Cirurgias para perder peso e lipos podem ter resultados trágicos

Perder peso, mudar a silhueta ou ter uma aparência melhor, são alguns dos motivos que levam muitas pessoas a procurar procedimentos cirúrgicos como lipoaspiração, plástica e até redução de estômago. Porém, se feitas sem o acompanhamento adequado, sem cuidados mínimos ou sem a recomendação médica, o resultado pode ser trágico.

Escrito por: Beatriz Scotti3 min de leitura
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Perder peso, mudar a silhueta ou ter uma aparência melhor, são alguns dos motivos que levam muitas pessoas a procurar procedimentos cirúrgicos como lipoaspiração, plástica e até redução de estômago. Porém, se feitas sem o acompanhamento adequado, sem cuidados mínimos ou sem a recomendação médica, o resultado pode ser trágico.

Chance de morte em redução de estômago é menor que 1%

Érico Pampado Di Santis, coordenador da residência em Dermatologia e Cirurgia Cosmiátrica no Hospital Universitário da Universidade de Taubaté, resolveu fazer a morte de pacientes relacionadas à lipoaspiração sua tese de doutorado.

“Um dermatologista chamado Sebastião Sampaio recortava notícias sobre a morte de pessoas relacionadas à lipoaspiração. Recebi essa pesquisa e acho que entendi o que o gênio da dermatologia queria dizer: ‘precisamos elucidar as causas de morte relacionadas à lipoaspiração’. Então continuei o estudo que se tornou minha tese de doutorado”, conta Di Santis.

Segundo o médico, os motivos que levam a morte de pacientes são variados, perfuração, complicações anestésicas e infecções são alguns exemplos.

Redução do estômago
Feita mais por questões de saúde do que por questões cosméticas, a cirurgia bariátrica também apresenta risco de mortalidade menor que 1%. “Claro que tem os riscos normais de qualquer cirurgia, mas os específicos desse procedimentos são as fístulas, que são pontos que se abrem ou distúrbios de metabolismos e até problemas pulmonares”, explica a endocrinologista Taciana Mara Rezende Fortes Viegas.

A dona de casa Conceição de Maria Climaco Vieira Lopes, 59 anos, fez o procedimento há quatro anos por recomendação médica. “Já tinha tentado diversas dietas e não emagrecia. Tinha pressão alta, diabetes, problema na tireóide e o meu médico recomendou a cirurgia”.

Conceição conta que não ficou com medo, mas também não quis saber de casos que deram errado. “Já conhecia o médico e ele foi muito bem recomendado. Só pensei nas coisas boas, fiz a cirurgia e não me arrependo”, finaliza.

Mortes
Recentemente, uma jovem de 20 anos morreu em São José dos Campos, após fazer a cirurgia de redução do estômago. Bruna Medeiros fez o procedimento no dia 19 de março. Três dias depois, a paciente teve alta e foi para casa. Em sua casa, Bruna começou a sentir muitas dores, o quadro se agravou e a jovem morreu em 24 de março. A família reclama que a jovem foi internada, mas que o médico não mostrou nenhum exame que explicasse o que acontecia. O caso de Bruna não foi o único na região. Em fevereiro uma jovem de 27 anos morreu após passar pelo mesmo procedimento em Taubaté.

Di Santi diz que as mortes de pacientes nestes casos devem ser investigadas para que o mal possa ser prevenido no futuro. “Diferentemente de cirurgias de urgência, temos tempo para um pré-operatório cuidadoso, meticuloso, preparando o paciente. Tomando ciência desses trágicos acontecimentos podemos conhecer as causas e estabelecer maneiras para que as mortes sejam evitadas”.

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