Construção de teleférico ainda causa polêmica em Aparecida
Orçado em R$ 19 milhões, o teleférico que irá ligar o Santuário Nacional de Aparecida ao Morro do Cruzeiro, ainda causa transtornos entre os moradores. Torres com cerca de 20 metros de altura foram levantadas ao lado de casas e, inclusive dentro do cemitério municipal.

Orçado em R$ 19 milhões, o teleférico que irá ligar o Santuário Nacional de Aparecida ao Morro do Cruzeiro ainda causa transtornos entre os moradores. Torres com cerca de 20 metros de altura foram levantadas ao lado de casas e, inclusive dentro do cemitério municipal.
A maior reclamação dos moradores diz respeito a desvalorização das casas vizinhas às torres. Além de rachaduras nos muros por causa das obras, a publicitária Helenice Cezar, do bairro Santa Rita, também reclama da falta de privacidade que o teleférico vai trazer.

Publicitária Helenice Cezar, que reclama de construção de torre ao lado da casa
Warley Leite / Meon
“Para se ter uma ideia, o trajeto passa bem ao lado de um dos banheiros da casa, que fica no andar de cima. Agora, além de ter um muro quebrado por causa das obras terei que trocar a janela do meu banheiro e ainda me acostumar com pessoas olhando enquanto uso a piscina. Isso parece piada”, afirma.
Nas proximidades, os vizinhos têm a mesma opinião. O empresário Paulo Afonso de Toledo ressalta também a falta de transparência durante o processo de aprovação da obra, realizado sem audiência pública.
“Ninguém ficou sabendo de nada, os vereadores aprovaram a obra sem ouvir a população. Com as obras foi a mesma coisa, sem aviso prévio já começaram a construir”, comenta.
MPF
O Ministério Público Federal de Guaratinguetá recebeu as reclamações dos moradores e instaurou inquérito civil para investigar a construção. A procuradora Flávia Rigo Nóbrega quer explicações da prefeitura sobre o fato do teleférico passar sobre a Via Dutra.
“Passando por cima da rodovia, o teleférico pode causar distração do motorista e, assim, aumentar o índice de acidentes no trecho. Pelo que eles afirmam, existe essa autorização da ANTT (Agência Nacional de Transporte Terrestre). Mas vamos investigar”, explica.
Questões como a ausência de consulta pública, falta de licença ambiental e de estudo de impacto da vizinhança também constam no despacho assinado pela promotora.
Outro lado
Sobre as acusações de falta de consulta pública, o prefeito Antônio Márcio de Siqueira afirma que não houve necessidade. De acordo com Siqueira, não houve interesse da população na hora em que o projeto estava sendo votado na Câmara.
“As pessoas têm todos os meios para acompanhar as sessões de Câmara, mas não se envolveram. Acredito que, após a implementação do bondinho, todos vão ver o benefício para a cidade”, afirma.
O prefeito afirma ainda que o projeto faz parte de um plano com objetivo de mudar a característica do turismo na cidade. “Atualmente o turista vem para Aparecida apenas para passar o dia e, à tarde, já volta para sua casa. Nossa intenção é de criar atividades para que eles fiquem o fim de semana todo aqui e o teleférico é uma atração importante”, conclui.












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