Avião elétrico produzido em São José dos Campos faz voo inaugural

Aeronave é a primeira elétrica tripulada da América Latina

Escrito por: Rodrigo Ribeiro4 min de leitura
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20150624_avião elétrico tripulado_sora-e_acs aviation_sao jose dos campos_(Divulgação/Itaipu)

Avião elétrico produzido em São José dos Campos faz voo inaugural

Divulgação/Itaipu

O avião elétrico tripulado produzido pela ACS Aviation, de São José dos Campos, fez seu primeiro voo nesta terça-feira (23), no aeroporto de Itaipu, na parte paraguaia da usina, na cidade de Hernandarias, fronteira com o Brasil. De acordo com a Itaipu Binacional, parceira da empresa joseense no projeto, a aeronave Sora-e é a primeira elétrica tripulada da América Latina.

O projeto começou em 2011, quando a empresa conseguiu um financiamento no valor de R$ 500 mil junto ao Finep (Financiadora de Estudos e Projetos), e é uma parceria com a hidrelétrica de Itaipu, em Foz do Iguaçu, que possui um departamento para veículos elétricos. Ao todo, o projeto custou R$ 900 mil.

O engenheiro Alexandre Zaramella, sócio-diretor da ACS Aviation, foi o piloto responsável pelo voo histórico, de apenas cinco minutos de duração. A apresentação foi acompanhada do diretor-geral brasileiro de Itaipu, Jorge Samek; pela diretora financeira executiva da Binacional, Margaret Groff; pelo diretor técnico executivo, Aírton Dipp; e pelo coordenador brasileiro do Programa VE (Veículo Elétrico), Celso Novais.

O Sora-e decolou exatamente às 14h28 (horário de Brasília) e sobrevoou o entorno do reservatório da usina Itaipu. Às 14h33, tocava novamente a pista do aeroporto, exatamente como previsto no plano de voo. No pouso, houve um problema com a roda dianteira, o que não atrapalhou a aterrissagem.

“Nós hoje estamos nos sentindo como Santos Dumont, quando fez o primeiro voo com o 14 Bis. [Na época] Ninguém acreditava, mas era o primeiro passo de uma grande caminhada. Por isso, este é um teste vitorioso, que mostra a viabilidade do processo”, avaliou Jorge Samek.

Segundo Samek, as pesquisas com o avião elétrico reforçam o compromisso do Brasil e do Paraguai de desenvolver tecnologias limpas e “mostram que é possível compatibilizar o desenvolvimento, a geração de emprego, a vida do planeta e, ao mesmo tempo, preservar o meio ambiente”, disse.

Alexandre Zaramella comemorou o voo e lembrou que Itaipu e ACS partiram do zero para desenvolver a nova tecnologia. “Conseguimos em pouco tempo o desenvolvimento completo da aeronave. E o voo foi muito bom, dentro do esperado e de forma tranquila”, avaliou.

Ainda segundo Zaramella, “o Sora-e é mais silencioso e a resposta do motor elétrico é mais rápida do que no sistema a combustão”. O diretor da ACS destacou também a “curva de torque”, ou seja, a resposta do avião ao comando de potência do piloto. “Essa é a grande diferença”, disse, na comparação com o avião convencional. “O avião elétrico está mais na mão”, concluiu.

Os testes de bancadas e simuladores foram feitos em agosto do ano passado no CPDM-VE (Centro de Pesquisa, Desenvolvimento e Montagem de Veículos Movidos a Eletricidade), de Itaipu. Já os ensaios em solo foram concluídos em dezembro, em São José dos Campos.

O primeiro voo de avaliação técnica, fechado para a imprensa, aconteceu em 18 de maio deste ano, também em São José, com a presença da equipe técnica de Itaipu. O modelo foi certificado pela Anac (Agência Nacional de Aviação Civil) na categoria Pesquisa e Desenvolvimento.

Sora-e
O Sora-e vai pesar 650 quilos e tem autonomia de uma hora de voo –o equivalente a 200 km, com velocidade máxima de 340 km/h. O modelo vai carregar um motor elétrico duplo, fabricado na Eslovênia, com potência máxima de 140 kW e as baterias e hélice são dos Estados Unidos. Toda a estrutura vai ser feita em fibra de carbono.

Materiais compostos
De acordo com Celso Novais, o interesse de Itaipu no projeto é aprofundar os estudos sobre materiais compostos usados no setor aeronáutico, considerados fundamentais para a redução do peso dos veículos elétricos.

“O avião é um meio de transporte em que o peso é determinante. Por isso, esse know-how nos ajudará a encontrar soluções para melhorar a autonomia dos nossos veículos elétricos”, comentou Novais.

Para a ACS Aviation, um dos objetivos do projeto é viabilizar modelos elétricos comerciais e ajudar a impulsionar este mercado. Para Zaramella, o maior desafio do setor, hoje, é desenvolver baterias com maior densidade, para aumentar a autonomia dos modelos elétricos. “A gente espera que em cinco ou dez anos já tenhamos baterias para aviões com até quatro ocupantes”, disse.

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