Associação de Blocos quer assumir Carnaval de São Luiz do Paraitinga
Folia deste ano recebeu críticas por descaracterização da festa


Representantes dos blocos se reunirão com a prefeitura nesta segunda (23)
Lucas Lacaz/Divulgação
Depois das reclamações contra a descaracterização do Carnaval em 2015, a Associação de Blocos de Carnaval de São Luiz do Paraitinga, que reúne 26 blocos, quer organizar a festa em 2016. O objetivo é resgatar a tradição do Carnaval de marchinhas e inibir comportamentos que não fazem parte da cultura da folia luizense.
A reivindicação, de acordo com Pedro Moradei, do Bloco do Caipira, já acontece há três anos. De lá para cá, segundo ele, problemas com superlotação, presença de outros estilos musicais na festa e confusões entre os foliões se tornaram preocupantes.
“A ideia é fazer o contrário do que acontece hoje, a associação organizar o Carnaval com o apoio da prefeitura e não a prefeitura organizar com o nosso apoio. Queremos entrar com a programação cultural enquanto a prefeitura cede a estrutura do evento”, afirma.
Na noite da próxima segunda-feira (23), acontecerá uma reunião entre representantes dos blocos e prefeitura para debater o assunto. Moradei afirma que a proposta que será enviada à prefeitura envolve a participação de toda a comunidade pelo resgate do Carnaval da cidade.
“Vamos sugerir um projeto de um ano, envolvendo a participação de escolas, igreja e os moradores. Todos precisam ser responsáveis pelo resgate da tradição do nosso Carnaval. Esse ano a situação chegou ao limite de precisarmos pedir para que uma casa desligasse o som para podermos concentrar o nosso bloco onde tradicionalmente fazemos”, afirma.
Diálogo
De acordo com Moradei, a posição da prefeitura sempre foi intransigente em relação à proposta da associação. Mas, se depender da pasta de Turismo, este ano o diálogo será mais aberto.
O discurso do secretário da pasta, Eduardo Coelho, é de divisão de responsabilidades para evitar os problemas de organização na folia de 2016.
“Essa já era uma reivindicação antiga dos blocos. O problema até o ano passado é que a gente se reunia sempre faltando pouco tempo para o Carnaval chegar e, assim, não conseguíamos nos organizar para aumentar a participação da associação. Mas durante todo este ano vamos trabalhar conjuntamente para garantir o bom Carnaval que São Luiz sempre ofereceu”, afirma.
O rateio dos custos e da organização seria uma saída à terceirização do Carnaval, anunciada no início de 2015 e cancelada há pouco mais de dez dias para a festa. O secretário destaca que, com os blocos se organizando para captar recursos, sobra dinheiro para que a prefeitura invista em medidas restritivas para preservar a essência da folia luizense.
“O que acontece atualmente é que tudo fica a cargo da prefeitura. Isso tem um custo muito alto para a administração. Conseguindo dividir essas despesas, podemos investir mais para proibir a entrada de garrafas de vidro, coolers e, principalmente, das caixas de som nos espaços públicos”, explica o secretário.
Propostas
Independente do desenrolar da situação, algumas medidas já deverão ser adotadas a partir do ano que vem. Uma delas é implantar a sonorização uniforme em toda a cidade para coibir as caixas de som com outros estilos musicais.
“Também há a proposta de voltarmos a promover os shows no Mercado Municipal, que desde 2013 não acontecem devido a uma restrição do Corpo de Bombeiros. Sem a movimentação no local, os comerciantes do mercadão acabam sendo prejudicados”, explica.
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