Crise hídrica: represa de Paraibuna tem menor nível da sua história

A represa de Paraibuna atingiu nesta quinta-feira (14) o menor nível de sua história. Devido a estiagem que afeta toda a bacia do Rio Paraíba do Sul, o volume de água no reservatório criado em 1970 está abaixo de 13,20%. Até então, o índice mais baixo havia sido registrado em 2003, quando operou com 13,23% de sua capacidade.

Escrito por: Elaine Rodrigues3 min de leitura
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A represa de Paraibuna atingiu nesta quinta-feira (14) o menor nível de sua história. Devido a estiagem que afeta toda a bacia do Rio Paraíba do Sul, o volume de água no reservatório criado em 1970 está abaixo de 13,20%. Até então, o índice mais baixo havia sido registrado em 2003, quando operou com 13,23% de sua capacidade.

Para piorar a situação, na última semana, o governo estadual autorizou a Cesp (Companhia Energética do Estado de São Paulo), que administra as reservas de água do estado, a diminuir em dois terços a vazão da represa do Jaguari para o Paraíba, passando de 30 para 10 metros cúbicos por segundo o volume de água liberado para a Região Metropolitana do Vale do Paraíba.

Essa manobra, determinada pela Secretaria Estadual de Recursos Hídricos, preserva o nível de água no reservatório de Jaguari, mas prejudica a bacia do Paraíba do Sul, responsável pelo abastecimento de 24 cidades na região. Segundo especialistas, com essa mudança, a seca prevista para a RMVale pela ONS (Operadora Nacional do Sistema Elétrico) em novembro, pode ser antecipada em um mês, deixando as represas de Paraibuna e Santa Branca no volume morto já em outubro deste ano.

Medidas
Em entrevista à Rádio Estadão nesta quarta-feira (13), o secretário estadual de Recursos Hídricos, Mauro Arce, afirmou que a seca na RMVale é pior que a registrada no Sistema Cantareira. “Não se assemelha. Eu acho que ela é mais grave do ponto de vista do abastecimento”. Segundo o secretário, a “água do Paraíba está acabando”.

De acordo com o geólogo e especialista em recursos hídricos da Ceivap, Edilson de Paula Andrade, a medida do governo estadual de segurar água no Jaguari é precipitada e as declarações de Arce, contraditórias.

“Dizer que a crise é pior aqui que no Cantareira é contraditório. A situação do Cantareira é dramática. Agora, na verdade, o governo quer preservar a represa de Jaguari num nível que possibilite as obras de interligação justamente para salvar o Cantareira. Aqui na região, essa medida não ajuda em nada, só nos prejudica”, explica.

Em meio a uma crise eminente, admitida inclusive pelo próprio governo estadual, a Sabesp (Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo) continua a negar a possibilidade de racionamento.

A Sabesp informou em nota que, apesar do período de estiagem e da baixa vazão dos mananciais, tem garantindo o fornecimento de água para as cidades da região. Segundo a companhia, foram adotadas medidas para garantir o abastecimento, mas é fundamental que a população economize água e evite o desperdício.

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