Ericsson terá que pagar R$ 90 mil a ex-funcionário vítima de homofobia
A Justiça condenou nesta quarta-feira (7) a Ericsson de São José dos Campos por homofobia e assédio moral cometido contra o metalúrgico Maximiliano Neves Galvão. A sentença foi expedida em primeira instância pela 5ª Vara do Trabalho e prevê uma indenização de R$ 90 mil.

A Justiça condenou nesta quarta-feira (7) a Ericsson de São José dos Campos por homofobia e assédio moral cometido contra o o ex-funcionário Maximiliano Neves Galvão. A sentença foi expedida em primeira instância pela 5ª Vara do Trabalho e prevê uma indenização de R$ 90 mil.
Eu era ofendido todos os dias tanto pelos colegas de trabalho quanto pelos meus gerentes e supervisores
Maximiliano Galvão metalúrgico
No documento, a juíza Maria da Graça Barbosa reconheceu que houve discriminação em razão da orientação sexual do metalúrgico por parte de colegas de trabalho, supervisores e gerentes.
O resultado da sentença foi recebido como um alívio para Galvão, que relata ter suportado ações de desmoralização durante um período de quatro anos.
Assumidamente homossexual, o ex-funcionário afirma que as intimidações começaram como brincadeiras inofensivas, mas que em pouco tempo ganharam um âmbito muito maior. Em dado momento, segundo ele, a situação teria ficado fora de controle.
“As pessoas passaram a se referir a mim de uma maneira muito ofensiva. Xingamentos como ‘gay’ ou ‘bicha’ tornaram-se constantes. Em reuniões com cerca de 100 pessoas, por exemplo, meu gerente fazia brincadeiras humilhantes do tipo: ‘como estava o cruzeiro gay?’. Para mim isso foi muito pesado”, lembra.
O trabalhador afirma que chorava constantemente em casa, não tinha vontade de comparecer ao trabalho e chegou a emagrecer 10 quilos. “Chorava de raiva por causa da minha atitude apática perante esses insultos”, afirma Galvão, que ainda está desempregado.
Ao tomar coragem para denunciar o caso, em agosto do ano passado, Galvão afirma que a postura da empresa foi de demiti-lo sem motivo aparente. Segundo o metalúrgico, após procurar o departamento de Recursos Humanos, seu gerente o demitiu, alegando que o metalúrgico causava tumulto entre o grupo.
“Foi aí que entrei com a ação judicial, pois tinha material gravado dos meus gerentes me insultando. Quero que essa minha vitória sirva de exemplo para todos aqueles que se sentem acuados na mesma situação”, explica.
Outro lado
Por meio de nota, a assessoria de imprensa da Ericsson informou que não comenta detalhes de processos jurídicos em andamento. Entretanto, ressaltou que o código de ética corporativo da empresa, que é assinado por todos os funcionários, defende a igualdade e o respeito entre os empregados, independente de cor, raça, sexo, orientação sexual, estado civil, religião, origem social, étnica ou de nacionalidade, dentre outros. A empresa não informou se vai recorrer da decisão judicial.
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