Especial 248 anos: Gente que faz São José

Gente que faz São José Marcelo Caltabiano/ Carol Tomba/Divulgação/Meon Uma cidade é feita das pessoas que nela habitam. É a sua gente que a leva adiante, resolve os problemas, trata as feridas, comemora os sucessos. São os moradores as “células” desse organismo vivo, que pulsa entre ruas e avenidas e cresce conforme a capacidade do […]

Escrito por: Especial Metrópole Magazine11 min de leitura
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Gente que faz São José

Marcelo Caltabiano/ Carol Tomba/Divulgação/Meon

Uma cidade é feita das pessoas que nela habitam. É a sua gente que a leva adiante, resolve os problemas, trata as feridas, comemora os sucessos. São os moradores as “células” desse organismo vivo, que pulsa entre ruas e avenidas e cresce conforme a capacidade do seu povo.

“É possível ver o futuro de uma cidade pela disposição de sua gente em mudar”, disse o arquiteto e urbanista Jaime Lerner, 77 anos, em passagem por São José, em março deste ano.

Para homenagear os 248 anos da cidade, escolhemos histórias de empreendedores para contar como eles se relacionam com a cidade. Como usaram de criatividade e força de vontade para superar desafios e fazer do município um lugar melhor para se morar.

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Benê Córdoba 

Marcelo Caltabiano/Meon

Benê Córdoba
Postais com fotos do Bar Coronel, um dos mais badalados de São José, circulam por vários países do mundo. O motivo? A sagacidade de Benedito Segretto Córdoba, 53 anos, que não fundou o bar, mas deu a ele a alma que tem até hoje.

São cerca de 10 fotos do boteco − Benê Córdoba, como é conhecido o empresário, faz questão de chamar o negócio assim − e de petiscos e bebidas servidos ali que compõem a estampa dos postais.

O cliente pode escolher um deles e mandar para qualquer lugar do mundo. Quem paga a postagem é Benê. “Tem sido um sucesso de marketing essa história dos postais”, diz o empresário.

Foi com os ‘calos’ que o balcão traz e muito trabalho na frente e atrás dele que Benê transformou um boteco ao lado do cemitério, fadado ao fracasso, em um negócio de sucesso a ponto de poder vir a se tornar uma franquia.

“Muitas pessoas diziam que não daria certo”, lembra Benê, que, ao lado de uma tia, comprou o bar de dois tios. Um ano e meio depois, sozinho na empreitada, inspirou-se no Bar do Léo, em São Paulo, para construir a sua marca.

Ele trocou a cerveja pelo chopp, acrescentou salgados, petiscos e antepastos e transformou a equipe de 45 funcionários em uma família. “Quando um só quer ganhar, todos perdem. Aqui trabalhamos como uma equipe”, diz ele. “O cliente é a nossa razão de ser”.
Completando 23 anos de Coronel, Benê irá reformar toda fachada do bar, que ganhará uma decoração retrô inspirada nos anos 1960. A revitalização vai custar R$ 150 mil e deve começar ainda neste ano.

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Célia Natale Moscardi 

Reprodução/Youtube

Célia Natale Moscardi
Com uma mesa de escritório e um computador comprados em um leilão, mais o telefone, tudo espremido em um quarto apertado, Célia Natale Moscardi, 57 anos, começou um dos negócios mais bem-sucedidos na região na área de recursos humanos.
Após 17 anos em grandes empresas, ela decidiu dar um salto na carreira e tornar-se empreendedora. Em 1995, fundou a Conexão Desenvolvimento Empresarial em São José dos Campos.

Desde o início uma empresa familiar, a Conexão chamou a atenção da FGV. Em três anos e meio prestando consultoria, Célia participou de uma seleção com outras três companhias candidatas e venceu a disputa, tornando-se conveniada da Fundação Getúlio Vargas.

“Temos duas empresas: a Conexão Treinamento e Desenvolvimento e a Conexão FGV. Ambas estão muito bem no mercado prestando consultoria e dando cursos a milhares de pessoas”, diz Célia. “Nosso foco é preparar pessoas e empresas para o mercado cada vez mais competitivo”.

Desde então, o grupo Conexão só cresceu e hoje atua, em parceria com a FGV, em sete cidades: as paulistas São José dos Campos, Taubaté, Mogi das Cruzes e Guarulhos e as mineiras Pouso Alegre, Varginha e Poços de Caldas.

Casada e mãe de três filhos, Célia conta com a família para gerenciar os negócios. O marido, José Vanderlei Moscardi, deixou o emprego para tocar a Conexão com a mulher, lá nos primórdios da empresa. Hoje, ele dirige a Conexão FGV com o filho Rafael. A filha Priscila toca a Conexão Treinamento e Desenvolvimento com a mãe. A outra filha, Mariana, formou-se em arquitetura e design de interiores.

