Falhas no transporte adaptado causam transtornos a usuários
Cancelamentos do transporte adaptado causa transtornos para portadores de deficiências


Prefeitura disse que serviço de transporte adaptado não terá cortes
Arquivo/Meon
Pessoas com deficiência estão enfrentando problemas com o transporte adaptado, em São José dos Campos. Nos últimos dias, usuários com viagens agendadas foram avisados, de última hora, que não teriam o transporte.
A denúncia é da Associação das Pessoas Portadoras de Deficiência, de São José dos Campos. Segundo o presidente da Associação, Luiz Carlos Barbosa, são inúmeras as pessoas que foram pegas de surpresa com o cancelamento das viagens agendadas. “Os agendamentos são feitos com uma antecedência de duas semanas. Daí, quando chega o dia, o transporte simplesmente não aparece. Isso está acontecendo desde o início do ano”, disse.
Segundo ele, há pessoas que tiveram de faltar a consultas médicas ou a sessões de fisioterapia, por conta disso. “É complicado. Às vezes são consultas médicas marcadas há muito tempo que, se perder, vai demorar pra conseguir um reagendamento”, disse.
Das 20 vans que fazem o transporte adaptado na cidade, oito não saíram da garagem ontem e hoje.
A dona de casa Simone Cristina dos Santos, 32 anos, moradora do bairro Capão Grosso, passou por isso. Ela contou ao Meon que, só esta semana, já enfrentou o problema da falta do transporte duas vezes. A filha Evelin, de 11 anos, perdeu uma sessão de fisioterapia, na terça-feira, por conta da falta do transporte. Ontem (quinta, dia 4) ela foi avisada só com algumas horas de antecedência que não teria o transporte que já tinha agendado para a filha ir para uma consulta médica, marcada há muito tempo.
“Ontem eu consegui correr aqui e pedir favor pra um vizinho levar e, graças a ele, não perdemos a consulta. Mas na terça-feira ela perdeu a fisioterapia porque não consegui arrumar uma alternativa”, disse.
Ela conta que está com medo agora que o problema continue nos proximos agendamentos. “Tô até insegura pra agendar fisioterapia e consultas pra ela. E preocupada, porque sei que se ela faltar nas sessões de fisioterapia vai acabar perdendo a vez e vão colocar outra pessoa no lugar, porque acham que eu não estou dando um jeito de levar. É difícil”, disse.
Outro lado
A Secretaria de Mobilidade Urbana admitiu as falhas. Por meio de nota, disse que “em função da reestruturação do setor, o agendamento das viagens ficou comprometido, interferindo principalmente na programação de novas rotas de atendimento”.
No entanto, a prefeitura informou que o serviço prestado pelas de vans do transporte adaptado não terá nenhum tipo de corte ou paralisação.
Atualmente, segundo a prefeitura, o serviço de Transporte Adaptado tem mais de 500 usuários cadastrados e conta com 20 vans para fazer o atendimento.
Segundo Luiz, a associação já se reuniu com a Secretaria de Mobilidade Urbana por três vezes, nesta gestão, e que a secretaria tinha assumido o compromisso de que as mudanças implementadas na secretaria não afetariam o serviço de transporte adaptado.
“Entendo que a prefeitura precisou fazer a reestruturação para economizar, mas essa economia não pode afetar os usuários. Muitos portadores de deficiência não têm outra alternativa de transporte, que não seja esse”, disse.

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