Cavali: ‘O WTC vai colocar S. José na rota dos grandes negócios mundiais’

Sec. de Desenvolvimento Econômico também analisa atual crise econômica

Escrito por: Rodrigo Ribeiro4 min de leitura
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Cavali: “O WTC vai colocar S. José na rota dos grandes negócios mundiais”

Rodrigo Ribeiro/Meon

Sebastião Cavali nasceu em Bauru (SP) e vive em São Jose dos Campos desde 1990. Tem 52 anos, dois filhos e é casado. Engenheiro mecânico, foi piloto da FAB (Força Aérea Brasileira) e chefe da divisão de projetos estratégicos do DCTA (Departamento de Ciência e Tecnologia Aeroespacial), antes de assumir a Secretaria de Desenvolvimento Econômico e Ciência & Tecnologia.

No ‘Fala Aí’ de hoje, você vai saber um pouco mais do que pensa Cavali sobre a atual crise econômica do país, o projeto do WTC (World Trade Center) e os trabalhos realizados pela Secretaria.

Qual a principal dificuldade da Secretaria?
Atualmente, o maior obstáculo que temos para o desenvolvimento econômico está relacionado com o mercado internacional e com a situação econômica do planeta. São José é uma cidade industrial, de serviços, de alta tecnologia, e o mercado internacional é estratégico. Nós precisamos desse mercado para criar uma carga para a nossa indústria viabilizar a produção. Na medida que esse mercado internacional encolhe, nós enfrentamos a dificuldade de escoar nossa produção. Isso tem reflexo na cidade como um todo e exige que a Secretaria trabalhe outros aspectos de competitividade para que São José continue acelerando.

E em momentos de crise, o que deve ser feito para atrair empresas para a cidade?
Temos que fortalecer as condições e a infraestrtutura para implementar ações para que as empresas passem por esse período, que não sabemos quando vai terminar, mas que o enfrentem da melhor maneira, com menos impacto possível. O mais importante é que as empresas estejam preparadas para quando o mercado responder, ou seja, estejam competitivas. No momento em que o mercado começar a absorver, tiver poder de compra, quem estiver mais preparado vai ocupar esse mercado. Então, temos trabalhado o macroambiente empresarial para fortalecer os negócios existentes, atrair novos negócios e capacitar o pessoal. Esse macroambiente tem que ser inovador, a inovação é o melhor aspecto de competitividade e São José é forte nisso. Temos o capital humano diferenciado, escolas espetaculares, Parque Tecnológico e Cecompi.

E as empresas têm procurado a Secretaria?
Atendo empresários a todo momento. Diariamente, recebo do mais simples até empresários de empresas que vão investir milhões. Todo emprego é importante, temos que gerar emprego e renda. Uma empresa quando vem e traz 300 empregos é maravilhoso, mas se eu conseguir 300 empresas com um emprego cada, também é significativo. Desde 2013, cerca de 20 empresas chegaram, investiram ao todo R$ 180 milhões e geraram cerca de 1.200 empregos.

Além da TAM, há alguma outra companhia aérea que pode vir para São José? A Secretaria tem apresentado algum benefício para atrair as companhias aéreas? A demanda no aeroporto é realmente durante a semana, especificamente para o turismo de negócios?
Antes da reforma, o aeroporto estava atendendo 160 mil passageiros ao ano, o que é um número muito pequeno. São José não é uma cidade de 700 mil habitantes, mas de 2 milhões. Todas as cidades da região são integradas, mas o aeroporto é aqui e precisava de uma reestruturação para atender essa demanda potencial. Estudos mostram que temos potencial de 1 milhão de passageiros por ano. Com a reforma, temos capacidade para 600 mil, o que está compatível com São José e adequado à nossa realidade, embora tenhamos essa capacidade de 1 milhão. Após essa reforma, as empresas que atuavam aqui tiveram oportunidade de irem para aeroportos mais lucrativos. São José é lucrativo, mas ninguém tem dúvida que Congonhas, Guarulhos, Viracopos, e Santos Dummont, possuem um fluxo muito maior de passageiros. Procuramos então todas as companhias aéreas e mostramos um relatório com essa demanda e do potencial de São José ser um hub (concentrador), e daqui sair voos para todo o Brasil. Também estamos trabalhando com o valor das passagens, mostramos para as empresas que o processo de compra também tem um aspecto importante no julgamento. Temos que ter tarifas atraentes para que o “Vale do Paraíba” saia daqui, ao invés de ir para São Paulo.

Em que pé está a negociação sobre o WTC? Você é a favor ou contra a vinda do empreendimento?
A importância do WTC estar em São José não está em discussão. Isso todo mundo reconhece, porque além dos aspectos de investimento, emprego e outros, o WTC vai colocar São José na rota dos grandes negócios mundiais. É uma porta de entrada para inúmeros novos investimentos, que hoje não são visualizados. O WTC é um canal, no qual grandes empresas do mundo inteiro veem oportunidades. A prefeitura está fazendo todos os esforços para viabilizar a vinda do WTC o mais rápido possível para a cidade não perder o empreendimento. No entanto, existe um processo que envolve o Legislativo e a sociedade, e temos que respeitar os “times” de ambos.

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