A diferença para o sucesso, segundo Célia, está em quanto a empresa, a família ou o executivo se compromete com o próprio aprendizado, que é sempre constante. E não se deve priorizar apenas a parte técnica ou tecnológica, mas também investir no lado comportamental.

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As irmãs Fernanda, Renata e Mariana Cury

Marcelo Caltabiano/Meon

Fernanda, Renata e Mariana Cury
Um é pouco, dois é bom e três é demais. O velho ditado cabe perfeitamente na vida das irmãs Fernanda, Renata e Mariana Cury, de São José, só que no sentido inverso ao conhecido.

Demais, no caso delas, é sinônimo da qualidade nos negócios que “as meninas”, como são chamadas pelas clientes, imprimem no Boulevard Depot, espaço que reúne os empreendimentos das irmãs no Jardim Esplanada, região central de São José.

Elas trazem no sangue, por assim dizer, a tradição de comerciantes do avô libanês e do pai, Eduardo Cury, falecido em 2000. Eles trabalham muito atrás de balcões, como na conhecida loja São Jorge, que não existe mais, e passaram a experiência para as filhas.

Tudo começou para elas em 2001, quando abriram a loja Depot (depósito, em francês) no CenterVale Shopping, em São José, e lá ficaram cerca de um ano. Depois, passaram para um ponto no Shopping Esplanada e, em 2010, chegaram ao atual endereço, no Jardim Esplanada.

O conceito por detrás do negócio, explica Mariana, é a de uma loja multimarcas de roupas femininas, com atendimento diferenciado e quase customizado para cada cliente. “Tratamos nossos clientes como amigos, o que de fato eles se tornaram”.

A Depot ganhou a companhia de lojas de franquia assumidas pelas irmãs, como Bobstore e Stroke, além do Maison du Café, espaço para degustar café gourmet.

Prestes a completar 15 anos de loja, as irmãs Cury investem no setor financeiro da empresa e planejam abrir uma ‘Depot Casa’, com itens para decoração.

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Ivã Molina 

Marcelo Caltabiano/Meon

Ivã Molina
“Mas é Ivan sem ene?”. Essa é uma das perguntas que Ivã Molina, 71 anos, provedor da Santa Casa de São José dos Campos, mais escuta na vida. O nome dele não tem mesmo o ene. “Foi meu pai quem registrou, não sei bem o motivo”, diz ele.

Uma coisa ele sabe bem: ganhou o nome pelo pai ser comunista. Na Rússia, Ivã é o equivalente ao nosso João, que era o nome do pai de Molina.

Após formar-se em mecânica na Etep, em São José, Molina foi morar na Califórnia, nos Estados Unidos, e ficou lá de 1966 a 1968. “Acho que sou o intercambista mais velho da cidade”, brinca ele.

Na volta, passou a trabalhar com o pai até assumir de vez, em 1993, a administração da fazenda da família, além de atuar como corretor de imóveis.

Casado e pai de quatro filhos, avô de oito netos, Molina conta que entrou para o corpo diretivo da Santa Casa ao aceitar o convite do amigo Luís Roberto Porto, que assumiu a provedoria do hospital em 1990 para tirar a instituição de uma crise financeira.

Em 1992, Molina tornou-se vice-provedor do hospital, cargo que ocupou até a morte de Porto, em 2012. “Dei continuidade ao trabalho dele. A Santa Casa deixou de ser um hospital ruim para se transformar em referência”.

Prestes a completar 116 anos, a Santa Casa celebra resultados expressivos: 221 leitos, 1.200 funcionários, 400 médicos, 60% de atendimento via SUS (Sistema Único de Saúde) e dois transplantes de fígado por mês, além de uma das mais equipadas ala de queimados de São Paulo.

O segredo da gestão, para o provedor, é manter os ouvidos bem abertos. “Escutar mais do que falar, e estar sempre disponível para o diálogo”.

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Alberto ‘Mano’ Marques 

Carol Tomba/Meon

Alberto ‘Mano’ Marques
Alberto ‘Mano’ Marques é paulistano de Santa Cecília, centrão da capital. Mas, há 18 anos, escolheu São José para criar as duas filhas, Aline (21) e Luiza (24).

A ideia era educar com pouco mais de liberdade. Andar de bicicleta na rua, aproveitar as praças. “Trabalhávamos há 30 anos com academia na capital e percebemos a oportunidade em São José, principalmente com a retomada das obras do Colinas Shopping”, diz ele.

