Após #VemPraRua, jovens fortalecem o movimento estudantil na RMVale
“Eu fui para a rua com meus pais manifestar por um país melhor. Em casa sempre falam de política. Eu me importo, quero tornar as coisas melhores”, diz Polyana Christine Nobrega Gonçalves, que aos 14 anos é presidente do grêmio estudantil da escola estadual Ruth Coutinho Sobreiro, no Jardim Santa Inês 2, em São José dos Campos.












“Eu fui para a rua com meus pais manifestar por um país melhor. Em casa sempre falam de política. Eu me importo, quero tornar as coisas melhores”, diz Polyana Christine Nobrega Gonçalves, que aos 14 anos é presidente do grêmio estudantil da escola estadual Ruth Coutinho Sobreiro, no Jardim Santa Inês 2, em São José dos Campos.
No último ano, cresceu na região e em todo o Estado de São Paulo o engajamento de jovens em movimentos estudantis secundários dentro das escolas, chamados de grêmios. Só na rede estadual de educação, nas 39 cidades que compõem a RMVale, estes grupos passaram de 244 em 2013 para 284 nos últimos seis meses.
Para Elane Ferreira Ribeiro de Souza, pedagoga e diretora da escola Ruth Coutinho Sobreiro, não é possível medir se os movimentos populares que fervilharam pelo país há um ano e usavam bandeiras como o #VemParaRua tiveram ou não impacto nesse crescimento.
“O que temos certeza que dá certo é motivar o engajamento dos jovens nesse exercício de democracia, política e cidadania. Se a escola ficar esperando os jovens se mexerem para criar e tocar um grêmio, não acontece. Tem que incentivar, motivar, provocar e acompanhar todos os dias. Mas o resultado é positivo”, explica.
Na escola de Polyana, o grêmio existe há mais de dez anos. Neste tempo, segundo a diretora, houve turmas mais e menos engajadas nos temas sociais.
“Os adolescentes, às vezes, não têm noção nenhuma de política. São poucos os questionadores, que querem melhorias. Esses vemos que aprenderam em casa. Na família onde não se debatem essas questões, não desperta no jovem esse interesse. Aí esse papel acaba ficando para a escola ou para a igreja, que fomenta o debate e os leva a pensar”, afirma Elane.
Para formar um grêmio, os alunos criam chapas, como se fossem partidos, fazem plano de ação, campanha eleitoral e vivem uma eleição na escola. O grupo que vence assume um mandato de um ano e tem a missão de ser o porta-voz dos estudantes junto à diretoria e até mesmo junto à comunidade nos bairros mais próximos.
“Fazemos visitas em asilos, já fomos em hospitais, doamos alimentos. Temos diversos projetos. No recreio das crianças da tarde, por exemplo, temos uma ação que os alunos mais velhos jogam, brincam e lêem com os pequenos. Conseguimos diminuir, quase acabar com as brigas. Muitos colegas não têm coragem de fazer parte. A gente topou e está feliz com isso”, afirma a presidente do grêmio.
Dos colegas de Polyana, muitos afirmam que não tiveram contato com a atividade democrática antes da escola, mas garantem que agora, dentro do grupo, não conseguem mais ser indiferentes. “Não podemos só ficar reclamando, temos que fazer alguma coisa”, diz Beatriz Rigobeli, 13 anos, que também é membro do grêmio.
“A escola é para isso, não é? Formar cidadãos. É o que estamos fazendo”, conclui a diretora Elane.
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