Enchente na Vila Guarani destrói fonte de renda de família de São José
Moradores se dedicam à limpeza da casa depois da forte chuva de terça


Severina não consegue segurar as lágrimas ao lembrar do momento da enchente
Meon/Pedro Ivo Prates
A dona de casa Severina Maria da Silva, de 64 anos, moradora da Vila Guarani, região central de São José dos Campos, é uma das centenas de vítimas da forte chuva de terça-feira (7). Ela e seus familiares estão desesperados porque perderam todo o material reciclado na enchente.
No final da tarde, o temporal que atingiu a cidade e deixou um rastro de destruição, atingiu todos os cômodos da casa. A família de Severina está entre outras cinco das ruas Antônio Friggi e Balbino Gonçalves, no mesmo bairro, que teve prejuízo com a água invadindo o imóvel.
A chuva que começou por volta das 17h, pegou de suspresa a matriarca da família. Ela estava sozinha nos quartos do fundo da residência no momento que o nível da água começou a subir.
“Eu nunca vi isso na minha vida. Eu estava sozinha e comecei a ficar desesperada ao ver o fogão, a cama e um botijão de gás boiando e quando não vi mais a privada do banheiro, aí eu me ‘aperriei’”, relata a idosa.
Severina divide um cômodo com outras três pessoas –o marido de 66 anos, uma filha de 37 e o neto de apenas seis anos. O quarto fica nos fundos da casa de um de seus filhos, que teve todo o material reciclado recolhido pela família, levado pela água. A nora, Tatiara da Silva Ferreira Caetano, de 24 anos, e uma de suas filhas, Lúcia Caetano da Silva, de 35 anos, lamentaram a situação.
Tatiara e Lúcia ajudam na renda da família e agora contabilizam os danos provocados pela enchente. “Perdemos todo o material reciclado. Agora vai tudo para o lixo. Já estava no dia de vender e eu vou ter que jogar fora o trabalho de quatro dias, porque as empresas não compram nada molhado, e se comprar, só vale R$ 0,05”, explica Tatiara.









Enquanto as mulheres da família mostravam os estragos que a chuva deixou para trás, Severina não conseguia conter as lágrimas ao olhar para as roupas molhadas, para a lama dentro dos armários e recordar os momentos de apreensão que passou sozinha.
“Quando abri a geladeira só tinha lama, as caixas de leites estavam boiando no meio do quarto, mas conseguimos limpar bem rápido e salvar alguns alimentos. Eu morava em Pernambuco e lá nunca vivi uma situação como essa. É a primeira vez que passo esse aperto”, falava Severina com dificuldade, dividindo a voz com a respiração ofegante.
Tatiara, que mora há dois anos na Vila Guarani, relata que as enchentes acontecem todos os anos e que os moradores já ficam preparados com a aproximação do período de chuvas.
A família que perdeu quase tudo recebeu a doação de colchões e cobertores da prefeitura. “A água estava ultrapassando a nossa cintura, conseguimos limpar e arrumar as coisas, mas não sabemos se virão buscar o entulho. Se isso não acontecer vamos ter que jogar no lixão. A única coisa da prefeitura foi que conseguimos quatro colchões e dois cobertores”, conta Lúcia. “Eles vieram até o bairro, olharam da esquina e foram embora. Não chegaram a se aproximar da casa e ninguém ajudou a gente.”.
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