Corais invasores ameaçam a biodiversidade em São Sebastião
Expedições de preservação auxiliam na retirada de predadores do mar






O arquipélago de Alcatrazes, localizado a 43 quilômetros da costa de São Sebastião, é um refúgio da biodiversidade no Litoral Norte, preservando a flora e a fauna. Porém, desde 2013, biólogos identificaram uma colônia de corais que é considerada predadora no oceano.
De acordo com Mariana Cora, analista de conservação do programa marinho da WWF Brasil (Fundo Mundial da Natureza), apareceram em São Sebastião duas espécies de outros ambientes. “São duas espécies que não existiam no Brasil. Normalmente elas vêm encrustadas em navios. As que estão em torno do arquipélago de Alcatrazes são a Tubastraea tagusensis, de origem equatorial do Caribe, e Tubastraea coccinea, vinda do Indo-Pacífico”, explica sobre as invasoras que são popularmente como Coral Sol, em razão da sua cor no fundo do mar, que a olho humano é exuberante.

Mariana Cora, analista da WWF Brasil
Divulgação/WWF Brasil
O coral predador é responsável por comprometer a vida de corais nativos, peixes e outros animais porque a espécie estrangeira é mais competitiva que a nativa, conseguindo se alastrar pelo ambiente e roubar espaço e subsídios de outros corais. “A Coral Sol não é prejudicial à saúde humana, mas o problema é que elas não encontraram nenhum predador natural e aí elas vão se infestando com facilidade”, disse a analista ao Meon.
Com decisão de mudar esse cenário e não deixar o arquipélago ser ainda mais afetado, em 2013, voluntários começaram a se unir com biólogos e funcionários do ICMBio (Instituição Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade) e da Unifesp (Universidade Federal de São Paulo) em expedições para a retirada das colônias de Coral Sol.
“A expedição começa antes, quando é feito a seleção e treinamento dos voluntários, ensinando como fazer a coleta de maneira correta. Depois disso, é a expedição, onde tem um trabalho com mergulhadores, pois esse coral fica em uma profundidade acima de três metros”, conta a analista do programa marinho da WWF Brasil, que se uniu ao grupo da expedição no ano passado.
Balanço da expedição
Na expedição realizada entre os dias 6 e 10 de janeiro foram retiradas 20 mil colônias de Coral Sol do fundo do mar da região do arquipélago de Alcatrazes. “Esse programa deveria ser feitos mais regularmente, mas é muito custoso. Ainda há muitos corais invasores, mas a quantidade retirada em janeiro dá um respiro para algumas áreas”, completou.
O objetivo das expedições é de auxiliar a biodiversidade de toda a região, obtendo maior controle de espécies invasoras e disseminar a importância da conservação do meio ambiente.
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