Entrevista: Cadeirante joseense percorre caminho de Santiago
O paraesportista Evandro Bonocchi, de São José dos Campos é um exemplo de que a força de vontade não tem barreiras. Cadeirante desde 2005, quando sofreu um acidente de moto, o joseense percorreu em setembro de 2013 os 790 quilômetros do caminho de Santiago de Compostela, na Espanha à bordo de uma bicicleta adaptada.

O paraesportista Evandro Bonocchi, de São José dos Campos, é um exemplo de que a força de vontade não tem barreiras. Cadeirante desde 2005, quando sofreu um acidente de moto, o joseense percorreu em setembro de 2013 os 790 quilômetros do caminho de Santiago de Compostela, na Espanha, à bordo de uma bicicleta adaptada.
Para realizar o sonho que durava desde a adolescência, Bonocchi precisou se multiplicar em diferentes funções. Além dos três meses de treino, definição das rotas, organização da expedição e captação de recursos fizeram parte de sua rotina. Em entrevista ao Meon, o paraesportista revelou os bastidores da jornada de 20 dias pelo caminho.

Evandro Bonocchi com o certificado de conclusão do caminho de Santiago
Graziela Teixeira
Quando surgiu a ideia de percorrer o caminho de Santiago de Compostela?
Esse foi um sonho que eu tinha desde os meus 15 anos. Depois do acidente achei que não conseguiria mais fazer a viagem. Mas foi justamente nesse período que minha força de vontade ficou maior e acabei me viciando em superar limites físicos.
Como você conseguiu viabilizar esse projeto?
Montei uma equipe, que batizamos de Handgrinos. Eram quatro ciclistas, eu e mais um cadeirante, o Josimar Silva. A equipe também contava com uma fotógrafa. Depois de elaborar o trajeto e levantar os custos da viagem, foi o momento de ir de porta em porta para conseguir financiamento. Fiquei feliz porque conseguimos sensibilizar quase todos os empresários que procuramos. Eles custearam toda a viagem.
De que maneira você se preparou para percorrer o trajeto?
Dividi esse tempo de gerenciar a equipe com treinamentos de 30 quilômetros diários durante um período de três meses. Também levava um peso de 30 quilos para simular a bagagem e a cadeira de rodas, que tivemos de carregar.
Quais foram os momentos mais difíceis?
O momento mais difícil aconteceu antes mesmo de chegarmos ao trajeto. A handbike (bicicleta adaptada) do Josimar chegou à primeira escala do voo completamente destruída. A situação só se resolveu quando uma ONG em Madri conseguiu enviar outra para ele. No trajeto em si, os morros foram bem desafiadores.
O que te emocionou durante o caminho?
Com certeza foi a convivência com pessoas diferentes. Tanto com a nossa equipe, quanto com os peregrinos que encontramos pelo caminho. Em muitos momentos servimos de inspiração para pessoas que estavam prestes a desistir. Isso é extremamente gratificante e recompensador. Na nossa equipe mesmo foi preciso aprender a conviver, pois não é fácil passar 24h por dia durante 20 dias com pessoas bem diferentes de você.
















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