Decisão da ANA evita que represas da RMVale cheguem ao volume morto

A ANA (Agência Nacional de Águas) prorrogou a redução na vazão de água no Rio Paraíba do Sul para o estado do Rio de Janeiro. De acordo com especialistas, a medida foi essencial para garantir que os reservatórios da RMVale não atingissem o volume morto e o abastecimento fosse mantido.

Escrito por: Elaine Rodrigues3 min de leitura
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A ANA (Agência Nacional de Águas) manteve nesta terça-feira (30) a redução de vazão de água do Rio Paraíba do Sul em 160 metros cúbicos por segundo para o Estado do Rio de Janeiro. A medida, segundo especialistas, foi essencial para garantir que os reservatórios da RMVale não atingissem o volume morto previsto pela ONS (Operadora Nacional do Sistema Elétrico) para ocorrer em novembro.

A resolução foi publicada no DOU (Diário Oficial da União) em 30 de setembro e mantém uma redução determinada em agosto, quando a vazão caiu de 165 para 160 m3/s. Neste ano, a primeira diminuição no volume de água liberado para a barragem de Santa Cecília, em Barra do Piraí (RJ) aconteceu em junho -de 190 para 173 m3/s.

A água do Rio Paraíba do Sul, quando chega ao reservatório de Santa Cecília, é desviada para o Rio Guandú, de onde o Estado do Rio de Janeiro capta água para abastecer cerca de 10,5 milhões de pessoas -cerca de 85% da população da capital.

De acordo com o geólogo do Daee (Departamento de Águas e Energia Elétrica), Edilson de Paula Andrade, sem a redução, a bacia do Paraíba do Sul já estaria operando com o volume morto no final de outubro.

“A ANA acertou em reduzir a vazão. Isso vai fazer com que cheguemos ao final da estiagem, em novembro, com cerca de 8% do volume útil. Quando o Paraíba começou a mandar menos água para o Rio de Janeiro, as nossas represas foram preservadas. Isso, somado ao esforço da população em economizar, faz com que atravessemos essa crise em melhor situação que o Cantareira”, diz.

Volume morto
Andrade explica que mesmo que a RMVale precisasse usar o volume morto da Bacia do Paraíba do Sul, a água abaixo do nível normal das represas garantiria o abastecimento por mais um ano e meio.

Só o volume morto da represa de Paraibuna, onde nasce o rio Paraíba do Sul, tem cerca de 2 trilhões de litros de água -quatro vezes mais que o volume morto de todo o Sistema Cantareira, que possui cerca de 486 bilhões de litros em sua reserva técnica.

“O problema não é apenas o quanto de água temos, mas a qualidade dos reservatórios. Santa Branca, por exemplo, se fica vazio, começa a ter algas, o que poluí a água. A água mais profunda precisa ser tratada de forma diferente, o que aumentam os custos. Temos que economizar, usar a reserva técnica, apesar de seu tamanho, não é a opção”, conclui Andrade.

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