Coronel Armani avalia primeiro ano de comando na PM da RMVale
O coronel Cássio Roberto Armani é comandante do CPI -1 (Comando do Policiamento do Interior) da Polícia Militar na RMVale (Região Metropolitana do Vale do Paraíba) em São Paulo, desde março de 2013.


Coronel Armani fala sobre sua vida e carreira à frente da Polícia Militar
Warley Leite/Meon
O coronel Cássio Roberto Armani é comandante do CPI -1 (Comando do Policiamento do Interior) da Polícia Militar na RMVale (Região Metropolitana do Vale do Paraíba) em São Paulo, desde março de 2013.
Policial há mais de três décadas, dedicou 24 anos de sua carreira ao Corpo de Bombeiros. Armani se considera policial por vocação. Filho de uma professora com um advogado, entrou para Academia de Polícia aos 15 anos de idade, e hoje, aos 48 anos, fala com orgulho de sua trajetória no serviço militar.
Casado há 26 anos e pai de duas filhas, Armani lembra com saudade das ruas do Centro de Jacareí, onde foi criado. “Sinto-me nostálgico quando penso que perdemos a capacidade de sair na rua e conhecer todas as pessoas por nome e sobrenome, de conversar facilmente. Aos poucos estamos perdendo as características de interior, perdendo a tranquilidade”.
Em entrevista ao Meon, o comandante da PM na RMVale, fala de sua vida pessoal e avalia os resultados e desafios de sua gestão, um ano após assumir o cargo.
Qual sua formação?
Sempre estudei em escola pública. Com 15 anos fui pra Academia Militar do Barro Branco em São Paulo. Entrei muito cedo lá, hoje tenho 32 anos de serviço prestado. Além da formação como Policial Militar, sou engenheiro civil, engenheiro de segurança no trabalho e atualmente estou cursando um mestrado em habitação no IPT (Instituto de Pesquisas Tecnológicas) na capital.
O que gosta de fazer quando não está trabalhando?
Eu sou apaixonado pela nossa região. Se você sair pelo Vale do Paraíba, vai encontrar cidades como Bananal, Arapeí ou São Francisco Xavier mesmo aqui pertinho, que são lugares muito pacatos ainda e eu gosto muito disso, de estar perto da natureza. Sou da terra e me considero um caipira por excelência, com bastante orgulho. Mas o que amo mesmo é futebol. Eu sou palmeirense, mas a maioria das pessoas que trabalham aqui comigo são corintianos, já me acostumei. Gosto de viajar e estudar. Dois lugares que gosto muito de visitar são Londres e Nova York, já fui bolsista do governo britânico e morei lá. Gostei muito.
Quando decidiu ser policial?
Eu conheci a Policia Militar em casa. Minha família já está na quarta geração de policiais. Minha filha mais velha é tenente, meu avô era sargento, meu tio foi capitão e meu pai que é advogado, também foi soldado da Polícia Militar. Foi o mundo que eu conheci, quando nasci meu pai era soldado, não vim de berço de ouro, minha família foi muito humilde e lutou muito para sobreviver e criar os filhos. Tudo o que nós ganhamos a carreira inteira, procuramos investir em educação.
Qual a solução para o problema da segurança pública?
Eu sou um defensor de que a gente só vai melhorar o Brasil, principalmente na área de segurança pública, a partir do instante em que tivermos uma educação de excelência para os brasileiros. Quando o brasileiro tiver educação que seja de primeiro nível, acho que grande parte dos problemas de segurança será solucionada. Infelizmente, hoje o garoto cai na criminalidade por falta de ocupação e o tráfico acaba levando o menino para trabalhar, pagando um bom dinheiro por mês. Se o Estado oferecesse ensino integral para todos, nós teríamos crianças e adolescentes ocupados com o bem.
Qual o maior desafio que enfrentou à frente do comando da PM na RMVale?
O maior desafio era tirar a fama de que a Região Metropolitana do Vale do Paraíba era a mais violenta do interior do estado de São Paulo. Eu confesso que isso me deixava bastante contrariado, porque aqui não é a mais violenta, discordo. Conheço outras regiões muito mais violentas. O que muda é o que você quer usar como parâmetro. A nossa região tem um número alto de homicídios e latrocínios. Contudo, eu fiz um estudo e descobri que 62% das vítimas de homicídio na região são compostos por pessoas envolvidas com o crime. É o crime se dizimando, ao mesmo tempo em que se prolifera. A segunda causa de homicídios na região são crimes passionais e aí não tem como controlar.
Quais estratégias foram adotadas para diminuir os índices de criminalidade na RMVale?
Uma vez identificado que o que aumenta os indicadores é o tráfico, traçamos uma estratégia para combater esse tipo de crime. Pedi apoio a todos integrantes dos seis batalhões da região, até os soldados dos locais mais distantes, para que tenham o mesmo foco no combate ao tráfico de drogas e porte ilegal de arma. Também recebemos mais de 100 novas viaturas, com a substituição das Blazers por viaturas novas da Toyota, modelo Hilux, mais modernas e mais potentes. Ainda recebemos novas motos e carros para policiamento em áreas urbanas e rurais. Por fim, estamos formando um pelotão de atiradores de elite, que estão sendo treinados para o combate ao tráfico e crime organizado.
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