Brasil Reage acampa em protesto contra corrupção no centro de S. José

Intenção dos organizadores é que mais pessoas ocupem o largo São Benedito

Escrito por: Meon Redação4 min de leitura
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Em protesto contra a corrupção, manifestantes ocupam largo em frente à Igreja São Benedito

Eduardo Pandeló/Meon

Um grupo de pessoas resolveu ocupar o largo São Benedito e acampar em frente à igreja próxima à praça Afonso Pena, região central de São José dos Campos, em protesto contra a corrupção. Desde o último domingo (20), eles estão dormindo em barracas, montaram uma tenda para ficarem durante o dia e, com muitas faixas e com uma aparelhagem de som, os manifestantes seguem com discursos, execução do Hino Nacional, palavras de ordem, apitos e tudo o mais que possa chamar a atenção. De tempo em tempo, alguns carros que passam pelo local buzinam e gritam mensagens de apoio.

Mauro Santos, de 33 anos, é projetista e trabalha durante o dia, mas a noite se junta aos amigos para protestar e, nesta segunda (21), vai dormir na praça. “Há um sistema de revezamento, durmo aqui, saio logo cedo, o pessoal já chega de manhã, rende a gente e fica aqui durante o dia.”

Esse grupo de pessoas, segundo Santos, não pertence a nenhum movimento organizado, criou uma página no Facebook chamada Brasil Reage e vem convidando as pessoas para ocuparem o largo em protesto contra a corrupção. Apesar disso, a página tem postagens com fotos, vídeos e até está vendendo camisetas para ajudar o “movimento” com os dizeres do grupo.

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Barracas de camping para passar a noite na praça

Eduardo Pandeó/Meon

A intenção dos organizadores é que mais pessoas ocupem o largo e façam parte do revezamento para demonstrar a indignação de todos contra a corrupção. Santos aproveita e faz o convite: “estamos convidando as pessoas pra vir dormir na praça, trazer sua barraca, no sentido de que todos fiquem juntos e façam isso juntos, de acordo com sua disposição de tempo. Pode vir de manhã, a tarde, ou só vir dormir. Nós precisamos dessa consciência, o povo nas ruas, brasileiro é muito acomodado. Ainda não tem nada ganho, nada certo, isso só vai se dar se o povo vier pra rua, precisamos ficar unidos”, disse.

A ocupação não tem data para acabar e a expectativa é que mais pessoas venham prontas para dormir na rua. Para Letícia Aguiar, empresária de 35 anos, as pessoas não podem ficar só indignadas, precisam agir. “Nós arranjamos um tempo pra vir e fazer nossa parte como cidadão. Esse engajamento vem porque a gente não aguenta mais, estamos cansados de ser roubados e enganados, cansados de ter governantes que não nos representam e não representam o povo brasileiro de bem”, disse.

O grupo não pede apenas o impeachment da presidente Dilma, mas quer punição para os corruptos. “O movimento é fora corrupção, independente de quem for, o que queremos é que os corruptos sejam punidos. Queremos o impeachment da Dilma, porque ela cometeu crime de responsabilidade, ela não lidou corretamente com dinheiro público e deve ser punida. O movimento vai continuar sejam eles quem for, de que partido for, até que todos sejam punidos pelos seus atos ilegais.” afirmou Letícia.

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Letícia Aguiar com a camiseta do ‘movimento’

Eduardo Pandeló/Meon

Ninguém parece se incomodar com a situação improvisada no local, eles querem é chamar a atenção da população e atrair mais manifestantes. Letícia ainda faz questão de reafirmar essa posição: “somos um grupo de pessoas, todos trabalham, têm suas famílias e suas vidas, ninguém é desocupado, estão todos aqui realmente por uma ato de patriotismo. As pessoas que quiserem participar, podem vir quando quiserem, trazendo mais barracas, ficando a hora que puderem ou quanto tempo quiserem”, disse.

Segurança

A praça Afonso Pena, no centro da cidade, é sempre motivo de preocupação durante à noite, com prostituição, tráfico de drogas, moradores de rua, bêbados e drogados, mas em meio as barracas há sempre uma preocupação com a segurança. Para Mauro Santos, o medo maior é com alguma represália de grupos à favor do governo. “Não vou dizer que não temos medo, mas não estamos fazendo nada ilegal. Isso está protocolado com a polícia e estamos exercendo nosso direito de manifestação. Temos mais medo de violência dos radicais” disse.

Letícia foi mais objetiva e declarou preocupação com militantes petistas, mas demonstrou confiança nas autoridades policiais. “A preocupação é com os militantes do PT que estão incomodados com a nossa presença aqui, mas estamos pertinho da delegacia, o importante é vir e participar.”

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