Caminhoneiros ameaçam pessoas em carros utilitários na Dutra
Protesto obriga pessoas em qualquer veículo de carga a aderir à paralisação


Motoristas de carros utilitários não conseguem passar por manifestantes na Dutra
Pedro Ivo Prates/Meon
As pessoas que utilizam carros utilitários e precisam usar a Rodovia Presidente Dutra na tarde desta terça-feira (22) estão sendo obrigadas e ameaçadas a aderir ao protesto dos caminhoneiros, que atinge os trechos de Lorena, Pindamonhangaba, São José dos Campos e Jacareí há mais de 30 horas.
Durante a manhã de hoje, o chef de cozinha Alexandre Bertolasse, de 37 anos, foi realizar compras em Jacareí com um veículo utilitário, porém, foi surpreendido ao passar pela paralisação dos caminhoneiros. Segundo Bertolasse, nenhum carro de carga consegue passar pelo local.
“A coisa está feia. As pessoas estão agressivas e querem brigar, dizendo que tem que perder tudo (a carga). Não deixam passar com vans, kombis, fiorinos, ou qualquer outro tipo de veículo utilitário. Se tentar passar, os protestantes jogam pedras e quebram o carro. Tem gente que está aqui desde domingo e não conseguiu ir para casa”, explica.
De acordo com Alexandre, a previsão é de que seja liberado às 17h. “Eu estava junto com meu funcionário e tive que mandar ele embora a pé. Fui sequestrado aqui e me passaram que talvez sejamos liberados no fim da tarde”, completa.
Já o caminhoneiro Hélio Mourão, favorável à paralisação, esteve no protesto até a noite de ontem (22), quando deixou o caminhão no trecho de Pindamonhangaba. “Eu precisei vir para casa, porém continuo protestando. Deixei meu caminhão em um posto de combustível e arrumei carona. As despesas estão altas demais. Como caminhoneiros autônomos não conseguimos manter o caminhão com tantos impostos”, conta.
Paralisação
A paralisação dos caminhoneiros às margens das rodovias na região atinge os trechos de Lorena, Pindamonhangaba, São José dos Campos e Jacareí há mais de 30 horas. O ato começou na segunda-feira (21) e pede a diminuição do preço do diesel e outros combustíveis.
Até a manhã desta terça (22), por volta das 7h30, o trecho de Lorena estava com dois quilômetros de lentidão. Em Pinda e São José dos Campos, são três quilômetros de congestionamento. Por fim, em Jacareí, há engarrafamento do km 159 ao 161, no acesso a rodovia Dom Pedro.
Em contato com o Meon, a Polícia Rodoviária Federal afirma que está tentando coibir esse tipo de atitude, porém, é difícil. De acordo com Samuel Freire, agente da PRF, mais de 10 agressões foram identificadas pelos agentes desde domingo (20), porém, apenas três pessoas foram abordadas. “A vítima não ajuda na maioria dos casos, o que atrapalha na identificação de quem realiza as agressões. Nós, policiais, não estamos sendo apedrejados, então precisamos da colaboração dos agredidos para fazer nosso trabalho”, salienta.
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