Enchente na Vila Guarani destrói fonte de renda de família de São José

Moradores se dedicam à limpeza da casa depois da forte chuva de terça

Escrito por: Marcus Alvarenga3 min de leitura
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Segundo dia consecutivo de chuvas inundou casa da família silva na Vila Guarani, em São José (Pedro Ivo Prates)

Severina não consegue segurar as lágrimas ao lembrar do momento da enchente

Meon/Pedro Ivo Prates

A dona de casa Severina Maria da Silva, de 64 anos, moradora da Vila Guarani, região central de São José dos Campos, é uma das centenas de vítimas da forte chuva de terça-feira (7). Ela e seus familiares estão desesperados porque perderam todo o material reciclado na enchente.

No final da tarde, o temporal que atingiu a cidade e deixou um rastro de destruição, atingiu todos os cômodos da casa. A família de Severina está entre outras cinco das ruas Antônio Friggi e Balbino Gonçalves, no mesmo bairro, que teve prejuízo com a água invadindo o imóvel.

A chuva que começou por volta das 17h, pegou de suspresa a matriarca da família. Ela estava sozinha nos quartos do fundo da residência no momento que o nível da água começou a subir.

“Eu nunca vi isso na minha vida. Eu estava sozinha e comecei a ficar desesperada ao ver o fogão, a cama e um botijão de gás boiando e quando não vi mais a privada do banheiro, aí eu me ‘aperriei’”, relata a idosa.

Severina divide um cômodo com outras três pessoas –o marido de 66 anos, uma filha de 37 e o neto de apenas seis anos. O quarto fica nos fundos da casa de um de seus filhos, que teve todo o material reciclado recolhido pela família, levado pela água. A nora, Tatiara da Silva Ferreira Caetano, de 24 anos, e uma de suas filhas, Lúcia Caetano da Silva, de 35 anos, lamentaram a situação.

Tatiara e Lúcia ajudam na renda da família e agora contabilizam os danos provocados pela enchente. “Perdemos todo o material reciclado. Agora vai tudo para o lixo. Já estava no dia de vender e eu vou ter que jogar fora o trabalho de quatro dias, porque as empresas não compram nada molhado, e se comprar, só vale R$ 0,05”, explica Tatiara.

Enquanto as mulheres da família mostravam os estragos que a chuva deixou para trás, Severina não conseguia conter as lágrimas ao olhar para as roupas molhadas, para a lama dentro dos armários e recordar os momentos de apreensão que passou sozinha.

“Quando abri a geladeira só tinha lama, as caixas de leites estavam boiando no meio do quarto, mas conseguimos limpar bem rápido e salvar alguns alimentos. Eu morava em Pernambuco e lá nunca vivi uma situação como essa. É a primeira vez que passo esse aperto”, falava Severina com dificuldade, dividindo a voz com a respiração ofegante.

Tatiara, que mora há dois anos na Vila Guarani, relata que as enchentes acontecem todos os anos e que os moradores já ficam preparados com a aproximação do período de chuvas.

A família que perdeu quase tudo recebeu a doação de colchões e cobertores da prefeitura. “A água estava ultrapassando a nossa cintura, conseguimos limpar e arrumar as coisas, mas não sabemos se virão buscar o entulho. Se isso não acontecer vamos ter que jogar no lixão. A única coisa da prefeitura foi que conseguimos quatro colchões e dois cobertores”, conta Lúcia. “Eles vieram até o bairro, olharam da esquina e foram embora. Não chegaram a se aproximar da casa e ninguém ajudou a gente.”.

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