‘Escola Sem Partido’ divide opiniões entre entidades de São José

Professores e OAB declaram-se contrários; Pastoral da Família é favorável

Escrito por: João Pedro Teles3 min de leitura
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Votação terá galerias lotadas nesta quinta

João Pedro Teles/Meon

Antes mesmo de entrar em pauta, o projeto ‘Escola Sem Partido’, que pode ser votado nesta quinta-feira (7), na sessão de Câmara de São José, já divide opiniões em associações de classe e igreja na cidade.

A propositura, enviada pelo vereador Lino Bispo (PR) entrou em pauta na sessão da última quinta-feira (30). Ainda em prazo de emenda, o projeto foi adiado pelo Legislativo.

Com a expectativa da votação acontecer hoje, a promessa é que a galeria da Câmara viva um clima quente entre as pessoas favoráveis e as contrárias ao projeto.

Nos bastidores, entretanto, esta peleja já começou. Após professores da Univap (Universidade do Vale do Paraíba) enviarem uma moção de repúdio à proposta – fazendo coro à representação de outros docentes da cidade, que também se manifestaram –, ontem foi a vez da OAB (Ordem dos Advogados do Brasil) se posicionar de forma contrária.

A publicação, assinada pelo presidente Rodrigo de Moraes Canela, pede que o projeto seja excluído de votação para que sejam resguardados direitos constitucionais.

“Ensinar significa transferir conhecimento de um sujeito a outro, e neste particular não há neutralidade evidenciada, com evidentes resquícios de censura a manifestação do pensamento, algo que deve ser afastável de plano”, explica a nota.

Pastoral se posiciona a favor

Agentes da Pastoral Familiar da Diocese de São José protocolaram, nesta quarta (6), uma carta apoiando o projeto do vereador Lino Bispo.

Na publicação, a pastoral parabeniza o vereador pela proposição.  De acordo com o documento, os professores da rede pública deverão se “esmerar em ensinar aos nossos filhos e netos as matérias da grade, de forma que ao completar o seu período escolar, tenham adquirido as competências previstas”.

Em outro trecho, a carta afirma que alguns professores gastariam seu tempo em sala com outras atribuições.  Os membros da pastoral ainda usam um trecho de um post do ex-ministro da educação Renato Janine Ribeiro para justificar a posição contrária.

“Em 2015, divulguei nossos dados: 22% das crianças não sabem ler direito ao fim do 3° ano (na rede pública), 35% não sabem escrever, 57% fazer as operações matemáticas”, afirma a citação no documento. “Por esse motivo, reforçamos, aqui, nosso apoio ao projeto Escola Sem Partido, e mais uma vez nos congratulamos com o Vereador Lino Bispo, pela sensibilidade em apresentá-lo. Não queremos professores que tratem de assuntos que não lhes competem, como sexualidade e doutrinação política, na sala de aulas. Da educação dos nossos filho e netos, cuidamos nós”, completa a carta.

A citação, entretanto, utiliza apenas um trecho do post. Na íntegra, Janine afirma que: “o pior da ‘escola sem partido’ é que desvia a atenção das questões realmente educacionais – e educativas! Desvia a atenção de nossas falhas na alfabetização, só para começar. Em 2015 divulguei nossos dados: 22% das crianças não sabem ler direito no fim do 3.o ano (na rede pública), 35% não sabem escrever, 57% fazer as operações matemáticas. Em vez de valorizar a alfabetização e tanta coisa mais, querem criminalizar o ensino.Aí é que o Brasil vai piorar mesmo sua educação”.

A posição da pastoral é corroborada pelo Burke Instituto Conservador, que também se manifestou favorável ao projeto. Em seu posicionamento, o instituto afirma que “o projeto visa apenas fixar um cartaz em sala de aula para que os alunos tenham conhecimento de seus direitos”.

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