Avibras confirma intenção de lay-off e não tem prazo para quitar salários
Nesta quarta-feira (7), presidente emitiu comunicado para funcionários


Nesta quinta-feira (8), funcionários participaram de assembleia no sindicato
Reprodução/Facebook SindMetalSJC
A Avibras, empresa brasileira do setor aeroespacial, confirmou por meio de um comunicado interno emitido nesta quarta-feira (7), para os funcionários, que iniciou uma negociação com o Sindicato dos Metalúrgicos de São José dos Campos e Região para implantar o lay-off (suspensão temporária dos contratos). Atualmente, a Avibras emprega 1.500 pessoas e gera mais de 6 mil empregos indiretos.
No comunicado, que foi assinado pelo presidente da Avibras, Sami Hassuani, a empresa também informa não ser possível o pagamento imediato da PLR (Participação nos Lucros e Resultados) e do salário de dezembro de 2014. “Porém, estamos otimistas de que esta situação temporária de falta de crédito possa ser sanada no curto prazo”, diz Sami.
A empresa também prorrogou pela segunda vez, o retorno dos funcionários que estão em licença remunerada para o dia 19 de janeiro. A volta inicial estava prevista para o dia 5 e foi prorrogada para o dia 12.
Segundo Sami Hassuani, a Avibras está no melhor momento de sua história de 54 anos, com programas substanciais, tanto no mercado interno quanto no externo, com carteira de pedidos que soma R$ 2,4 bilhões.
Mesmo com este cenário, a empresa justifica os problemas acima mencionados ao não recebimento de recursos solicitados junto a instituições federais, o que obrigou a Avibras a utilizar seu caixa operacional para realizar investimentos.
De acordo com Sami, os investimentos -necessários para a geração dos 1.500 empregos diretos e os 6 mil indiretos- já somam R$ 100 milhões e foram planejados para serem realizados com recursos financeiros de médio e longo prazo e de baixo custo.
“Estas condições são compatíveis com as atividades de inovação e de alta tecnologia, e que estão previstas em dois instrumentos legais: Edital Público do Programa Inova Aerodefesa da Finep/MCT&I , lançado em março de 2013 e da lei federal 12.598/12, de março de 2012, que previu a criação das EED (Empresas Estratégicas de Defesa) e condições especiais de financiamentos a estas empresas”, diz um trecho do comunicado.
Desta forma, os recursos de médio e longo prazo foram solicitados no início de 2014, junto ao Banco do Brasil (aumento do limite de crédito de R$ 34 milhões para R$ 100 milhões) e em maio de 2013 à Finep (liberação de financiamentos reembolsáveis já aprovados, no valor de R$ 150 milhões, no programa Inova Aerodefesa).
“Entretanto, a Avibras vem, no cotidiano de suas operações, encontrando um enorme bloqueio junto a instituições federais, especialmente junto ao Banco do Brasil e à Finep, o que obrigou a empresa a utilizar recursos da ordem de R$ 100 milhões do seu caixa operacional para a realização desses investimentos, que foram fundamentais para a manutenção dos empregos, para o lançamento de novos produtos e para a conquista da excepcional carteira de pedidos”, diz Sami.
Segundo o presidente, a utilização do caixa operacional só foi possível considerando que a base legal vigente, inclusive no Programa Inova Aerodefesa, prevê a possibilidade de reposição de caixa.
“Passados quase dois anos do Edital Inova Aerodefesa e quase três anos da promulgação da lei 12.598/12, as áreas de crédito, tanto do Banco do Brasil quanto da Finep, continuam absolutamente insensíveis ao setor de defesa e ao novo arcabouço legal, dificultando qualquer operação propostas pelas áreas comerciais destas instituições, tendo como justificativa os regulamentos e regras internas, totalmente defasados da realidade atual deste setor”, conta Sami.
“Causa-nos perplexidade ver que, no momento em que a economia brasileira dá sinais de desaceleração e desemprego, as áreas de crédito de instituições federais deixem de apoiar a Avibras, que possui uma carteira de pedidos de R$ 2,4 bilhões, empregando 1.500 funcionários diretos e com capacidade para gerar 400 novos empregos diretos em 2015”, diz Sami.
Em dezembro, com o apoio do sindicato, a empresa recorreu ao Ministério da Defesa e também à Casa Civil, para a busca de uma rápida solução. “Infelizmente a atual transição do Poder Executivo, que teve início em 1º de janeiro de 2015, tem atrasado a situação”, conclui Sami.
Posts Relacionados

PM prende quatro homens em ocorrências policiais em cidades do Vale do Paraíba

Calçada de 130 km para romeiros na Dutra: veja o que se sabe sobre projeto até Aparecida

Chuva mata oito bovinos, alaga casa e provoca deslizamento em rodovia no Vale do Paraíba
