As manifestações de 2013 influenciam as campanhas políticas nesta eleição?

Nas manifestações de junho e julho do ano passado, jovens das cidades da RMVale se juntaram à onda de protestos deflagrada no país para reivindicar melhorias na mobilidade urbana, educação, saúde e moradia. Chegadas as eleições, é hora de descobrir como alguns manifestantes estão acompanhando as propostas dos candidatos.

Escrito por: João Pedro Teles3 min de leitura
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Nas manifestações de junho e julho do ano passado, jovens das cidades da RMVale se juntaram à onda de protestos deflagrada no país para reivindicar melhorias na mobilidade urbana, educação, saúde e moradia. Chegadas as eleições, é hora de descobrir como alguns manifestantes estão acompanhando as propostas dos candidatos.

Quem esteve nas passeatas garante que, em geral, a visão política está mais apurada, mas que a mobilização popular, que ganhou as manchetes dos jornais e destaque nos programas de TV, esfriou bem no momento em que as Eleições 2014 estão esquentando nos quatro cantos do Brasil.

Com 18 anos, o estudante do ensino técnico Adilson Martiniano Junior, afirma que esperava mais empenho do público que participou das manifestações. Para ele, a mobilização caiu no esquecimento da maioria e as agendas reclamadas pelos manifestantes não são prioridade em nenhum programa de governo.

“As candidaturas pegam carona nos movimentos do ano passado, mas a realidade é que nos debates e no horário político o discurso é muito parecido com o de outras campanhas. Se o povo quer ser ouvido precisa ser mais persistente, senão as manifestações de junho e julho vão acabar sendo taxadas de mero modismo no futuro”, afirma

Estudante de Direito, o universitário Danilo Zanelato, 21 anos, é um pouco mais otimista. Participante das ações lideradas pelo Movimento pelo Passe Livre, Zanelato afirma que as manifestações tiveram sim um impacto positivo na população mais jovem e que a expectativa é que o voto seja mais consciente ano.

“Acho muito positivo um levante popular e espontâneo. Acredito que as pessoas estão mais conscientes, mas é preciso mais do que isso. Para mim, temos que começar a atentar para detalhes que muitas vezes passam despercebidos, como as empresas que fizeram doação para cada campanha. Por exemplo, como cobrar medidas revolucionárias no transporte urbano de um candidato que é financiado pela empresa de transporte?”, questiona.

Perfumaria
O professor universitário e cientista político Fábio Ricci mantém o ceticismo quanto a influência dos movimentos populares do ano passado com as eleições deste ano. Para o especialista, a mobilização carrega o aspecto de efemeridade que marca a juventude brasileira atualmente.

“As manifestações tiveram muito desse imediatismo. Aquela coisa de se engajar hoje e, no mês seguinte, sequer se lembrar do que estava fazendo. Embora tenham tomado grandes proporções, as manifestações de junho e julho pouco influenciaram nas campanhas eleitorais deste ano”, afirma.

Ricci afirma que a agenda dos candidatos não prioriza as principais reivindicações populares do ano passado. “No máximo fica para uma ou outra campanha de deputados, mas as maiores candidaturas mesmo não estão muito ligadas ao que aconteceu no ano passado”, afirma.

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