Defensoria investiga agressão a jovem dentro de casa noturna de São José
Agressão foi cometida por funcionário de boate; estudante vê homofobia


Jovem foi atingido por dois socos no rosto
Reprodução
A Defensoria Pública de São José dos Campos investiga uma agressão sofrida por um jovem de 21 anos dentro de uma casa noturna da avenida Luiz Jacinto, em São José dos Campos.
O caso aconteceu na madrugada de domingo (28). O jovem foi agredido por um funcionário da própria boate e alega ter sido vítima de homofobia –ele sofreu hematomas na cabeça e escoriações nos braços e nas mãos.
As agressões geraram revolta nas redes sociais. Um post feito pela própria vítima no Facebook no dia seguinte ao ocorrido tinha 223 compartilhamentos e 369 comentários até as 19h desta terça-feira (30).
A casa noturna, que tem como alvo o público LGBT (Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis, Transexuais e Transgêneros), lamentou o episódio e informou que demitiu o funcionário envolvido no caso.
“Vamos ouvir as testemunhas nos próximos dias e aguardar o laudo do IML (Instituto Médico Legal), que fica pronto em 15 dias”, afirmou ao Meon o defensor público Jairo Salvador de Souza.
O caso
Segundo o jovem agredido, que é estudante universitário, a confusão começou por volta de 1h20 de domingo, quando ele e dois amigos se aproximaram do palco para acompanhar a apresentação do DJ.
“O DJ é meu amigo e me deixou ficar próximo, porque fazia tempo que não o via. E quando comecei a rir com os meus amigos, o técnico de som achou que eu estava rindo dele e começou a me xingar. Posteriormente, essas agressões verbais viraram agressões físicas, com ele pegando no meu braço e me empurrando”, contou o universitário.
O jovem –que diz ser frequentador da casa desde a sua inauguração, há cerca de um ano– afirma que passou a ser perseguido pelo funcionário da boate nos minutos seguintes.
“Ele começou a me seguir pela boate e continuava ameaçando. Até quando fui ao banheiro ele continuou me xingando”, afirmou. “Fui para a área externa da casa, peguei o telefone para acionar a polícia e ele [funcionário] simplesmente tirou o telefone da minha mão e disse que não ia mudar nada, que a hora que eu fosse embora ele ‘iria me pegar’.”
O estudante diz que, após este último contato com o funcionário, decidiu pagar sua conta e ir embora, mas acabou agredido.
“Fui pagar a minha comanda e ele me derrubou no chão e me agrediu com dois socos no rosto, um no olho e outro no maxilar. Pedi ajuda para os seguranças, mas eles ainda zombaram de mim. Depois, eu e meus dois amigos fomos retirados da casa”, disse.
Investigação
Por orientação de advogados, o jovem buscou ajuda da Defensoria Pública na manhã de segunda-feira (29) acompanhado de um membro do Coexistir (coletivo LGBT que atua na cidade).
“Vamos levar o caso também ao Ministério Publico para denunciar tanto o autor das agressões, quanto o estabelecimento, que não possui funcionários treinados”, diz Murilo Magalhães, membro do Coexistir.
O defensor público responsável pelo caso disse que ainda não é possível antecipar uma linha de atuação.
“Ainda não coletamos dados de nenhuma testemunha, isso deve ser feito na próxima semana. Por isso, a gente ainda não pode falar como a investigação será conduzida”, disse Jairo Salvador de Souza.
“Ele conta que foi expulso da casa sob agressões motivadas por questões de gênero. Essa conduta, se confirmada, vai contra os direitos básicos do ser humano e deverá ser reparada não apenas pelo agressor, mas pela casa noturna, que é responsável pela conduta dos seus funcionários”, concluiu.
Outro lado
A casa noturna Freakout, onde o jovem foi agredido, publicou uma nota de esclarecimento em sua página no Facebook lamentando o ocorrido e informando que demitiu o funcionário envolvido no caso.
Ao Meon, a casa noturna classificou o caso como um “desentendimento entre o técnico de som e o cliente” e descartou a alegação de homofobia.
“Não foi caso de homofobia. Todos os funcionários sabem que a casa é do seguimento LGBT. Nunca ocorreu homofobia entre funcionário e cliente, até mesmo o técnico de som tinha amizade com a grande maioria do público”, informou a Freakout.
“Ele [funcionário] nos disse que perdeu a cabeça porque o cliente estava debochando dele inúmeras vezes. O demitimos porque não queremos que nenhum funcionário se envolva com qualquer tipo de agressão.”
A Freakout informou ainda que ofereceu apoio ao cliente e antecipou que seu quadro de funcionários deverá ser renovado e passar por novos treinamentos.
“Vamos passar o treinamento de como tratar o público novamente para todos os funcionários e renovar o quadro com pessoas que tenha mais facilidade de lidar com um ambiente que tem bebida e onde podem ocorrer problemas por motivo de embriaguês, para [que possam] lidar com as situações com paciência e cautela. Quanto ao cliente, já entramos em contato com ele e estamos oferecendo suporte no que ele precisar”, concluiu.
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