Cemaden de S. José discute parceria com centro de pesquisas europeu

Órgão pode ter sistema de alerta em escala continental e global

Escrito por: Do Meon3 min de leitura
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Ministro Gilberto Kassab esteve recentemente no Cemaden

Henrique Macedo/Meon

Um grupo de pesquisadores do Cemaden (Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais), instalado em São José dos Campos e ligado ao Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações, esteve no JRC – EC (Joint Research Centre da Comissão Europeia), em Ispra, na Itália, para discutir estratégias de colaboração e intercâmbio de dados, informações e pesquisas relacionadas ao monitoramento e sistemas de alertas de desastres naturais.

De acordo com o Cemaden, as visitas e reuniões, realizadas em abril, junho e julho deste ano, visaram fomentar a colaboração continuada em projetos de pesquisas destinadas a desenvolver métodos inovadores, ferramentas e padrões para condições meteorológicas extremas e de impactos. “Os sistemas de modelagem a serem desenvolvidos pelo JRC irão fornecer suporte técnico e científico para a previsão e redução de risco de desastres em escala global e continental”, informa o centro em nota.

Essas atividades de intercâmbio científico e de dados para monitoramento fazem parte do Projeto Diálogos Setoriais entre o Brasil e a União Europeia, onde o Cemaden está incluso no processo “Cooperação entre Brasil-Europa em Desastres Naturais”.

Nos encontros, o Cemaden e o  JRC discutiram, por exemplo, estudos de modelagem global e no território brasileiro, estabelecendo parcerias em projetos de pesquisa, publicações científicas e intercâmbio de experiências. Também foram abordados os estudos de previsão de eventos de inundação e seca, além da avaliação dos impactos, considerando os aspectos de vulnerabilidade, os quais compõem o sistema de alerta de inundação.

Os pesquisadores ainda visitaram o IPSC (Institute for the Protection and Security of the Citizen), para conhecer os produtos operacionais de gerenciamento de risco de desastres naturais do JRC.

“Esses institutos que integram o JRC têm um papel fundamental na produção de informações hidrometeorológicas para o apoio na tomada de decisão pela Comissão Europeia, referentes à gestão de desastres naturais e aos impactos das mudanças climáticas”, afirma o pesquisador e hidrólogo do Cemaden,Conrado Rudorff.

“Considerando a dimensão continental do território brasileiro, a metodologia desenvolvida pelo JRC para o continente europeu se adequa às características de escala e demanda de informações para tomada de decisões no Brasil. A parceria é de benefício mútuo e estratégico para nosso avanço em sistemas de gestão de riscos de desastres”, completa Rudorff.

Segundo o pesquisador, o Brasil também oferece boas características em termos de hidrogeografia, disponibilidade de dados e grupos de pesquisa para auxiliar na validação de modelos hidrológicos globais e desenvolvimento de métodos de análise de impacto de cheias.

O Cemaden ainda participou da conferência anual do GFP (Global Flood Partnership), realizada no próprio JRC, em Ispra. O evento busca unir esforços no desenvolvimento de infraestrutura e sistemas de monitoramento por satélite, modelagem hidrológica e análise de impacto, visando melhorar a previsão e gestão de impactos de desastres de inundação em nível global.

No GFP, os integrantes do Cemaden apresentaram a pesquisa “GloFAS como uma ferramenta de previsão de inundação em municípios da Bacia Amazônica”, feita pelo centro em parceria com pesquisadores europeus, e o processo de monitoramento e alertas de riscos de desastres.

Segundo o Cemaden, o objetivo final dos trabalhos entre o centro e o JRC é a inclusão do Brasil no Sistema de Coordenação Global de Alertas de Desastres, o qual é desenvolvido pela cooperação entre as Nações Unidas, Comissão Europeia e gestores de desastres em todo o mundo. Esse sistema global possibilita melhorar os alertas, ampliar o intercâmbio de informação e a coordenação na primeira fase, após grandes catástrofes súbitas.

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