Crimes entre vizinhos chocam RMVale e psicólogo alerta para barbárie
Em um espaço de uma semana, duas demonstrações de violência gratuita chocaram os moradores da RMVale. Uma professora morta em Caraguatatuba na última quinta-feira (3) e um comerciante brutalmente agredido no sábado (28) em Guaratinguetá, foram o saldo de confusões envolvendo vizinhos.


Carro de vítima alvejada em Caraguatatuba
Mara Cirino/Imprensa Livre
Em um espaço de uma semana, duas demonstrações de violência gratuita chocaram os moradores da RMVale. Uma professora morta em Caraguatatuba na última quinta-feira (3) e um comerciante brutalmente agredido no sábado (28) em Guaratinguetá, foram o saldo de confusões envolvendo vizinhos.
A desproporção das reações assusta o psicólogo Paulo Sodré, de Taubaté. De acordo com ele, a barbárie é fruto de uma sociedade que vem pouco a pouco perdendo os limites de convivência.
O especialista afirma que os eventos são demonstrações extrapoladas da intolerância e dificuldade de lidar com as opiniões contrárias que atingem tanto indivíduo quanto sociedade, atualmente.
“É uma época em que estão se perdendo os limites. Quando nos chocamos com essas atitudes, temos que parar para refletir sobre o nosso comportamento como sociedade, que está cada vez mais intolerante”, afirma.
Para Sodré, falta muito ainda para que esses eventos sejam superados. “É uma somatória. Falta educação, falta exemplo em casa, falta limite, falta tudo. Sem dúvida trata-se de uma situação preocupante”, comenta.
Entenda o caso
Na última quinta-feira (3) a professora Yonah Resende Rodrigues de Sá, de 44 anos, morreu em Caraguatatuba após ser alvejada por vários tiros depois de uma discussão com um vizinho de sua mãe.
A discussão teria começado depois da professora reclamar que o morador da casa ao lado, Ricardo Costa, de 46 anos, urinava no muro da mãe da vítima. Depois de ser insultada por reclamar do gesto, a professora foi à delegacia registrar um Boletim de Ocorrência. Já de madrugada, o carro onde estava com o marido e as filhas foi cercado por duas motos, de onde o vizinho e seus filhos efetuaram diversos disparos.
A Polícia Civil de Caraguatatuba já pediu prisão temporária de Costa e de seus filhos, Paulo e Rosendo, entretanto, a família fugiu logo após ter realizado o crime e estão foragidos. A arma utilizada também não foi encontrada pela polícia.
Dias antes, no sábado (28), a cidade de Guaratinguetá presenciou um caso parecido. Enquanto reclamava sobre o som alto de um carro em frente a sua casa, na avenida Juscelino Kubitchek, o comerciante Alex Coimbra, 40 anos, foi brutalmente espancado por um trio.
Com a filha dormindo dentro de casa, o comerciante pediu educadamente para que o grupo abaixasse o som. Ao receber a resposta de que o grupo não iria abaixar o volume, Coimbra tirou o celular do bolso e fotografou a placa do carro.
Após ter seu celular jogado no chão, o comerciante foi derrubado e as agressões começaram. Depois de conseguir se desvencilhar dos agressores, o comerciante voltou para casa e chegou a desmaiar no banheiro.
A Polícia Civil de Guaratinguetá está com o celular de Coimbra para tentar identificar a placa do veículo. O comerciante afirma que tem condições de identificar tanto os agressores quanto o carro do grupo.

Comerciante Alex Coimbra após ser brutalomente agredido em Guaratinguetá
Arquivo Pessoal
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