Comitê de Combate ao Tráfico de Pessoas é fechado no Litoral Norte

A diocese de Caraguatatuba quer saber a razão pela qual o comitê regional de enfrentamento ao tráfico de pessoas do Litoral Norte encerrou suas atividades. O grupo realizava reuniões periódicas para debater o tema, mas desde agosto do ano passado não se reúne mais.

Escrito por: João Pedro Teles2 min de leitura
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Padre Alessandro Coelho, de Caraguá

Divulgação

A Diocese de Caraguatatuba quer saber a razão pela qual o Comitê Regional de Enfrentamento ao Tráfico de Pessoas do Litoral Norte encerrou suas atividades. O grupo realizava encontros periódicos para debater o tema, mas desde agosto do ano passado não se reúne mais.

O desligamento do comitê acontece no ano em que o tema da Campanha da Fraternidade dos católicos diz respeito ao tráfico de seres humanos. Para pressionar o retorno das discussões, foi organizado um abaixo-assinado entre moradores de Caraguá.

De acordo com o pároco da Catedral Espírito Santo, padre Alessandro Coelho, foram colhidas mais de 500 assinaturas entre católicos e não católicos.

“Isso mostra a aprovação popular para que o conselho volte à ativa. O tráfico de pessoas é uma atividade que parece distante da nossa realidade, mas devemos ficar sempre alertas, pois acontece muito e é preciso ser coibida”, explica.

De acordo com o padre, entre os participantes do comitê, estavam representantes da Delegacia Seccional, prefeitura, igreja católica e membros da sociedade. Para o padre, o retrocesso é ainda maior pelo fato da região estar na rota deste tipo de atividade.

“Por ser uma região portuária, o Litoral Norte acaba no caminho do tráfico de pessoas. As reuniões ajudavam a discutir políticas para coibir essas práticas”, diz.

Câmara
Em abril deste ano, a vereadora Vilma Teixeira de Oliveira Santos (PSDB) enviou um requerimento ao governo do Estado cobrando explicações sobre o encerramento das atividades do comitê.

“É uma ação inoportuna, justamente, quando os holofotes estão voltados para o assunto por causa da Campanha da Fraternidade. Portanto, acredito muito que esse grupo vai voltar a funcionar e auxiliar a combater essa prática que já deveria ter sido erradicada”, conta.

Silêncio
O Departamento de Direitos Humanos da Secretaria Estadual de Justiça e Defesa da Cidadania é responsável por tratar do tema no governo do Estado. Procurado pela reportagem, ninguém foi encontrado para esclarecer o fechamento do comitê.

A Polícia Federal informou, por meio de sua assessoria de imprensa, que ações de discussão e de prevenção, como a do Comitê de Combate ao Tráfico de Pessoas, ficam a cargo do Estado, enquanto investigação e combate ao crime são atribuições da PF.

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