Naquele momento, conta o empresário, o empreendimento se tornou “maior do que o mercado suportava”. Ele lembra: “Éramos nós e o Cinemark em obras, e por muitas vezes escutamos que era um investimento sem volta, que a cidade não comportava uma academia deste porte, com 4 mil metros quadrados”.

Mas deu certo, celebra Mano, como é conhecido na cidade. Antes de abrir, a academia contava com 500 inscritos. “A verdade é que, desde aquela época, a cidade tomou uma decisão, a de se tornar um centro de serviço para toda a macrorregião, e nós contribuímos para isso”, afirma.

Na visão de empresário e como ex-secretário de Educação e Esporte de São José, Mano acredita que a cidade caminha para um futuro que a torne “de classe mundial”.

“São José já é conhecida fora do país pelo histórico tecnológico e reconhecida nacionalmente como uma cidade boa pra se viver, não só morar”, diz o empresário.

“Ficamos tão contentes com a decisão de vir para São José que minha dedicação na política por oito anos, na educação e no esporte, vejo como uma forma de retribuir, tanto como cidadão quanto como empresário”.

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Benedito Vieira

Carol Tomba/Meon

Benedito Vieira
“Nasci e fui criado em São José. Vou fazer 90 anos, um dia, claro (risos)”, assim começa muito bem-humorado a contar sua história com a cidade o empresário Benedito Vieira, presidente há 24 anos da Cooper. A Cooperativa de Laticínios de São José dos Campos completa, neste ano, oito décadas de muita história e força para manter a produção ativa do trabalho rural local.

“Hoje, São José é uma cidade modelo com todos os erros e acertos. Lembro da minha infância quando meu pai saiu com a família para morarmos na nossa fazenda em Caçapava com medo da tuberculose. Passamos cinco anos lá. Lembro da construção do CTA com as pedras da fazenda de meu avô, em 1950. De lá pra cá é que teve a grande expansão industrial.

Antes, o Vale tinha característica ruralista, só depois, então, passou a ser industrial, principalmente com o surgimento e crescimento da Embraer. Aí, sim, é que a cidade ficou conhecida no mundo todo como cidade tecnológica”, lembra.

Para o empresário, foi a partir daí que a área rural da cidade ficou em segundo plano, mas mesmo assim, os cooperados continuaram o trabalho com a produção de leite, resistindo às crises, como a chegada do leite longa vida UHT e as grandes propagandas em rede nacional.

“Embora não sejamos mais a identidade de São José, nós continuamos e neste ano vamos fazer uma homenagem a todos os ex-presidentes da cooperativa desde 1935, mostrando que a área rural está viva e procurando se modernizar cada vez mais”, diz o empresário lembrando que na época da fundação, mesmo com a metade da população, a produção de leite na região era 40% maior e o mercado também.

“Sobreviver ao tempo e se adequar, aí é que está a magia. Procurar sempre inovar e caprichar em apresentar produtos melhores. A tecnologia veio para a cidade e nós nos adequamos à ela.”

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Frederico Marcondes Cesar 

Marcelo Caltabiano/Meon

Frederico Marcondes Cesar 
Frederico Marcondes Cesar ganhou um “presente” de aniversário ao completar 24 anos: a demissão da Xerox. Décadas depois, ele perceberia que a experiência traumática de perder o emprego tornara-se o indutor do surgimento de um dos maiores conglomerados empresariais da região.

O Grupo Marcondes Cesar agrega hoje sete empresas e negócios em áreas diversificadas, como a construção civil, com locações comerciais e industriais e a pecuária.

Em 34 anos de história, a Marcondes Cesar construiu mais de 7 mil unidades imobiliárias em 60 prédios. Detalhe: a empresa sempre atuou no segmento da classe média.

O sucesso, no entanto, não veio por acaso. Frederico e o irmão mais velho, José Antônio, 62 anos, passaram por dificuldades até alavancar os negócios, que também conta com o irmão mais novo, Paulo, de 57 anos. Eles ainda têm a irmã caçula Cláudia, 49 anos, que mora nos Estados Unidos.

Diz Frederico: “Vendi tudo o que tinha, troquei um carro zero por um Fusca usado para comprar um terreno, na Vila São Bento, e construí ali duas casas geminadas. Foi o início de tudo”.

Naquela época, os irmãos compraram uma edícula para morar. Usavam parte da residência como depósito de sacos de cimento e cal, que levavam no Fusca de Frederico para a obra. “Depois da casa, conseguimos um financiamento para construir o primeiro prédio de três andares. A partir daí, a empresa decolou”.

Para Frederico, o sucesso do grupo se deve, além de todo trabalho duro, ao foco que os irmãos tiveram no negócio. “Cuidamos de todos os setores do nosso negócio. Somos autossustentáveis”, diz Frederico.

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