parte importante de um processo inovador, que utiliza células-tronco extraídas do tecido adiposo do próprio paciente para, depois, injetá-las novamente. O método é utilizado tanto para o tratamento de doenças, como o alzheimer e a esclerose múltipla, quanto para terapias estéticas que combatem calvície ou envelhecimento da pele.

Em entrevista ao Meon, o pesquisador defende o método como uma “revolução” na medicina regenerativa e afirma que, apesar de financiar pesquisas na área, o Brasil ainda está muito atrasado nas questões envolvendo tratamentos que utilizam células-tronco.

O que esta nova técnica traz de inovador para os tratamentos com células-tronco?
A técnica que é utilizada até hoje extrai de dentro do osso um plasma rico em plaquetas. Desse material, apenas 10% de células-tronco conseguem ser extraídos, mas como elas estão inativas é preciso ativá-las por meio de um processo químico que dura cerca de dois dias. Entretanto, a gordura abdominal tem grande potencial para se transformar em células-tronco em um processo mais rápido e eficaz. A nova técnica, que extrai o material do tecido adiposo do paciente, consegue chegar a um índice de 90% de células-tronco obtidas. O tempo entre a extração do material até a injeção das células-tronco no paciente é de apenas duas horas.

E como o aparelho desenvolvido pelo senhor participa deste processo?
Criamos uma forma mais rápida e confiável de ativar essas células-tronco que, ao invés de utilizar química no processo, usa a luz. Daí o nome fotoestimulante. A solução com as células é inserida com uma seringa. A luz estimula o movimento celular e as células ativas voltam para os pacientes, onde vão se transformar em tecidos, músculos, entre outros.

O senhor cita uma “revolução” promovida pela medicina regenerativa. Do que exatamente estamos falando?
Na parte estética, os tratamentos com células-tronco podem rejuvenescer em 30 anos a pele de uma pessoa que tem 60. Já no que diz respeito ao tratamento médico, estamos falando de resultados expressivos, como a recuperação de movimentos perdidos por causa de um AVC, por exemplo, no período de aproximadamente 30 dias. Estamos falando em tratamentos muito mais eficazes contra o alzheimer, esclerose múltipla, diabetes, entre inúmeras outras doenças.

E o que falta para que este tratamento seja difundido na rede de saúde brasileira?
O grande problema é que o Brasil está “engatinhando” no que diz respeito aos tratamentos que se utilizam de células-tronco. O problema está tanto nas questões éticas, apesar de não se utilizar células embrionárias, quanto no que diz respeito à comercialização das tecnologias desenvolvidas. Discute-se muito sobre quem vai ficar com os lucros, quanto vai custar o material, enquanto os outros países evoluem e já apresentam ótimos resultados com seus pacientes. O equipamento que desenvolvemos, por exemplo, não vai beneficiar a saúde brasileira, pois estamos atendendo a um pedido dos Estados Unidos.

Quais países estão na ponta dessas pesquisas?
Muitos países, inclusive vizinhos do Brasil, estão à nossa frente. Não é preciso ir muito longe, Paraguai, Uruguai, Cuba, todos são países da América Latina onde as células-tronco já estão sendo utilizadas na rede de saúde. Há inclusive pacientes que saem do Brasil para se tratar em outros centro de medicina. Estados Unidos e alguns países da Europa também apresentam pesquisas eficientes.

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