Embraer vê risco de colapso com “tarifaço” de Trump

Prejuízo pode ser de R$ 20 bi até 2030

Escrito por: Da redação2 min de leitura
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A Embraer estima que pode perder até R$ 20 bilhões em receita até 2030, caso entre em vigor a tarifa de 50% anunciada pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, contra produtos brasileiros. O impacto já neste ano pode ser de R$ 2 bilhões, segundo informou a própria empresa nesta terça-feira (15).

A medida representa um abalo direto à maior fabricante de aeronaves do Brasil, que tem nos Estados Unidos seu principal mercado: 45% das vendas de jatos comerciais e 70% dos jatos executivos da empresa têm como destino o país norte-americano.

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O CEO da Embraer, Francisco Gomes Neto, alertou que a empresa poderá enfrentar consequências semelhantes às vividas durante a pandemia da Covid-19, quando a receita caiu cerca de 30% e a empresa foi obrigada a demitir 2,5 mil funcionários. Segundo ele, o tarifaço pode causar cancelamentos de pedidos, adiamento de entregas, cortes de investimentos e novas demissões em massa.

As tarifas, que atualmente são de 10%, saltariam para 50% a partir de agosto, tornando inviável a comercialização dos jatos da empresa no mercado americano. Um exemplo citado pela companhia é o contrato de venda de 60 aeronaves E175 para a SkyWest, assinado em junho durante o Paris Air Show, no valor de US$ 3,6 bilhões. Com o novo imposto, o custo tributário da operação saltaria de US$ 360 milhões para US$ 1,8 bilhão — um aumento de 400%.

Apesar da gravidade, a Embraer afirma que ainda não foi procurada por nenhuma companhia aérea para cancelamento ou adiamento dos pedidos, e aposta em uma solução diplomática entre Brasil e EUA. Gomes Neto demonstrou otimismo quanto à possibilidade de negociação de isenção para o setor aeronáutico, como já ocorreu com o Reino Unido.

O impacto econômico preocupa não apenas a Embraer, mas também a cadeia produtiva de aviação dos dois países. Segundo o executivo, o aumento das tarifas pode prejudicar trabalhadores tanto no Brasil quanto nos Estados Unidos, incluindo fornecedores de peças que deixarão de produzir.

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