Apicultores do Vale do Paraíba terão trabalhos expostos em feira na Itália

Ao todo, 109 produtores de 32 cidades da RMVale integram projeto na região

Escrito por: Rodrigo Ribeiro4 min de leitura
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Ao todo, 109 produtores de 32 cidades da RMVale integram projeto na região

Flavio Pereira/Meon

Os 109 apicultores de 32 cidades da RMVale (Região Metropolitana do Vale do Paraíba e Litoral Norte) que participam do APL (Arranjo Produtivo Local) de Apicultura Sustentável da região, terão seus trabalhos expostos neste mês, por meio do Sebrae-SP, em uma conferência na Expo Milão, na Itália.

O projeto foi iniciado em 2011 e atua com os pilares de inovação tecnológica, gestão empreendedora e acesso ao mercado, aliado a uma gestão compartilhada muito intensa entre as entidades associadas. Em 2013, o APL foi reconhecido pela SDECT/SP (Secretaria de Desenvolvimento Econômico, Ciência e Tecnologia).

O Escritório Regional do Sebrae-SP em São José dos Campos atua no APL em parceria com o CEA (Centro de Estudos Apícolas da Unitau), Coapvale (Cooperativa Agropecuária do Vale do Paraíba), Fibria e CATI (Coordenadoria de Assistência Técnica Integral).

Por meio do APL, seus integrantes e grupo gestor se unem com o objetivo de consolidar o Vale do Paraíba como forte centro apícola paulista, baseado nos alicerces de legalização, produtividade, sustentabilidade, agregação de valor e acesso a mercado (compras públicas/merenda escolar).

Seu público-alvo é formado por apicultores regionais organizados em seis associações: APPR (Associação dos Pequenos Produtores Rurais de Monteiro Lobato), Apistinga (Associação de Apicultores de São Luiz do Paraitinga), APA (Associação Paraibunense de Apicultura), Nutrir (Associação Sócio-Educativa de Produtores Rurais de Redenção da Serra), Apiama (Associação Apícola da Mata Atlântica) e Apicunha (Associação de Apicultores de Cunha), além da Coapvale, por meio da Central de Negócios/Sebrae-SP.

Atualmente, há representantes de 32 das 39 cidades da RMVale (Região Metropolitana do Vale do Paraíba e Litoral Norte). Segundo o Sebrae, a união dos produtores possibilitou a compra conjunta por preços mais baixos de produtos como colmeias, cera, arame e álcool de cereais, e a vitória em chamada pública para fornecer 13 toneladas de mel para a merenda escolar nas escolas públicas de Taubaté neste ano, com contratos de fornecimento também para São Luiz do Paraitinga e Ubatuba.

De acordo com o Sebrae, o grupo que, antes do APL, vendia o mel a R$ 5 o quilo, por exemplo, passou, em menos de três anos, a vender sua produção por um valor quase sete vezes maior. O último contrato fechado pela cooperativa vendeu o quilo de mel por R$ 32.

Além da consultoria do Sebrae, no acesso a tecnologia, os apicultores contam com um laboratório de qualidade do mel e seus derivados e com uma equipe técnica especializada em pesquisa, ensino e extensão coordenados pelo CEA (Centro de Estudos Apícolas) da Unitau (Universidade de Taubaté).

Por meio de uma ação da Fibria Celulose, os produtores ainda têm acesso a consultorias tecnológicas com especialistas em apicultura, com a possibilidade de instalação de apiários em áreas de floresta de reflorestamento da empresa. Com isso, de acordo com o Sebrae, o aumento da produção é visível a cada safra e alguns produtores alcançaram um aumento de produtividade por colmeia de 148%.

Com todas essas ações e consultorias, a cooperativa conquistou o reconhecimento do MDA (Ministério do Desenvolvimento Agrário) como cooperativa agrofamiliar apta a comercializar para entidades públicas municipais, estaduais e federais.

No acesso a novos mercados o grupo tem apoio constante na promoção de políticas públicas por meio de linhas de financiamento e programas de desenvolvimento rural sustentável voltados ao acesso a mercado e de fornecimento a programas de aquisição de alimentos, como o FNDE (Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação), ação apoiada pela CATI (Coordenadoria de Assistência Técnica Integral) e pelo Sebrae-SP, no fomento à inserção do mel em sachê na merenda escolar.

A ação já ocorre em Taubaté, São Luiz do Paraitinga e Ubatuba, trazendo resultados expressivos na agregação de valor no mel comercializado, com previsão de comercialização de aproximadamente 20 toneladas do produto somente em 2015.

Outra ação paralela é a construção do entreposto apícola, uma agroindústria moderna de beneficiamento e embalagem de mel e pólen que será administrada pela cooperativa e deverá ser inaugurada no segundo semestre desse ano, trazendo a oportunidade da cooperativa ter controle sobre todos os elos da cadeia da produção a comercialização.

O consultor de agronegócios do Sebrae-SP Jardel José Busarello, gestor do APL pelo Sebrae, representará a entidade na conferência mundial de clusters agroalimentares na Euro-Celac (Community of Latin American and Caribbean States) Day, parte da programação da exposição.

“Neste encontro discutiremos ações e boas práticas na gestão da inovação em organizações agroalimentares. Temas como novos produtos e tecnologias, tendências de consumo, oportunidade de negócios aliados à tradição e à cultura alimentar serão alguns dos assuntos debatidos. Toda a cadeia brasileira ganhará com esse debate”, afirmou Busarello.

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