Com aumento de 2.000% nos casos de Covid-19 em um mês, Litoral Norte tem apenas cinco a menos que São José

São José é o atual epicentro da doença na RMVale com 408 casos; o Litoral Norte chegou a 403

Escrito por: Samuel Strazzer3 min de leitura
fundo_placeholder-023136
Divulgação
Divulgação

As quatro cidades do Litoral Norte chegaram a marca de 403 casos positivos de coronavírus nesta quarta-feira (13). Em três dias, entre 11 e 13 de maio, mais 100 pessoas testaram positivos para o vírus na sub-região. São José dos Campos, que é o epicentro da doença desde que a pandemia chegou a RMVale, têm 408 casos – apenas cinco a mais do que no litoral.

Segundo dados das prefeituras, São Sebastião lidera o ranking com 251 casos, seguido de Caraguatatuba com 84, Ubatuba com 37 e Ilhabela com 31 casos – total de 403. Um mês atrás (dia 13 de abril), o registro era de seis casos em São Sebastião, nove em Caraguá, um em Ubatuba e três em Ilhabela – total de 19. Os dados apontam que o aumento de casos positivos no Litoral Norte foi de 2.021% em 30 dias.

O número de mortes não teve um aumento tão brusco como o de casos confirmados. Há um mês, somente São Sebastião e Caraguá haviam registrado óbitos, dois cada uma totalizando quatro. O número de mortes se manteve na primeira cidade e aumentou em dois na segunda. Ilhabela e Ubatuba ainda não registraram mortes totalizando seis óbitos por Covid-19 no Litoral Norte.

Há um mês (dia 13 de abril), 85 pessoas tinham testado positivo e três tiveram o óbito confirmado por coronavírus em São José dos Campos. Até esta quarta-feira, a cidade registrou 408 casos e 18 mortes pelo vírus – aumento de 380% e 500% respectivamente.

Segundo dados do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatistica), as quatro cidades do Litoral Norte tem uma população estimada de 336 mil habitantes – a cidade de São José dos Campos tem 721 mil.

Um dos motivos do número de casos positivos ter escalonado mais no litoral do que em São José é o número de subnotificações. Segundo o professor doutor Paulo Barja, pesquisador da FEAU/UNIVAP de São José dos Campos, físico e cientista com forte atuação em Estatística Aplicada, o fator de subnotificação estimado para o Litoral Norte como um todo é quatro – em São José a marca é de seis.

O pesquisador afirma que não é possível afirmar que o litoral se tornará o epicentro da doença na RMVale, mas a tendência da pandemia é fazer um movimento dos grandes centros para o interior.

“Não só aqui em nossa região como no Brasil todo, a Covid-19 tende a se espalhar ‘do centro para as bordas’. Isso quer dizer que a curva do número de casos no Litoral Norte pode estar ainda alguns dias ‘atrasada’ em relação à curva de casos em São José e Taubaté, por exemplo. O litoral não seria propriamente o ‘epicentro’, mas algo como o ‘eco’ da Covid-19 na região”, afirma o pesquisador.

Barja explica que, de acordo com os dados, ainda não chegamos ao pico da pandemia, mas devemos estar próximos. Ele destaca ainda que é provável que regiões diferentes do Brasil vivam o pico da transmissão da coronavírus em semanas diferentes.

“Dado o efeito ‘do centro para as bordas’, São Paulo (capital) tende a observar a estabilização da pandemia antes de São José dos Campos, por exemplo – e São José, antes do litoral. Mas isso é uma hipótese, cuja confirmação depende da observação diária da evolução da COVID19 em cada município”, pondera o pesquisador.

Tags:CoronavírusdestaqueLitoral NorterotativoPublicado em:

Posts Relacionados