Veja como guerra entre Rússia e Ucrânia afeta preço da cesta básica na RMVale
Conflito pode impactar até custo do pão francês; especialista alerta para tendência de alta nos próximos meses

O preço da cesta básica no Litoral Norte e Vale do Paraíba vem seguindo tendência de aumento há mais de um ano, principalmente por causa dos efeitos da pandemia na economia. Não bastasse isso, o país também lida com os efeitos da globalização, que trouxe benefícios, mas também impactos negativos: o que acontece numa região afeta países do mundo todo, inclusive o Brasil.
Na RMVale, nem a farinha e o pão francês estão livres de escapar desses efeitos, já que Rússia e Ucrânia estão entre os maiores produtores mundiais deste grão e o Brasil é um dos principais consumidores do trigo que vem daquela área.
Cesta básica
Em fevereiro, o preço da cesta básica teve a terceira alta consecutiva em todas as cidades do Litoral Norte, em comparação ao mês anterior: Ubatuba (+ 5,18%), São Sebastião (+ 4,80%) Ilhabela (+ 4,68%), e Caraguatatuba (+5,18%).
Segundo pesquisa feita em parceria entre o Centro Universitário Módulo e a Faculdade de São Sebastião, a média de preço em fevereiro de 2021 foi de R$571,19; com o aumento, foi para R$686,70 em fevereiro de 2022, com variação de 20,22%.
No mês passado, os produtos que sofreram maior variação no Litoral Norte foram batata (+ 11,05%), tomate (+ 9,18%) e carne (+ 5,64%).
Já no Vale do Paraíba, em 12 meses, o preço médio passou de R$ 2.013,65 para R$2.404,96, com variação de 19,43%. Os alimentos mais afetados pelos aumentos em fevereiro deste ano foram cenoura (43,96%), batata (14%) e mamão formosa (13,53%).
Nos próximos meses, será possível verificar qual o impacto da guerra Rússia x Ucrânia nos preços, principalmente do trigo.
Além de grande produtora de grãos, a Rússia se destaca no mercado mundial como um dos principais produtores de fertilizante, e “o Brasil é um dos grandes compradores. Essa tensão acaba impactando diretamente no preço desses produtos. O Brasil tem pagado mais caro, a elevação no preço acaba refletindo no mercado interno nos produtos finais nas prateleiras dos supermercados”, explicou a professora Tcharla Bragantin, uma das coordenadoras da Pesquisa da Cesta Básica do Módulo e FASS.
“Em complemento à situação de guerra, temos acompanhado situação similar com a elevação do preço do petróleo, produto cujo preço é formado em função da oferta global e já tivemos aumento no preço não só do petróleo, mas também do diesel e do gás. O aumento no preço dos combustíveis impacta cada cadeia logística que envolve produtos chegarem às prateleiras do supermercado, certamente, essa pressão ocasionará inflação e devemos sentir aumento nos próximos dias e semanas nas prateleiras dos supermercados”.
“Ainda há tendência de elevação para os próximos meses, especialmente acompanhado os desdobramentos da guerra entre Rússia e Ucrânia”, alertou.
Temporada
Além de fatores externos, como o atual conflito, e internos, como o clima, o Litoral Norte ainda tem de lidar com os efeitos da alta e baixa temporada nos preços. “Nos meses de alta temporada, há fluxo maior de pessoas no litoral, em contrapartida, aumenta a demanda e, em consequência, temos aumento de preço”.
Dica para economizar
Segundo a professora, para que as famílias possam economizar ou equilibrar os gastos com alimentos, é válido “pesquisar os melhores preços, quais supermercados fazem promoção e oferecem cupons de desconto”.
“É importante programar a ida ao supermercado, fazer lista dos itens essenciais a serem comprados, substituir produtos caros por similares com preço mais baixo e aproveitar as frutas, verduras e legumes da estação, pois há oferta maior e a tendência é que o preço deles seja menor”, concluiu.
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