Entrevista Vânia Castanheira: quando o câncer é a cura

Vânia Castanheira tem 32 anos e até dezembro de 2013 trabalhava como Administradora de uma empresa de tradução. É nascida em Moçambique, criada em Portugal, estudou na Itália e mora no Brasil há nove anos. Aqui, em São José dos Campos, se casou há dois anos e meio.

Escrito por: Ticiane Toledo6 min de leitura
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Foto principal do blog Minha Vida Comigo

Arquivo Pessoal/Minha Vida Comigo

Vânia Castanheira tem 32 anos e até dezembro de 2013 trabalhava como administradora de uma empresa de tradução. É nascida em Moçambique, criada em Portugal, estudou na Itália e mora no Brasil há nove anos. Vive em São José dos Campos, onde se casou há dois anos e meio.

“Em janeiro de 2013, desejosa de me tornar mamãe, descobri um câncer de mama. Eu sempre tive uma vida saudável. Pratico esporte e me alimento bem. O meu câncer foi emocional. Um acúmulo de estresse e mágoa que guardei para mim, não compartilhei e não fiz questão de alterar o que estava errado. Deixei passar e o meu corpo reclamou”, diz a autora do blog Minha Vida Comigo.

Vânia sempre teve uma vida saudável em alimentação e atividades físicas, mas descuidou de uma área importante: a mente e as emoções. Por isso, a convidei para bater um papo e nos inspirar a passar por qualquer obstáculo que encontremos no caminho rumo à nossa saúde e felicidade.

Quando você foi diagnosticada? A doença ainda estava nos estágios iniciais?
Vânia: Dia 14 de Janeiro de 2013. Por telefone. Foi o meu marido que foi buscar o resultado de uma biópsia que tinha feito. E leu em voz alta. “Carcinoma ducal grau 2”. E o Dr. Google confirmou: câncer nos duetos mamários. Foi um choque. Não parecia possível. Eu nem tinha dado muita importância àquela biópsia. Pensei que fosse um nódulo de gordura ou algo assim. Tinha 31 anos, uma vida saudável. Muito para viver. Não podia ter um câncer. A doença estava em estágio inicial, mas o tumor já tinha mais de dois cm. Num organismo jovem, em que o metabolismo é acelerado, as células proliferam rapidamente, desenvolvem-se com uma enorme rapidez. Daí, a urgência em operar é maior. Tanto que na cirurgia, encontraram outro tumor que já estava se desenvolvendo e ainda não aparecia nos exames.

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Vitória contra o câncer

Arquivo pessoal/Minha Vida Comigo

Como era sua rotina e seus hábitos antes do diagnóstico? Alimentação, atividades físicas, qualidade de vida etc. Enfim, como era a Vânia antes do diagnóstico?
A Vânia era trabalho. Muito trabalho. Rs. Administrava uma empresa da qual era diretora aqui no Brasil. Passava os fins de semana na praia, o meu refúgio, onde tentava desligar das exigências laborais. Praticava yoga de uma a duas vezes na semana e fazia caminhadas no parque, ocasionais. Alimentava-me bem, mas não conseguia resistir muito aos doces. O meu grande pecado. Chocólatra incurável! Era onde descontava a minha ansiedade.
O problema é que eu não conseguia administrar as minhas frustrações. Assimilava para mim os problemas da empresa, dos funcionários, da família, amigos, de todos. Achava que eu tinha que resolver tudo e não conseguia desligar. Já não conseguia dormir direito fazia meses (ou mais de ano). Por fora as pessoas pensavam que estava tudo bem porque eu só gostava de partilhar coisa boa. Guardava tudo o que era ruim e me incomodava.

Após o diagnóstico, o que mudou na sua vida? Como você vê a Vânia pós-diagnóstico?
A Vânia pós-câncer conseguiu encontrar um equilíbrio na sua vida. Conseguiu por na prática a teoria de que o nosso corpo é o nosso templo e que nós temos que ser a nossa prioridade. 95% dos meus dias eu começo cuidando de mim. Marcos os meus compromissos com base nisso. Antes doava-me por completo. Hoje tento sempre encaixar-me primeiro. Se não tem jeito adapto-me, mas sem nunca esquecer de ter o meu horário e que tenho que dormir 8 horas, fazer todas as refeições, incluindo os lanchinhos. Preciso me cuidar. Não quero que sejam médicos a fazê-lo. Com a alimentação, atividade física e uma boa rotina de sono, conseguimos milagres.

Você é bastante vaidosa. Vejo isso sempre nas suas fotos e nas palestras que você ministra. Você sempre gostou de se cuidar ou passou a se cuidar mais depois do diagnóstico?
Sempre gostei de me vestir bem. Mas, por exemplo, não me maquiava e o meu cabelo andava sempre rebelde. Com a quimioterapia, passei a ser mais vaidosa. Ando quase sempre com um make, mesmo que basiquinho e “arrumadinha”. Ando com outro olhar. Fiquei mais atenta a essas coisas. Tudo o que possa me deixar mais feminina. Porque, com certeza, irei ficar melhor do que antes.

Você conseguia se exercitar durante o tratamento? E se alimentar? Os efeitos colaterais são pesados, não são? Imagino que atrapalhem essa rotina, esses hábitos. Como você lidou com tudo isso?
Durante a quimioterapia fazia umas caminhadas de vez em quando. O tratamento derruba muito mesmo. E é preciso ouvir o corpo. As caminhadas ajudavam, mas era coisa de 15, 20 minutos. As pernas não aguentavam. Na radioterapia comecei a fazer musculação de leve para reativar a musculatura. E dois meses depois comecei os treinos. Hoje em dia faço esporte cinco, seis vezes por semana e adoro. Estou viciada. Estou fisicamente melhor do que estava antes do tratamento. E vou continuar melhorando.

Quanto à alimentação, eu fui muito bem acompanhada durante todo o tratamento e, por isso, juntamente com tudo o que estudei, dou tantas dicas. Tive alimentação mais específica para a quimioterapia e para a radioterapia. Segui tudo corretamente e consegui não ter variação de peso. No entanto, quando terminei a radioterapia e chegou a hora de festejar, meti o “pé na jaca”. E como o meu metabolismo está mais lento por conta de tantos quimioterápicos, engordei bastante.

Hoje como está indo o tratamento? Ainda em andamento ou você já teve alta?
Já terminei os tratamentos, mas ainda não fui autorizada a retirar o cateter. Penso que em maio vou ter essa autorização e fazer essa última cirurgia.

Quais as maiores lições que você tirou deste ciclo da sua vida?
Perspectiva. A vida e a felicidade são uma questão de perspectiva. Paciência, tenacidade e resiliência são três características que devemos desenvolver se queremos ter maturidade para enfrentarmos todas as “pedrinhas” que aparecerem no nosso caminho.

Um recado para quem estiver lendo a entrevista e que está na luta para ganhar mais saúde, qualidade de vida e até mesmo mais auto-estima?
Olhem primeiramente para dentro de vocês. Comecem por dentro. Isso vai se refletir por fora. Trabalhem a cabeça. Enxerguem o copo “meio cheio” e cuidem de se alimentar corretamente. Depois incluam atividade física diária na rotina. Façam essa experiência por um mês e depois digam-me o que sentiram de diferente. Mas tem que aguentar um mês! E ao mesmo tempo, meçam a circunferência abdominal e pesem-se. Mas lembrem-se, medidas e peso são consequências. Busquem saúde, qualidade de vida, paz interior, felicidade. Todo o resto vem como consequência. Um beijo no coração e sejam felizes. Nada mais importa.

Fonte: Vida Fit

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