Áreas de mangue são as mais afetadas pela poluição no Litoral Norte

Mais de 800 pessoas participaram, no último sábado, dia 20, do Dia Mundial da Limpeza de Praias e Rios no Litoral Norte. Os dados oficiais só devem ser fechados dentro de alguns dias, mas a estimativa é que as análises possam contribuir para criação de novas diretrizes para conservação ambiental, especialmente em áreas de escoamento, como os manguezais.

Escrito por: Daniela Malara Rossi4 min de leitura
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20/9/2014 - Crianças participam do Dia Mundial da Limpeza de Rios e Praias no Pontal da Cruz, em São Sebastião (Divulgação/PMSS)

Participantes do Dia Mundial da Limpeza
de rios e praias no Pontal da Cruz

Divulgação/PMSS

Mais de 800 pessoas participaram do Dia Mundial da Limpeza de Praias e Rios no Litoral Norte. Os dados oficiais só devem ser fechados dentro de alguns dias, mas a estimativa é que as análises possam contribuir para criação de novas diretrizes para conservação ambiental, especialmente em áreas de escoamento, como os manguezais.

De acordo com Shirley Pacheco, oceanógrafa do Instituto Terra e Mar, órgão responsável pela ação em São Sebastião, “este ano foi possível observar menos detritos nas praias, mas em compensação, as áreas de mangue estão bastante abandonadas, parecendo grandes lixões ao ar livre. Encontramos até pneus abandonados no manguezal”.

Na praia do Pontal da Cruz, a iniciativa envolveu pais e alunos do Colégio Objetivo para retirada de resíduos. Foram coletados desde garrafas pet, latas, bitucas de cigarros, isopor e até mesmo meias e medicamentos. A chefe da divisão de Educação Ambiental da Secretaria do Meio Ambiente da cidade, Christiane Cruz, conta que “muitos alunos disseram ter ficado satisfeitos em poder trabalhar voluntariamente nesta ação, porém, foram unânimes ao declararem preferir que não tivesse lixo na praia”.

A ação, no total, envolveu a limpeza de 15 praias, como Enseada e Canto do Mar, São Francisco, Pontal da Cruz, Praia Deserta, área do Porto, Deodato, Araçá, Praia Preta e Barequeçaba, Guaecá, Barra do Sahy, Juquehy, Juréia e Boracéia.

Em Ilhabela, se reuniram cerca de 300 voluntários pela causa e a avaliação é parecida. O coordenador da ação e integrante do programa de Pesquisa do Parque Estadual, Marcos Aurélio Nascimento, conta que a quantidade de lixo nas praias parece ter sido menor. “Observamos uma geração mais consciente, especialmente as crianças, mas em compensação as áreas de concentração turística e o mangue ainda apresentam uma quantidade excessiva de resíduos”.

Outro destaque do coordenador é sobre a questão social da ação. “Além dos resíduos mais comuns, também é possível fazer análises sobre o uso de drogas, por exemplo. Se uma determinada região tem mais concentração de pinos de cocaína jogados, podem ser feitas campanhas de saúde pública ou aumentar a iluminação na região”, explica ele, destacando a importância de pesquisas como essa em diversos âmbitos.

Na ilha, as comunidades caiçaras tradicionais também participaram. No Bonete foram realizadas palestras para preparar as crianças para a ação. As escolas promoveram aulas sobre o impacto ambiental causado pelo “lixo fantasma” (redes, plástico, isopor) que são ingeridos ou imobilizam os animais da fauna marinha, como tartarugas, gaivotas, golfinhos, entre outros.

“A ação permitiu que as crianças que participaram da coleta no costão rochoso, praia, rio e ranchos de pescadores, tivessem uma visão crítica acerca desta prática deletéria de jogar materiais e lixos que ficam vagando e matando a fauna no oceano, causando danos à natureza e a própria população que dependem desse hábito alimentar”, analisa o gestor ambiental Edson Lobato, o Fredê.
A cidade de Caraguatatubacontou com um grupo de voluntários que retirou em torno de cinco toneladas de lixo das praias. Em Ubatuba os dados ainda não foram estimados.

A ação global já mobiliza em torno de 40 milhões de pessoas, em 125 países. Em 2013, os cinco tipos de resíduos mais encontrados pelos voluntários da The OceanConservancy nos Estados Unidos foram sobras de cigarro, embalagens de alimentos, garrafas PET, sacolas plásticas e tampas de garrafas.

No Brasil, o projeto ocorre há 15 anos e conta com um ativo de mais de 10 mil voluntários a cada edição. No ano passado, durante a mesma ação, foram recolhidas três toneladas de lixo nas praias de São Sebastião, uma tonelada em Ilhabela e duas nas praias de Caraguatatuba.

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