Em época de crise, ‘plano C’ torna-se profissão para quem se arrisca

Profissionais de São José ganham a vida com ideia que virou negócio

Escrito por: Lucila Guedes5 min de leitura
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Arquivo pessoal

‘As pessoas dão desculpas para não se reiventarem’, diz Gaion

Arquivo Pessoal

O plano B geralmente é o lado B da vida. É aquela segunda opção da profissão dos sonhos que a gente coloca no vestibular e que poderia mudar completamente o então sonhado caminho para o destino. Muito usado em tempos difíceis, o plano B, se transforma em primeira opção na hora do desespero. Mas, sem planejamento, o lado B também não dá certo.

No Brasil de 12,3 milhões de desempregados, muitas pessoas estão aprendendo com a crise e partindo para o ‘plano C’, que muitas vezes representa uma ideia até então inusitada, mas que, colocada em prática, começa a gerar renda. É como se aquele ‘jeitinho brasileiro’ se traduzisse no verbo do momento: se reinventar.

“Tenho uma conexão fácil com a reinvenção, o que é muito difícil de ver hoje em dia. As pessoas dão desculpas para não se reinventarem. Eu me formei em Direito, usei meus conhecimentos para a área de software em que trabalhei e depois atuei com consultoria em recursos humanos”, diz o atual fotógrafo Thiago Gaion, de 31 anos, que criou sua empresa nas redes sociais e hoje cobre eventos e faz todo tipo de ensaio fotográfico.

Gaion, que começou a apostar na fotografia há cerca de dois anos como uma ‘válvula de escape’, hoje vive desta arte e vem colhendo os frutos de mais de 50 trabalhos realizados. Suas sessões custam a partir de R$ 450. “Pratico o que acho que meu cliente pode pagar e de uma forma interessante para ambas as partes. Tenho flexibilidade de horários e posso ser que eu sou”, afirmou.

O fotógrafo, que já investiu em cursos e equipamentos, disse que espera que a fotografia seja sua principal fonte de renda nos próximos anos e que até em cinco receba todo o retorno investido.

Pedro Ivo Prates/Meon

Alessandro, o ‘faz-tudo’: ‘Não ter uma faculdade me tornou mais versátil’

Pedro Ivo Prates/Meon

Informalidade

No país da informalidade, mais mulheres que homens vivem nessa situação, 44% e 37%, respectivamente, segundo o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). A informalidade também é mais comum nos setores de serviços, comércio, construção civil e agricultura, e entre aqueles com menor escolaridade.

É o caso do ‘faz-tudo’ Alessandro de Souza, de 37 anos. Trabalhando desde os 12 anos, ele já atuou como balconista, chapeiro, motorista, vendedor e instalador. Quando a empresa em que trabalhava foi fechada em 2015 ele aproveitou para experimentar a atividade de motorista de Uber.

Ficou quatro meses nesta atividade, até a antiga empresa reabrir numa nova área e o chamar novamente. “Se precisar eu volto para o Uber. Acredito que o fato de não ter uma profissão formal e não ter escolhido fazer uma faculdade me ajuda a agir de forma mais versátil no mercado de trabalho”, diz.

Num futuro ainda sombrio – o Brasil terá em 2017 o maior aumento do desemprego entre as economias do G-20 e adicionará 1,4 milhão de novos trabalhadores sem emprego à sociedade até 2018, segundo dados da Organização Internacional do Trabalho, um sorriso no rosto e uma boa ideia na cabeça podem mudar esse cenário.

Foi o que aconteceu com a publicitária Mariana Ignatius Grassi, de 34 anos. Formada em Publicidade em São Paulo, ela disse que se dedicou muito à sua profissão. ‘Mas o estresse e o baixo salário também me fizeram repensar a profissão’, disse.

O ‘plano B’ de Mariana foi uma loja de semi joias artesanais e brasileiras em um shopping de São José dos Campos. “Eu descobria, em cada canto do país, o que temos de melhor em artesanato fino, e trazia para o público. Foi uma época muito rica culturalmente na minha vida e de muitas descobertas também”, contou.

A transição para o ‘plano C’, segundo ela, ocorreu aos poucos. ‘Voltei para a área da culinária após o plano B não ter dado tão certo e foi para complementar minha renda. Sempre gostei de cozinhar e usar minha criatividade de publicitária para inventar pratos novos, receitas e jeitos diferentes de servir”, disse Mariana.

Da paixão pela culinária surgiu o atual empreendimento de Mariana, que tem uma empresa cuja proposta é oferecer alimentação saudável em potes, tendo como carro-chefe as saladas em pote. Com divulgação nas redes sociais, Mariana já possui uma clientela fixa e já consegue pagar seu investimento na nova função. “Meu empreendimento paga todos meus cursos. Esse ano pretendo fazer cinco”, disse.

Arquivo pessoal

Quando me despediram eu tinha duas opções: me ressentir ou investir

Arquivo Pessoal

Sebrae 

Para quem quer partir para o ‘plano B ou C’ e não sabe por onde começar, o Sebrae-SP oferece um conjunto de soluções presenciais com o objetivo potencializar as características de um empreendedor, além das oficinas de Formalização, Modelo de negócio (metodologia Canvas) e Plano de Negócios que visam orientar o futuro empreendedor sobre todo passo a passo necessário para planejar, modelar e estruturar o seu negócio, além de verificar a viabilidade financeira dele.

Segundo o Sebrae, para aqueles que desejam abrir um negócio é importante se identificar e criar uma ideia de negócio, definir claramente seu modelo e, posteriormente, elaborar um plano tendo como ponto de atenção as variáveis do mercado deste cenário, tais como juros e inflação em alta, dólar valorizado e atuação da concorrência.

O Escritório Regional do Sebrae-SP em São José dos Campos funciona de 2ª a 6ª, das 9h às 17h.

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