Cervejeiros: seca não vai chegar ao bar por falta de água na RMVale

Uma brincadeira nas redes sociais traz o alerta: diminua o tempo de banho porque a base da cerveja é água e sem banho a gente fica, mas sem cerveja, não! Exageros à parte, a escassez nos reservatórios, o pano de fundo para a brincadeira que ganhou a afeição dos internautas, preocupa não só cervejarias como qualquer outra indústria que depende da água para a produção.

Escrito por: Elaine Rodrigues3 min de leitura
fundo_placeholder-023136
cerveja_divulga

Internautas brincam que vai faltar cerveja por conta da crise hídrica

Divulgação

Uma brincadeira nas redes sociais traz o alerta: diminua o tempo de banho porque a base da cerveja é água e sem banho a gente fica, mas sem cerveja, não! Exageros à parte, a escassez nos reservatórios, o pano de fundo para a brincadeira que viralizou na internet, preocupa não só cervejarias como qualquer outra indústria que depende da água para a produção.

De acordo com a legislação brasileira, em caso extremos, com pouca água nas represas, a prioridade é o abastecimento humano e a dessedentação (matar a sede) de animais. A irrigação e o uso industrial, na seca, podem ser suspensos e a água dos poços das empresas confiscada para atender à população.

De olho na lei e com a estiagem diminuindo o nível das represas na região a cada dia, diversas indústrias, inclusive as fábricas do ramo cervejeiro, têm procurado o Daee (Departamento de Águas e Energia Elétrica) em Taubaté com medo de intervenções estatais que colocariam em risco à produção industrial.

“As indústrias da região captam água dos rios, mas também têm poços profundos dentro de suas unidades. Acontece que ninguém é dono da água. A água é do Estado, que pode sim requisitar seu uso, em qualquer propriedade, a hora que for necessário. Mas estamos orientando aqueles que têm nos procurado”, explica o geólogo do Daee, Edilson de Paula Andrade.

Mas Andrade descarta que a crise hídrica na Região Metropolitana do Vale do Paraíba e Litoral Norte chegue ao ponto do Estado intervir nas reservas particulares de água. “Temos mais 40 dias de estiagem. Com algumas chuvinhas de primavera, devemos chegar ainda com o volume útil na temporada de chuvas”, explica.

O Daee é responsável por todas as fontes hídricas do Estado de São Paulo e controla inclusive a perfuração de poços artesianos em propriedades rurais e na indústria.

Caso real
Na última semana, o Ministério Público autorizou a Prefeitura de Itu, no Sistema Cantareira, que enfrenta, assim como a bacia do Rio Paraíba do Sul, a maior seca de sua história, a usar a água do reservatório de uma grande fabricante de bebidas da cidade para garantir o abastecimentos nas casas. Nos bairros, caminhões-pipa levam água dia sim, dia não.

Segundo relatório diário da ANA (Agência Nacional de Águas), na última quarta-feira (1), os reservatórios que formam a bacia do Rio Paraíba do Sul operavam com a média de 13% de seu volume útil. O ponto mais crítico é o vivido na represa de Paraibuna que já chegou à 9% de seu nível total.

Publicado em: