Entrevista: professor da Univap acredita em revolução dos drones

Encontrar pessoas perdidas, monitorar o trânsito e até mesmo enviar correspondências. Essas são apenas algumas das tarefas que poderão ser realizadas por drones – veículos aéreos não tripulados – dentro de poucos anos.

Escrito por: João Pedro Teles3 min de leitura
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Alessandro Correa (à esq.) com sua equipe no Parque Tecnológico da Univap

Arquivo/Divulgação

Encontrar pessoas perdidas, monitorar o trânsito e até mesmo enviar correspondências. Essas são apenas algumas das tarefas que poderão ser realizadas por drones -veículos aéreos não tripulados- dentro de poucos anos.

Atualmente a tecnologia já é utilizada para a captação de imagens aéreas e a cobertura televisiva de eventos esportivos. Entretanto, o professor da Univap (Universidade do Vale do Paraíba) Alessandro Correa Mendes afirma que esse é só o início de uma pequena revolução provocada por esses aparelhos.

No Parque Tecnológico da universidade, o acadêmico lidera uma das poucas equipes capazes de desenvolver essa tecnologia no Brasil. Ao Meon, Mendes falou sobre as múltiplas possibilidades de aplicação para os drones e um projeto inusitado que será implementado ainda este ano na Univap.

Quais os objetivos do seu estudo?
Estou trabalhando no projeto há três anos. É muito importante que o Brasil desenvolva essa tecnologia para não precisar exportá-la de países que estão na nossa frente. Nosso objetivo é evoluir nas diferentes aplicabilidades que essa ferramenta nos oferecem. Tanto para registro de patentes, quanto para fins acadêmicos. Tratam-se de programas complexos de inteligência artificial e autonomia de voo.

Os drones já são bastante utilizados no meio militar. Qual impacto que o uso civil dessa tecnologia pode causar?

Muito dos serviços que hoje são realizados com helicópteros passarão a ser feitos pelos drones. Um exemplo mais recente é o uso para registros de imagens aéreas. Entretanto, monitoramentos de áreas desmatadas, mapeamentos do trânsito, auxílio aéreo a equipes de segurança, entre muitas outras atividades, também poderão ser feitas pelos drones.

E qual a vantagem de substituir esses serviços?

Basicamente é o custo. Imagine que um trabalho de fotografia aérea feita em um helicóptero possa custar até R$ 5.000. Por outro lado, um drone faria o mesmo serviço por apenas R$ 1.500. A mobilidade é outra questão importante, já que o drone chega a lugares que o helicóptero não consegue.

Vocês desenvolveram um drone programado para entregar documentos? Como funciona?

Isso. Ele vai funcionar no campus Urbanova da Univap. Acoplamos uma caixinha ao aparelho e os diretores poderão enviar encomendas de até 1,5 kg para outros prédios. Funciona assim, o professor chama o drone pela internet. O veículo pousa em um ponto específico do prédio, o documento é entregue e logo depois vai voando até o destino.

Isso quer dizer que em alguns anos, ao invés de contratar um motoboy as empresas irão disponibilizar drones para fazer o serviço?

É possível. A Amazon, por exemplo, promete que vai entregar produtos desta forma. Mas ainda acho que há dificuldades a serem enfrentadas. A principal delas é estabelecer uma normatização aérea para que os veículos não interfiram no tráfego aéreo.

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