Com 102 casos de dengue, S. José cria comitê e faz mutirão no sábado (30)
Prefeitura busca apoio do Exército e PM para combater o mosquito


Comitê Municipal de Combate à Dengue foi criado nesta sexta-feira (29)
Rodrigo Ribeiro/Meon
Com 102 casos positivos de dengue e dois de zika vírus registrados nas três primeiras semanas deste ano, a Prefeitura de São José dos Campos criou nesta sexta-feira (29), o Comitê Municipal de Combate à Dengue.
Na prática, o grupo reunirá algumas secretarias que trabalharão juntas para combater o mosquito Aedes Aegypti, transmissor da dengue, zika e chikungunya. O comitê será formalizado por meio de decreto e será composto por representantes das secretarias de Saúde, Educação, Serviços Municipais, Defesa do Cidadão e Urbam (Urbanizadora Municipal).
A primeira ação sob responsabilidade do grupo acontecerá neste sábado (30), a partir das 8h, nos bairros Jardim Esplanada I e II, Jardim Apolo I e II e Vila Ema. “Teremos um contingente de funcionários e essas regiões são as que mais nos preocupam, diferente do ano passado”, afirma Paulo Roitberg, secretário de Saúde de São José.
Segundo Roitberg, o mutirão envolverá agentes de endemias e funcionários de diferentes secretarias municipais para vistoriar cerca de 4.200 imóveis em 120 quadras. “O objetivo é encontrar possíveis criadouros do mosquito. Somente em 2015, retiramos três toneladas de materiais que poderiam servir de criadouros”, conta.
A sede do comitê será no próprio gabinete do prefeito Carlinhos Almeida (PT) e a intenção é que os membros se encontrem, no mínimo, a cada 15 dias. “Mas esse prazo pode mudar para uma vez por semana, por exemplo”, completa Roitberg.
Segundo o próprio secretário, em 2015 foram gastos R$ 6,5 milhões com o combate à dengue em São José dos Campos. “Antes disso, eram gastos, em média, cerca de R$ 800 mil. E desses R$ 6,5 milhões, 90% é da própria prefeitura”, afirma Roitberg.
De acordo com o secretário, esse valor pode variar em 2016, podendo chegar a R$ 10 milhões. “Mas acreditamos que conseguiremos investir menos que no ano passado”, diz Roitberg.
Agora, além da atuação dos funcionários das secretarias, o comitê também buscará apoio das Forças Armadas, PM (Polícia Militar) e outros setores da sociedade. A ideia é que militares e policiais ajudem os agentes em campo.
A principal ação do grupo na cidade está prevista para acontecer no próximo dia 13. “A ideia é que neste dia tenhamos agentes de endemia, Exército, policiais e representantes de outros setores ajudando no combate ao mosquito”, conta Roitberg. “A sociedade ainda tem um poder maior que a prefeitura. É muito mais fácil, por exemplo, uma pessoa se sensibilizar com um comunicado em uma paróquia que costuma frequentar”, completa.
Hotsite e sistema online
Um hotsite com informações sobre a doença e identificação dos agentes de combate à dengue foi disponibilizado para auxiliar os moradores de São José. “Com um smartphone, o morador pode acessar o sistema e verificar a lista com o nome de todos os agentes, com a respectiva foto do crachá”, explica Roitberg.
No ano passado, com a rejeição de alguns moradores, a prefeitura criou um projeto que possibilita multa para pessoas que se negavam a abrir seus imóveis para os agentes. “O trabalho tem surtido efeito e reduzimos de 25% para 5% o índice de pessoas que não deixam os agentes fazerem a vistoria. Nossa intenção não é multar, mas implantar um processo educativo”, revela Roitberg.
Um sistema online também foi criado para que as UBS’s (Unidades Básicas de Saúde) repassem informações à Secretaria de Saúde, assim que surgir uma suspeita de caso de dengue nas respectivas unidades.
“Antes, esse processo ou cadastro era feito a mão e demorava cerca de dois dias para chegar à secretaria. Agora ficará mais rápido e os hospitais particulares também terão que nos enviar, sob pena de multa se não o fizerem, em 48 horas”, explica Roitberg.
ADL
Paralelo às ações do comitê, está em execução a pesquisa de ADL (Avaliação de Densidade Larvária), com um grupo de 78 Agentes de Combate às Endemias, divididos em oito equipes, que farão a vistoria em 12.669 imóveis. O resultado será divulgado em fevereiro.
“Esperamos não passar do índice 1, que já considera uma epidemia. Vamos analisar cada região e agir com arrastões, nebulização e isolando pacientes”, afirma Roitberg.
Dengue em 2015
Em 2015 o Estado de São Paulo registrou a pior epidemia de dengue de sua história. Segundo números da Secretaria de Estado da Saúde, foram registrados 669.309 casos, sendo 649.562 autóctones e 19.747 importados.
Assim como o Estado, São José dos Campos também foi atingida pela epidemia. No mesmo período foram 14.429 casos, sendo 13.922 autóctones e 507 importados.
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