‘Apoio à luta pelos direitos sociais e trabalhistas é prioridade’, diz Amélia

Petista é vereadora há 28 anos e entra no 8º mandato em São José

Escrito por: Rodrigo Machado5 min de leitura
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Amélia Naomi

Amélia comandou a Comissão da Verdade para apurar a ditadura militar

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“Meu mandato será uma trincheira para a defesa dos direitos dos trabalhadores, das donas de casa, das domésticas, das professoras e de todos que lutam por seus direitos.”.

A afirmação acima é da vereadora Amélia Naomi (PT), de São José dos Campos. Aos 56 anos e casada com o ex-prefeito petista Carlinhos Almeida, a parlamentar construiu uma carreira política com olhar nos trabalhadores –diga-se de passagem as inúmeras assembleias em frente às  fábricas na década de 80.

Amélia foi a primeira mulher a participar da direção do Sindicato dos Metalúrgicos e participou do movimento estudantil.

Nascida em Aparecida D’Oeste (SP), a vereadora está no oitavo mandato. Ela foi eleita para a primeira legislatura em 1.988, quando tinha 28 anos, e de lá pra cá apostou em diversas frentes como o desenvolvimento de políticas públicas para as mulheres. Na última eleição, ela conseguiu 4.678 votos e foi eleita 2ª secretária da mesa diretora.

Há três anos concorreu a uma vaga no Congresso Federal e conseguiu 77.831 votos, número expressivo para a primeira candidatura à Câmara. A concorrência foi durante seu comando como presidenta do legislativo entre 2013 e 2014. Foi durante o seu comando que foi criada a Comissão da Verdade Michal Gartenkraut para apurar violações de direitos humanos  na ditadura militar (1964-1985).

Em entrevista ao Meon, ela falou sobre a polêmica de suas contas rejeitas pela Justiça Eleitoral. “Recorri da decisão, pois fizemos uma campanha modesta e usamos minha casa e a sede do partido para as ações de campanha. A condenação foi por não ter comitê. Vários outros candidatos, por falta de recursos, também utilizaram a residência ou as instalações do partido para organizar a campanha”, disse.

Leia abaixo a entrevista na íntegra:

Meon: Oitava legislatura, vereadora. Com todos esses anos de experiência, avalie, por favor, o cenário político em São José. Amélia Naomi: Nossa cidade também sofre as consequências do golpe que derrubou a presidenta Dilma. A antiga oposição não aceitou as regras democráticas e optou por inviabilizar a economia do país, gerando desemprego e recessão para voltar ao poder. O novo governo, desde seu início, investiu contra os direitos sociais e dos trabalhadores, contra a política nacional da Petrobras, contra o Pré-Sal, contra o acesso à universidade e o congelamento dos investimentos durante 20 anos, que vai afetar seriamente a educação e a saúde.

Agora querem praticamente impedir que consigamos nos aposentar sendo as mulheres trabalhadoras as maiores prejudicadas. Meu mandato será uma trincheira para a defesa dos direitos dos trabalhadores, das donas de casa, das trabalhadoras domésticas, das professoras e professores e de todos que lutam por seus direitos. Depois de mais de uma década de crescimento, pleno emprego e ampliação dos direitos sociais com os governos Lula e Dilma, vivemos em tempos de retrocesso.

Em nossa cidade vi a alegria de quem conquistou a casa própria depois de mais de vinte anos na fila da habitação, as pessoas do Pinheirinho conquistando a moradia depois de quatro anos da tragédia e violência que manchou a imagem da nossa cidade, as mulheres atendidas pelo hospital da Mulher, as mães que conseguiram vaga na creche, que foram algumas das realizações do prefeito Carlinhos Almeida.

Meon: Você teve as contas rejeitadas pela Justiça Eleitoral. Você recorreu? Como está o processo?
Amélia: Recorri da decisão, pois fizemos uma campanha modesta e usamos minha casa e a sede do partido para as ações de campanha. A condenação foi por não ter comitê. Vários outros candidatos, por falta de recursos, também utilizaram a residência ou as instalações do partido para organizar a campanha.

Amélia Naomi

Ao lado de Maria da Penha Maia Fernandes, que inspirou a criação da Lei Maria da Penha

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Meon: Quatro anos depois você volta a assumir papel de oposicionista. Como pretender trabalhar a oposição já que está em um cargo da Mesa Diretora, sob a presidência de um tucano?
Amélia: A participação na mesa diretora é decorrente da proporcionalidade das forças políticas, sendo natural no processo legislativo. Quando fui presidente da casa, o PSDB participou da mesa diretora.

No plano da atuação parlamentar, vamos fazer uma oposição consciente, cobrando e fiscalizando o executivo e acompanhando os movimentos sociais e culturais de nossa cidade. Nossa bandeira sempre foi a de políticas públicas que atendam a população.

Meu trabalho como parlamentar continua focado na defesa de ações de combate à violência doméstica, pela manutenção do Hospital da Mulher, que foi aberto no ano passado após intensa luta, em defesa dos trabalhadores, em respeito ao meio ambiente e pela manutenção das conquistas na área de educação, como a Escola Interativa e o Centro de Educação.

O apoio à luta pelos direitos sociais e trabalhistas contra a ação predatória do governo federal também é prioridade no meu mandato.

Amélia Naomi

Vereadora durante conversa com eleitor

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Meon: Nos dois primeiros anos da administração de Carlinhos Almeida (PT), a prefeitura contou com o apoio da maioria dos vereadores. Qual é a análise que você faz sobre ter os dois poderes sob o comando do PSDB?
Amélia: Não vejo problema quanto a isso. Ter o executivo e o legislativo sob o poder de um mesmo partido faz parte da democracia. O que vamos defender e cobrar é autonomia entre os dois poderes.

Meon: O que pretende priorizar?
Amélia: Vou acompanhar a ação do governo municipal e cobrar a continuidade da regularização fundiária, inclusive da parte do Altos de Santana que estava na reta final e de outros bairros que estavam com processo adiantado de regularização; do programa Antipoeira que facilita muito a vida de quem mora nos bairros mais afastados, do programa Escola Interativa e a conclusão das obras das creches no Monterrey, Santa Edwiges, Alto da Ponte, Pinheirinho, Teatrão e na antiga UPA do Campo dos Alemães.

Além de atuar junto aos movimentos sociais e sindicatos na manutenção das conquistas dos trabalhadores como direito à aposentadoria, FGTS, férias e 13º salário, que estão sob a mira do governo federal e de setores da sociedade.

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