Boeing quer fazer São José líder mundial no setor de biocombustível

O centro de pesquisa avançada da Boeing no Parque Tecnológico de São José dos Campos, promete colocar a cidade no mapa mundial dos biocombustíveis para aeronaves. Com tecnologia desenvolvida na região, a pretensão da gigante norte-americana é transformar o Brasil em líder mundial no setor, posição que já ocupa no ramo automotivo.

Escrito por: João Pedro Teles3 min de leitura
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Novo centro é o sexto da empresa fora dos EUA e o primeiro na América Latina

Claudio Capucho/PMSJC

O centro de pesquisa avançada da Boeing no Parque Tecnológico de São José dos Campos, promete colocar a cidade no mapa mundial dos biocombustíveis para aeronaves. Com tecnologia desenvolvida na região, a pretensão da gigante norte-americana é transformar o Brasil em líder mundial no setor, posição que já ocupa no ramo automotivo.

Os estudos em biocombustível vão ser a principal atividade da sede, que é a sexta da Boeing no mundo e a primeira na América Latina. Para a empresa, São José dos Campos será o cérebro de uma operação global que tem como objetivo a diminuição de 50% do impacto ambiental das aeronaves até 2050.

Inaugurado nesta quarta-feira (4), o centro vai contar com a parceria de outras unidades de pesquisa no setor aeronáutico da cidade, principalmente a Embraer. Foi em parceria com a empresa joseense que a Boeing realizou, em 2012, uma série de workshops sobre as aplicações do biocombustível na indústria aeronáutica.

“Esta experiência foi importante para identificarmos algumas lacunas que devem ser preenchidas para que o Brasil alcance o patamar de principal produtor do mundo”, afirma o diretor de colaborações em pesquisa da Boeing, Antonini Puppin Macedo.

Entre as lacunas das quais Macedo se refere, está a necessidade de estabelecer qual matéria-prima vai ser utilizada no país como biomassa para a produção do combustível. De acordo com o executivo, apesar da cana-de-açúcar já ser utilizada em larga escala para o setor automotivo, outros cultivos como a soja ou a macaúba também devem ser considerados pelas pesquisas.

“Esse trabalho será realizado em São José dos Campos. Mas também haverá uma troca de experiência entre pesquisas que estão sendo desenvolvidas em países como Estados Unidos, África do Sul, China, Japão e Austrália. Portanto, a cidade estará alinhada com iniciativas do mundo todo”.

Projetos 
Os estudos do centro de pesquisas vão ter nas soluções em sustentabilidade sua principal linha de pesquisa. Além dos biocombustíveis, em parceria com instituições como Inpe (Instituto de Pesquisas Espaciais), ITA (Instituto de Tecnologia Aeroespacial) e DCTA (Departamento de Ciência e Tecnologia Aeroespacial), a multinacional também pretende atuar em projetos de substituição materiais utilizados nas aeronaves por biomaterias, entre outros.

“As parcerias vão ser fundamentais para nossas pretensões futuras. São José, como capital nacional da aeronáutica, vai ter uma posição estratégica para a empresa no âmbito mundial”, conclui.

Copa do Mundo 
Em parceria com a companhia aérea Gol, a Boeing vai promover mais de 200 voos comerciais utilizando biocombustível durante o período da Copa do Mundo. De acordo com Macedo, o número trata-se de um marco para o país.

“Em 23 de outubro do ano passado fizemos o primeiro voo. Essa iniciativa é histórica por mostrar ao mundo que isso é viável”, comemora.

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