Dom Damasceno determina discussão sobre o Aedes aegypti em paróquias

Para o cardeal, políticas públicas equivocadas ajudaram na proliferação

Escrito por: Rodrigo Ribeiro3 min de leitura
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20160211_abertura campanha da fraternidade_Padre João Batista de Almeida_dom damasceno_aparecida_(Foto: Thiago Leon)

Dom Damasceno (à direita) em coletiva nesta quarta-feira (10)

Foto: Thiago Leon

O Cardeal Arcebispo de Aparecida, Dom Raymundo Damasceno Assis, enviou um comunicado a todas as paróquias da Arquidiocese de Aparecida e ao Santuário Nacional, determinando que o combate ao Aedes aegypti, transmissor do zika vírus, chikungunya e dengue, seja abordado de forma didática em todas as celebrações.

Nesta quarta-feira (10), após celebrar a Missa de Cinzas no Santuário, Dom Damasceno participou de uma coletiva de imprensa e falou da preocupação da igreja católica com relação ao cuidado com o meio ambiente, principalmente no combate ao Aedes aegypti.

De acordo com o Santuário Nacional, o tema será mencionado pelos Missionários Redentoristas durante as 44 missas semanais realizadas na basílica.

No comunicado, o cardeal pede que nas celebrações, encontros, reuniões, sejam dadas “orientações claras, objetivas e práticas por pessoas competentes, sobre as medidas a serem tomadas no combate ao mosquito transmissor”, diz um trecho.

Para Dom Damasceno, “a proliferação do mosquito Aedes aegypti é consequência de políticas de saúde pública equivocadas, que não deram a devida importância a este grave problema que persiste há vários anos no Brasil”, diz o cardeal no comunicado.

Mesmo com as críticas ao Poder Público, Dom Damasceno afirmou que “a responsabilidade pelo bem comum de todos é também dever de cada cidadão”.

Ainda na coletiva, o cardeal destacou as 14 obras de misericórdia propostas pelo Papa Francisco e traçou uma relação entre este tempo vivido pela igreja e a temática da Campanha da Fraternidade, “Casa Comum, nossa responsabilidade”.

“O Planeta Terra é responsabilidade de todos nós, então a Igreja fala no saneamento básico e não somente das redes de esgoto, mas também da distribuição da água tratada, a coleta de lixo e a proteção das florestas. A responsabilidade pelo bem comum é também dever de cada cidadão”, disse Dom Damasceno.

Neste ano a Campanha da Fraternidade acontece de forma ecumênica, em conjunto com as igrejas do Conic (Conselho Nacional das Igrejas Cristãs).

Circular ao Clero da Arquidiocese de Aparecida
Caro Irmão no Ministério Sacerdotal

Dirijo-me ao senhor para lhe pedir que conclame toda a sua comunidade a participar na luta contra o mosquito Aedes aegypti, transmissor da dengue, da chikungunya e do zika vírus.

A saúde, dom e direito de todos, deve ser assegurada, em primeiro lugar, pelo Poder Público, mas a responsabilidade pelo bem comum de todos é também dever de cada cidadão.

Não há dúvida de que a proliferação do mosquito Aedes aegypti é consequência de políticas de saúde pública equivocadas, que não deram a devida importância a este grave problema que persiste há vários anos no Brasil.

Segundo a Organização Mundial da Saúde e o Ministério da Saúde, a situação é de extrema gravidade, por isso, faz-se necessário a união de todos: poder público e sociedade civil no combate a propagação do mosquito Aedes aegypti. Nas celebrações, encontros, reuniões, sejam dadas orientações claras, objetivas e práticas por pessoas competentes, sobre as medidas a serem tomadas no combate ao mosquito transmissor.

Que a Campanha da Fraternidade deste Ano Extraordinário da Misericórdia, ao trazer à tona a realidade vergonhosa do saneamento básico no Brasil, contribua para despertar em todos nós maior responsabilidade pelo cuidado do planeta Terra, nossa Casa Comum.

Dom Raymundo Cardeal Damasceno Assis
Arcebispo de Aparecida

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