Consumidores tentam driblar alto custo nas ligações móveis

Minuto da ligação de celular no Brasil está entre os mais caros do mundo

Escrito por: Allan Torquato3 min de leitura
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Clientes utilizam mais de uma operadora para economizar na conta do celular

Allan Torquato/Jornal Atos

O minuto da ligação de celular no Brasil está entre os mais caros do mundo, segundo o levantamento apresentado pela UIT (União Internacional de Telecomunicações), realizado em 166 países. O órgão, ligado a ONU (Organização das Nações Unidas), aponta que a tarifa cobrada por minuto é de U$ 0,53 que equivale a R$ 1,43. No Vale do Paraíba e Litoral Norte, são mais de três milhões de linhas e muitos dos consumidores tentam driblar os altos preços.

O levantamento constata que em ligações entre celulares de uma mesma operadora, o preço médio é de US$ 0,53. Já para as chamadas de diferentes empresas, a taxa chega a U$ 0,55, perdendo apenas para países como a Irlanda e a Suíça.

Os preços elevados não refletem na qualidade dos serviços. Funcionário público em Cruzeiro, Carlos Felipe do Nascimento, 36 anos, conta que utiliza frequentemente o celular por conta do trabalho, mas acredita que o sinal das operadoras na cidade não é bom, pelo preço cobrado. “Tenho três números para tentar pegar promoções, mas não tem sinal em qualquer lugar”, explica.

Com um gasto mensal de R$ 150, Edson de Moura, 40, de Roseira, utiliza as linhas pós-pagas e às vezes se assusta com o valor cobrado nas contas. “Utilizo uma operadora e não estou satisfeito com os serviços oferecidos, pois gasta-se muito por pouca qualidade oferecida”, reclama.

O economista do Núcleo de Pesquisas Socioeconômicos de Taubaté, Laureano Rosa, explica que os impostos encarecem as ligações no país. A cada minuto, o consumidor paga 42% de taxas ao governo. Outro aspecto que eleva o preço das tarifas é a falta de infraestrutura e modernização das empresas de telefonia. Os sistemas menos desenvolvidos contribuem para um gasto maior pelas operadoras, que repassa o valor para os consumidores.

A alta no câmbio também contribui para a elevação dos preços dos serviços. O especialista diz que a melhor maneira de poupar os gastos com telefonia, é utilizar o aparelho apenas quando houver necessidade, e optar pelo telefone fixo para alguns tipos de chamada. “É importante fazer uma pesquisa entre as operadoras e se ‘antenar’ nas promoções de cada uma delas”, completa o economista.

A Anatel e o Sinditelebrasil (Sindicato Nacional das Empresas de Telefonia e de Serviços Móvel Celular e Pessoal) rebatem os dados apresentados na pesquisa e alegam que o preço médio do minuto do celular no país é de cerca de US$ 0,07, segundo o sindicato, o que representa 13% do preço apontado pelo levantamento.

De acordo com os órgãos, a diferença de preços poderia ser explicada pela metodologia utilizada na pesquisa, que provoca uma distorção nos resultados ao levar em conta os planos homologados pela Anatel, que são uma espécie de preço-teto do minuto da telefonia móvel e não os valores efetivamente praticados no mercado brasileiro.

Allan Torquato/Jornal Atos

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