Detentas gestantes ganham cuidado extra na Penitenciária de Tremembé
Cartilha traz dicas sobre o desenvolvimento e medidas saudáveis para o bebê


Livro do Bebê tem guia de amamentação
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A Coordenadoria de Saúde da SAP (Secretaria da Administração Penitenciária) distribuirá cartilhas sobre os cuidados da gestação para mães reeducandas no sistema prisional. No Vale do Paraíba, a Penitenciária Feminina 2 de Tremembé, recebeu 50 Livros do Bebê.
O material conta com explicações sobre o desenvolvimento da criança mês a mês, medidas saudáveis de peso e altura, calendário de vacinação e tempo médio do aparecimento da dentição, entre outras informações. Atualmente, a penitenciária abriga 13 presas gestantes e oito lactantes –mulheres que estão amamentados seus bebês.
Além da distribuição do material, a equipe de saúde do presídio dará instruções específicas para as detentas, segundo a diretora de reintegração social da unidade feminina, Lygia Maria de Alvarenga Toledo.
“Os bebês no início de sua vida necessitam de atenção e adaptação de suas mães, a fim de auxiliá-los no seu desenvolvimento físico e psíquico. Esse início requer um preparo, que deve ser feito não só no ambiente físico que vai acomodá-lo, mas internamente na mãe. Quanto mais a mulher estiver envolvida nos cuidados com seu filho (como amamentá-lo, trocá-lo, dar-lhe banho, carinho, entre outros) mais chances terá de conhecê-lo e satisfazer suas necessidades. Além disso, aprender a conhecer o recém-nascido por meio de técnicas pode tornar o saber intuitivo das mães em um momento mais efetivo, enriquecedor e complementar ao desenvolvimento do bebê”, disse em entrevista ao Meon.
No dia a dia da unidade, segundo Lygia, já existe um cuidado extra com as presas gestantes. Semanalmente, psicólogos da unidade se reúnem com grupos de mulheres em rodas de conversa. “Em muitos casos, elas tomam conhecimento de que estão grávidas aqui na cadeia. Então, vamos construindo uma afetividade da futura mãe com o bebê durante o processo de gestação”, explica a diretora.
No Livro do Bebê, há orientação sobre aleitamento materno, o que pode ou não fazer durante esse período, a importância da amamentação, os cuidados no processo de amamentar, com um guia rápido com técnicas e posições, além de mostrar como agir em caso de afogamento com leites e alimentos, troca de fraldas e cuidados com banho de sol e higiene.
“O cuidado e a atenção às gestantes em situação de privação de liberdade são direitos constitucionais previstos também na Lei de Execução Penal. Consideramos de extrema importância garantir um trabalho voltado a esse público, contribuindo para o reconhecimento e responsabilização dessas mulheres para que possam desenvolver a maternidade do filho que vai nascer”, afirmou.
Ainda na cartilha há espaços destinados para a mãe guardar registros como certidão de nascimento, peso e altura ao logo do tempo, data dos primeiros momentos (primeiro banho, corte de unha, mamadeira, papinha etc.), rotina do bebê voltada para quem cuidará da criança enquanto a mãe cumpre a sua pena e folha para a mulher descrever a sensação da chegada da criança.
No sistema penitenciário os recém-nascidos permanecem com as mães até os primeiros seis meses de vida, conforme previsto no artigo 83, parágrafo 2 da Lei de Execução Penal. Esse período garante o tempo necessário para amamentação. Somente em agosto deste ano, a SAP contabilizou 109 gestantes e 116 bebês em unidades prisionais de todo Estado de São Paulo.
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