Audiência pública discute impactos da via Cambuí em São José

Os impactos ambientais da construção da via Cambuí, via que interligará as regiões leste, sudeste e centro de São José dos Campos, foram divulgados nesta quarta-feira (19) em primeira audiência pública realizada na Câmara Municipal.

Escrito por: Moisés Rosa3 min de leitura
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Moisés Rosa/Meon

Os impactos ambientais da construção da via Cambuí, que vai interligar as regiões leste, sudeste e central de São José dos Campos, foram divulgados nesta quarta-feira (19), em primeira audiência pública realizada na Câmara Municipal.

A via terá 8,6 quilômetros de extensão, duas faixas de rolamento, rotatórias e ciclovia. O valor de investimento será de R$170 milhões, sendo divididos entre a prefeitura e o BID (Banco Interamericano de Desenvolvimento).

O consórcio Via Ponte Qualitas, responsável pela elaboração do relatório, analisou as áreas impactadas pela obra, propondo 36 planos de preservação ambiental em 13 programas de implantação e execução do projeto. As medidas incluem ações para suprir as possíveis interferências no meio urbano, áreas compensadas e serviços drenagens.

O engenheiro Luiz Fernando Di Piero, do consórcio Via Ponte Qualitas, ressalta a importância do EIA/Rima (Estudo e Relatório de Impacto Ambiental) e as etapas a serem cumpridas até o projeto ser aprovado pela Cetesb (Companhia de Tecnologia de Saneamento Ambiental). “Temos compromisso do órgão em cumprir com as medidas ambientais a serem implantadas com a obra. Aguardamos a sinalização da companhia para a aprovação”, disse.

Di Piero também afirma que o projeto foi a melhor alternativa viária para a cidade. “Analisamos dois traçados, um mais próximo à região leste e outro da oeste. Os danos com o leste serão pequenos, com apenas algumas desapropriações de residências e sem danos agravantes ao Meio Ambiente”, completou.

Para a implantação da obra, a prefeitura irá realizar 36 desapropriações na Via Cambuí. Já na intersecção da Avenida Lívio Veneziani, outras 34 edificações serão desapropriadas.

O engenheiro Lincon Delgado, vice-presidente do Comam (Conselho Municipal do Meio Ambiental), falou sobre os problemas que podem ser originados com a nova via. “A região leste já possui trânsito caótico e o projeto não contempla saída para a rodovia Presidente Dutra, ocasionando possíveis problemas com a instalação de indústrias no local”, afirmou.

A líder da Central Movimentos Populares, Ângela Aparecida, classifica o investimento como retrocesso para a mobilidade urbana e fez críticas à audiência. “Esta audiência está debilitada de informações. As famílias não sabem para onde irão. Qual será o destino?”, indagou.

Para o defensor público de São José, Jairo Salvador, o valor a ser gasto na obra é exorbitante e não apresenta estudos detalhadoss sobre a macrodrenagem. “Os gastos são muito altos, ainda não estão justificados como será aplicado. Temos que considerar um plano de drenagem para a área, que inclusive, já foi atingida nos últimos anos com fortes chuvas”.

Na avaliação do prefeito Carlinhos Almeida (PT), a audiência pública foi satisfatória e contribuirá para futuras ações. “É extremamente relevante colher as informações e as dúvidas da população, assim iremos realizar o projeto em conjunto”, diz.

Aval
Segundo o engenheiro da Cetesb, Camilo Fragoso, o projeto está em fase de avaliação no Departamento de Avaliação de Transportes Rodoviários. “Após as audiências públicas iremos analisar as sugestões e será decidido sobre o licenciamento prévio para autorizar a obra, também dependeremos do aval do Consema [Conselho Estadual do Meio Ambiente]”, diz.

Audiência
Uma segunda audiência pública será realizada nesta quinta-feira (20), às 17h, no Centro Comunitário do Residencial Cambuí, na rua das Cidreira, nº: 101, na região sudeste de São José dos Campos.

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