Colégio da Unitau abole sistema de provas para o Ensino Fundamental
Mudança pedagógica altera sistema de avaliação em escola de Taubaté


No colégio Alfredo José Balbi, alunos do Fundamental I tem todas as atividades avaliadas, e não uma semana específica de provas
Murilo Cunha
“Cada um no seu lugar; não pode olhar pro lado nem falar com o colega. Uma hora para entregar. Disserte, explique, discorra”. A cena que vem à mente está deixando de fazer parte do cotidiano da escola Dr. Alfredo José Balbi, em Taubaté. Ligado à Unitau, o colégio aboliu as tradicionais provas escritas do programa escolar do Ensino Fundamental I, que vai do 1º ao 5º ano.
A novidade começou no ano passado, quando uma nova equipe pedagógica assumiu estas séries. De lá para cá, cerca de 80 crianças que estudam na instituição passaram a ser avaliadas ao longo de todo o ano, com base no seu desempenho nas atividades propostas, em vez de terem de se preparar para uma prova específica. Os resultados, segundo os docentes, têm sido positivos.
“Os alunos se sentem mais à vontade por não terem uma avaliação pontual. Como o processo é contínuo, eles estão sempre tirando as dúvidas. Eles sabem que tudo o que estão fazendo, todas as atividades diárias, são avaliadas, então se esforçam e dão o melhor a cada atividade, pois não sabem quanto vale cada uma. É o tempo todo se prontificando a fazer o melhor, em vez de deixar isso para só uma semana”, afirma Tiemi Aline Silva, professora do 4º ano do Fundamental.
As atividades são variadas. Incluem apresentações orais, confecção de cartazes, apresentações de slides, atividades teatrais e, claro, exercícios em sala de aula. A ideia é permitir que os professores possam identificar e trabalhar as dificuldades dos alunos a cada aula.

Atividades em sala contam pontos
Murilo Cunha
“É claro que o momento da avaliação sistematizada é importante, porque a gente precisa também pensar em uma educação que pepare o aluno para o vestibular, que é uma realidade inserida na sociedade. Agora, eu percebo que as crianças às vezes já trazem uma tensão desde o primeiro ano sobre ser avaliada e ter que fazer uma prova. O interessante é que a gente apresenta atividades individuais, explicando que elas servem para ver o que eles já aprenderam e que eles não podem consultar o colega. No fim, eles fazem uma prova, mas com muita naturalidade. Eu acho que é extremamente importante no início desse processo da vida estudantil que eles tenham uma relação mais tranquila com o processo de avaliação”, defende a professora Sabrina Pimentel, do 1º ano.
A professora de metodologia do ensino no Departamento de Pedagogia da Unitau, Maria Teresa de Moura Ribeiro, foi uma das responsáveis pela implantação do novo sistema. “Nós resolvemos colocar em prática algumas ideias que já temos sobre educação há bastante tempo. Se você olhar o regimento da escola, lá consta que a avaliação deve ser continuada. Consta, mas não era implantada dessa forma. Nós resolvemos trabalhar a avaliação de uma forma que a gente pudesse realmente acompanhar o aprendizado da criança, sem criar o sofrimento de ser avaliado por uma prova”, explica.

A professora Maria Teresa
Lucas Azevedo/ACOM
A proposta encontrou resistência inicial por parte dos pais dos alunos, que chegaram a convocar uma reunião com a escola quando foram informados sobre as mudanças, e também não é unanimidade entre as crianças. O pequeno Miguel, de 10 anos, aluno do 4º ano fundamental, diz que não vê muita diferença entre o sistema atual e o anterior. Já a colega de classe Gabriela é categórica: gostava mais quando fazia a prova. “A atividade avaliativa conta com tudo o que você faz em sala. Já a prova, conta com o que você sabe de verdade. Eu gosto mais da prova”, afirma.
Para a pedagoga Taís Bento, fundadora do projeto “Socorro, meu filho não estuda”, voltado para a educação infantil, esse tipo de sistema de avaliação é mesmo mais trabalhoso, tanto para os pequenos quanto para os professores, mas pode render bons frutos. “Normalmente, os resultados de alunos de escolas assim são muito bons. Mas o aluno precisa ser avaliado de alguma forma, não só para ter a nota, mas para que o próprio professor identifique se ele precisa de algum reforço”, explica.
A ideia da escola é estender o novo sistema para os anos seguintes em breve. “O nosso objetivo nós não conseguimos ainda”, explica Maria Teresa. “A gente não pode mudar por decreto, temos que encontrar junto com os professores a melhor forma de fazer essa avaliação”, completa.
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