Difícil de controlar, campanha pela web vai invadir domingo de eleição

Justiça admite que fiscalização da campanha eleitoral nas redes sociais é difícil Divulgação As últimas ações da campanha eleitoral terminam às 22h de sábado (4), porém as redes sociais prometem continuar sendo um palanque para os candidatos, onde se misturam militantes profissionais, simpatizantes e demais interessados em participar das discussões. O juiz eleitoral da 127ª […]

Escrito por: Wagner Matheus5 min de leitura
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Justiça admite que fiscalização da campanha eleitoral nas redes sociais é difícil

Divulgação

As últimas ações da campanha eleitoral terminam às 22h de sábado (4), porém as redes sociais prometem continuar sendo um palanque para os candidatos, onde se misturam militantes profissionais, simpatizantes e demais interessados em participar das discussões.

O juiz eleitoral da 127ª zona de São José dos Campos, Marcos Augustus de Augusto Pulice, um dos quatro que vão atuar durante a eleição de domingo, alerta que “todas as ações da campanha eleitoral, inclusive pela internet, terminam no sábado, estando vedada a campanha coletiva no domingo, dia da eleição”.

Mesmo assim, o juiz admite que a fiscalização das ações nas redes sociais é muito difícil. “Quem se sentir prejudicado pode recorrer à Justiça Eleitoral”, avisa. Segundo ele, na campanha deste ano houve várias reclamações de irregularidades cometidas por candidatos, mas até o momento nenhuma foi relacionada a ações na internet.

A campanha eleitoral pelas redes sociais está engatinhando no Brasil. As primeiras ações tiveram início na eleição de 2010 e, agora, ganham em profissionalização, pelo menos entre os candidatos a presidente e a governador.

Segundo a consultora política Gil Castillo, presidente da Alacop (Associação Latino-Americana de Consultores Políticos), a campanha pela internet não opera milagres. “Tudo depende do que o candidato construiu antes do início da campanha. Se não fez antes, não vai ser nos últimos dias que irá fazer”, explica.

Mesmo assim, a especialista acredita que o esforço nesta reta final pelas redes sociais é importante, principalmente para os candidatos às eleições proporcionais, em que o grau de indecisão do eleitor é maior.

“O uso das redes sociais varia de candidato para candidato. Uns nem sabem por que estão ali, enquanto outros já mantêm um relacionamento com o eleitor que é anterior à campanha. Há os que nunca param de dialogar com seus simpatizantes, pois a interação não nasce da noite para o dia”, analisa

A especialista em marketing político orienta os candidatos a não pedir votos explicitamente no dia da eleição pelas redes sociais. “Mas podem ser feitas postagens no domingo informando sobre o andamento da votação, publicando imagens do candidato falando com eleitores ou chegando para votar”, sugere.

Gil também concorda que, para o eleitor, a campanha na internet continua normalmente no dia 5. “É impossível evitar que os militantes peçam votos para os seus candidatos ou compartilhem críticas aos adversários”, diz. “Opiniões pessoais podem ser emitidas, mas seria bom que obedecessem às regras da boa convivência”, aconselha.

Uso restrito
Candidatos a deputado na RMVale ouvidos pelo Meon planejam terminar suas postagens no sábado com um agradecimento aos eleitores e o indispensável pedido de voto. No domingo, o espaço deve ser ocupado por militantes e simpatizantes, que dão um efeito multiplicador às postagens das campanhas majoritárias e proporcionais.

Mesmo assim, a estrutura das campanhas digitais na região ainda é precária. No PSDB de São José, por exemplo, o próprio candidato a deputado federal Eduardo Cury atualiza sua página no Facebook. “Nossa campanha digital é bem caseira, duas pessoas fazem as atualizações nos horários de folga”, admite o coordenador da campanha Anderson Farias Ferreira.

Apesar da pouca estrutura, Ferreira acredita que a presença nas redes sociais será importante para a campanha de Cury. “Ele nem tinha perfil no Facebook e, em cerca de dez dias, conseguiu juntar mais seguidores que a candidata do PT”, garante o tucano, referindo-se à adversária Amélia Naomi.

João Batista da Cunha, o Alemão, que coordena a campanha de Amélia, garante que não vai haver nenhuma surpresa no final da campanha. “Não temos nada preparado, só vamos continuar alimentando o conteúdo enquanto for permitido pela legislação eleitoral”, afirma. Ele revela que também na campanha de Amélia não há uma equipe específica para a internet.

Se os candidatos dos dois maiores partidos de São José não deram tanta importância às redes sociais, este não é o caso de André Miragaia, candidato a deputado federal pelo PV. “Estou dando prioridade à internet por uma questão de princípios. Optei por uma campanha que gera o mínimo possível de resíduos”, diz o candidato, que abriu mão de cartazes, “santinhos”, cavaletes e outros materiais, em nome da sustentabilidade.

“Só imprimi cartõezinhos com o meu número e o restante da campanha estou fazendo através de vídeos muito simples e objetivos produzidos por mim”, explica Miragaia. Ele admite que outra forte razão para investir nas redes sociais é a redução do custo da campanha.

Estrutura
A consultora política Gil Castillo não aprova as soluções caseiras para a área digital das campanhas. “Aquela história de chamar o ‘sobrinho’ não funciona, os candidatos devem ter equipes profissionais para obter bons resultados”, critica. “Na internet é necessário haver gente capaz de produzir informação e adotar as ferramentas necessárias para medir resultados e definir estratégias”, observa.

Outro alerta importante para os candidatos novatos nas mídias digitais é o alcance das redes sociais, que tendem a atingir públicos com perfil e interesses comuns. “Os meios interativos fomentam as discussões, mas a legitimação das mensagens só acontece quando essas discussões chegam aos meios de comunicação de massa”, conclui a especialista.

Apesar de vir ganhando espaço em relação a outras mídias e materiais tradicionais, as campanhas pela internet não substituem o corpo a corpo. Ou seja: para se eleger o candidato vai ter de continuar gastando muita saliva e sola de sapato.

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