Comunidade denuncia toque de recolher no Perequê-Mirim

Moradores do morro do Perequê-Mirim denunciam uma mudança na rotina da comunidade, pois traficantes teriam imposto um toque de recolher a partir das 17h no bairro. Segundo populares, desde o final de setembro, bandidos teriam ordenado que ninguém estivesse nas ruas após o horário para dificultar o trabalho da polícia.

Escrito por: Da redação3 min de leitura
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7/10/2014 - Morro do Perequê-Mirim, em Ubatuba (Imprensa Livre)

Moradores dizem que ruas devem estar vazias para dificultar ação da polícia

Imprensa Livre

Moradores do morro do Perequê-Mirim, em Ubatuba, denunciam uma mudança na rotina da comunidade, pois traficantes teriam imposto um toque de recolher a partir das 17h no bairro. Segundo populares, desde o final de setembro, bandidos teriam ordenado que ninguém estivesse nas ruas após o horário para dificultar o trabalho da polícia.

Fausto Cardoso, delegado titular da cidade, afirma que estas informações não passam de boatos e que o local está tranquilo e com policiamento normal. A autoridade policial também ressalta que a versão contada pelos moradores sobre a morte de um traficante que coordenava o morro está distorcida.

Porém, uma moradora informou que este toque de recolher é real e serve para dificultar as buscas dos policiais. “Com todos em casa é mais complicado para a polícia encontrar alguém que está escondido, pois todos procuram ficar com suas portas e janelas fechadas” declarou. Ela acrescentou que também protege de possíveis enganos. “Os moleques não ficam na rua pra cima e pra baixo”, disse.

Um comerciante, dono de um bar-mercearia, conta que seu negócio rendeu menos com a diminuição dos clientes à noite, mas não sofreu grande impacto. “A maioria que gosta de tomar uma cervejinha no fim do dia vem buscar para beber em casa”, afirmou.

De acordo com moradores, agora o morro do Perequê-Mirim está em paz, depois de dias turbulentos com a morte de um homem que eles dizem ser chefe do tráfico. Os populares ainda falam que é possível que tenha um novo chefe do tráfico no bairro e que ele aguardaria o momento mais seguro para assumir literalmente o local.

Polícia 
O delegado explica que o bairro está tranquilo e que não há nada de diferente na movimentação à noite. “É boato. A polícia está lá subindo e descendo o morro normalmente. A equipe da Polícia Civil sempre está no Perequê-Mirim à noite e lá está como os outros locais de Ubatuba. A Polícia Militar também patrulha por lá e ocorrem prisões em flagrante sem nenhum problema”, explica Cardoso.

“Tudo começou com uma história que foi completamente distorcida. Depois da morte do Raimundo, que possuía diversas passagens por tráfico de drogas e tinha mandado de prisão decretado contra ele, que começou essa onda de boataria. Não tem nada de chefe do tráfico. Não tem nada de excepcional”, completa o delegado.

Cardoso se refere à morte do morador do Perequê-Mirim, Raimundo Pereira Coimbra, 46 anos, no dia 12 de setembro. O corpo do homem teria sido encontrado pela Polícia Militar em uma ribanceira do sítio dele, localizado na Rua da Mangueira, com quatro tiros. Os policiais teriam encontrado duas lanternas ao lado do cadáver e mais R$ 156.

O delegado ainda completa que foram feitas falsas comunicações à PM. “Já ligaram e disseram que várias pessoas estavam mortas no bairro e quando foram checar era mentira. Também foram acionados por causa de um tiroteio e quando chegaram ao bairro não tinha nada. Tanto a Polícia Civil quanto a Polícia Militar está trabalhando no Perequê-Mirim como em todos os outros bairros de Ubatuba”, conclui.

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