Entrevista: José Luís Nunes revela que trabalho na Pastoral da Juventude foi decisivo para sua carreira política

José Luís Nunes (DEM), secretário de Defesa do Cidadão de São José dos Campos, se define como conciliador, leal, trabalhador e sonhador. “Minha inspiração para a vida surgiu na Pastoral da Juventude. Foi lá que conheci minha esposa e percebi que deveria trabalhar para a comunidade, ajudando o próximo. Minha revolução foi na comunidade”.

Escrito por: Priscila Gomes e Rodrigo Ribeiro5 min de leitura
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14 de Março de 2014-secretario_de_defesa_do_cidadao_jose_luiz_nunes_foto_warley_leite_meon_16

José Luís Nunes, secretário de Defesa do Cidadão

Warley Leite/Meon

José Luís Nunes (DEM), secretário de Defesa do Cidadão de São José dos Campos, se define como conciliador, leal, trabalhador e sonhador.

Filho de funcionário da Embraer, Nunes nasceu no bairro de Santana, zona norte da cidade, mas aos sete anos foi morar no Jardim Satélite, zona sul, onde vive até hoje com sua mulher e duas filhas [Bruna, 14, e Sara, seis anos]. Foi no bairro que, aos 14 anos, começou a participar da Pastoral da Juventude, trabalho decisivo para sua carreira profissional.

“Minha inspiração para a vida surgiu na Pastoral da Juventude. Foi lá que conheci minha esposa e percebi que deveria trabalhar para a comunidade, ajudando o próximo. Minha revolução foi na comunidade”, avalia ao relembrar a transformação da Capela Santa Teresinha na Paróquia Espírito Santo.

Sobre o convite que recebeu de seu adversário Carlinhos Almeida (PT) para assumir o cargo de secretário após disputar a eleição 2012 como vice-prefeito de Alexandre Blanco (PSDB), confessa: “fiquei surpreso e pensei em não aceitar o convite, mas a atitude nobre do prefeito me fez mudar de ideia”. 

Qual sua formação?
Sempre estudei em escolas públicas de São José dos Campos. Fiz faculdade de História (Univap) e pós-graduação em Gerenciamento de Cidades (Faap) também na cidade. Mas tenho a frustração de não ter acabado a faculdade de jornalismo (Unitau). Tive que parar no segundo ano, pois venci as eleições 2004 para vereador.

Como foi o início da sua carreira pública e qual a relação da sua vivência na comunidade religiosa com sua trajetória política?
Considero que comecei a ter uma atitude de político na comunidade religiosa que participo desde os 14 anos no Jardim Satélite. Minha relação com a comunidade religiosa do bairro tem mais de 25 anos. Lá sempre ajudei na parte social e, num determinado momento, comecei a receber convites de partidos e percebi uma oportunidade de ajudar ainda mais. Vi que não bastava apoiar um candidato e votar, era preciso fazer mais e o tempo todo, não apenas em anos eleitorais.

E como aconteceu sua entrada na Câmara da cidade?
Na época da faculdade de jornalismo eu era assessor do vereador Manoel de Lima Jr (PHS) e, quando ele decidiu não se candidatar para a próxima legislatura, as pessoas incentivaram a disputar as eleições. Aceitei o desafio e fui eleito.

Como é sua relação com a família e como aproveita o tempo livre?
Ser político é algo por período integral. Por causa das minhas atividades na comunidade e por ter sido vereador as pessoas me param para conversar a todo momento, sou secretário 100% do tempo. No pouco tempo livre que tenho tento ser um pai presente, converso com minhas filhas e ajudo nas tarefas escolares. Minha filha mais velha é bastante comunicativa, mas não quer nem pensar em política [risos]. Minha esposa respeita minha profissão e entende que não é fácil. Além disso, pratico atividade física.

Qual exercício físico faz?
Há alguns anos procurei um médico porque senti que estava muito cansado e indisposto. Estava com sobrepeso e o médico disse que devia fazer alguma atividade física. Sempre gostei de esporte e corria quando era mais novo, então resgatei isso. Todos os dias, sem exceção se é feriado ou final de semana, acordo às 5h e pratico corrida de rua. Só não saio de casa se estiver um temporal, com chuva fraca vou lá para a praça. Já participei de algumas mini maratonas, corri duas vezes a São Silvestre e sou o fotógrafo oficial da minha turma de corrida.

Voltando para sua vida política, qual sua reação ao receber o convite do Carlinhos Almeida (PT) para a secretaria?
Sinceramente não esperava e até já tinha convites para atuar em outras áreas e cidades da região. O prefeito teve uma atitude nobre e quando recebi o convite pensei: “ele está comprando uma briga muito grande, sou da oposição”. E, por essa atitude nobre, mudei de ideia e aceitei. É preciso entender que existem pessoas boas em todos os partidos, o que acontece é que temos que escolher um partido para atuar. Acredito que o prefeito me escolheu por causa da minha atuação na comunidade e pelo meu perfil de trabalho.

Quais os desafios da Secretaria de Defesa do Cidadão?
No momento estamos realizando ações para incorporar inteligência aos equipamentos que temos. Afinal, não adianta termos, por exemplo, câmeras de monitoramento e não aproveitarmos isso da melhor maneira. Também temos uma atuação constante contra a pichação, tolerância zero mesmo. A característica da secretaria é de repressão e, apesar de ter um perfil mais conciliador, não tenho medo de me posicionar, seguindo sempre as leis que temos. Até por ter passado a vida ajudando ao próximo, demorou um pouco, mas entendi que às vezes ser duro, reprimir e dizer não é também uma forma de ajuda. O nosso objetivo é manter a sensação de segurança para a população. 

Você tem vontade de ser prefeito de São José dos Campos?
Não penso nisso. Tenho a naturalidade como filosofia de vida, vivo um dia de cada vez. Hoje estou aqui na secretaria e, após essa etapa, não sei o que vou fazer. Certamente vou trabalhar para e com a comunidade de alguma forma, mas não descarto nenhuma possibilidade. Não esperava nem estar aqui [risos].

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