Especial 248 anos: Retratos de São José, a identidade do povo joseense

Igreja Matriz de São José dos Campos Carol Tomba/Meon São José. Das Marias. Das Anas. Dos Antônios. Dos Davis. São José dos Campos. Os filhos da Terra dão forma ao imenso mosaico de retratos que emprestam vida e cor à cidade, que se fez forte no comércio, registrou seu nome na história da tecnologia nacional […]

Escrito por: Moisés Rosa6 min de leitura
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Igreja Matriz de São José dos Campos

Carol Tomba/Meon

São José. Das Marias. Das Anas. Dos Antônios. Dos Davis. São José dos Campos. Os filhos da Terra dão forma ao imenso mosaico de retratos que emprestam vida e cor à cidade, que se fez forte no comércio, registrou seu nome na história da tecnologia nacional e caminha para o futuro com uma marca indelével. São José carrega consigo a complexidade de ser moderna e bucólica, plural e única.

O Grupo Meon de Comunicação celebra os 248 anos da cidade notadamente reconhecida como a capital do Vale do Paraíba. E entende que estão nos moradores destas paragens –680 mil habitantes, segundo o IBGE–, a melhor forma de contar a sua história.

Acompanhe parte da história da cidade por meio de alguns personagens que ajudam a construir São José dos Campos no dia a dia.

Identidade & retratos 

O taxista Oriseu Miguel de Oliveira, 61 anos

O taxista Oriseu Miguel de Oliveira, 61 anos

Carol Tomba/Meon


De norte a sul, a identidade de São José veio sendo estruturada desde a época sanatorial, quando a cidade assumiu para si a responsabilidade dos cuidados com a tuberculose, na década de 1920. Curiosamente, segundo pesquisadores da cidade, São José chegou a ser classificada como ‘não interessante’ no processo de colonização.

Com a implantação da fase sanatorial, São José investiu e atraiu os principais especialistas na área para o tratamento a doença, se tornando referência da tuberculose. Com a vinda do sanatório, a pequena cidade passou a chamar atenção pela forma acolhedora com que os turistas eram tratados por aqui.

“Alguns [historiadores] falam que São José dos Campos se constituiu como uma cidade acolhedora com as pessoas de fora. Ao mesmo tempo, lendo fontes da época, havia também uma política de zoneamento, onde regiões foram divididas”, diz Valéria Zanetti, professora de História e pesquisadora da Univap (Universidade do Vale do Paraíba).

Entre as décadas de 1920 e 1940, por conta do tratamento de tuberculose, Santana foi o primeiro bairro a começar a industrialização na cidade. Lá, se instalaram a Cerâmica Weiss e o Laticínio e, posteriormente, a Tecelagem Parayba. “A industrialização da cidade teve início em Santana e estava afastada do centro, por conta dos tuberculosos”, explica a historiadora.

A região onde começou a industrialização foi adotada há quase quatro décadas pelo taxista Oriseu Miguel de Oliveira, 61 anos, mais conhecido como Jiló. Ele saiu aos 22 anos do Paraná e escolheu São José como a cidade do coração.

“Vim passear e conhecer a cidade, mas não teve como não ficar. Adorei tudo na cidade e resolvi me mudar definitivamente. Aqui construí minha família, onde tenho quatro filhos e estou há mais de 30 anos trabalhando como taxista. Não troco meu bairro [Santana] por nada, pois aqui fiz muitos amigos e me sinto bem”, conta.

Crescimento

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O comerciante Ronaldo Stellet, de 63 anos

Carol Tomba/Meon

Apesar do início da industrialização na zona norte, o crescimento foi notado em outras regiões, com a instalação de empresas brasileiras e internacionais. Nas regiões leste e sul, por exemplo, foram implantados os principais centros de compras e de empresas de tecnologia, como a Monsanto, Embraer, Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais), além de um shopping.

“Tivemos uma segunda fase da industrialização da cidade, quando o CTA (Centro Técnico Espacial), o ITA (Instituto Tecnológico da Aeronáutica) e a construção da rodovia Presidente Dutra, entre os anos de 50 e 70, fomentaram o crescimento da cidade”, explica Valéria Zanetti.

Atração
Neste mesmo período de crescimento da cidade, um bar atrativo e com tratamento diferenciado começou a chamar a atenção das pessoas que passavam pelo Mercado Municipal. O “Bar dos Artistas” há mais de 40 anos conserva as boas amizades e o atendimento ‘exclusivo’ para os clientes. O botequim foi aberto em 1961, por Arnaldo Stellet – 96 anos -, que veio do Rio de Janeiro para tentar a vida em São José, no bairro Vila Maria, região central.

Entre os atrativos do bar, está a corneta tocada por Ronaldo Stellet – filho de Arnaldo -, de 63 anos, que se formou em engenharia mecânica, mas preferiu não exercer a profissão. O “Bar dos Artistas” é bem frequentado e recebe personalidades. “Quando passa alguém importante pelo bar, tocamos a corneta, para anunciar que estamos recebendo alguma personalidade. É uma brincadeira”, conta.

Por lá, já passaram Oscar Schimdt, Dario Maravilha, Paulo Maluf, Fabíola Molina, entre outros. A receita para atrair tanta gente é, segundo Stellet, o relacionamento.

“Tenho clientes que têm as suas próprias bebidas. Separo e quando eles chegam já os atendo. O segredo é o bom relacionamento e fazer amizades. A maioria dos clientes são amigos e já conheço os pedidos. Tenho um carinho muito grande pelo que faço e gosto dessa relação”, destaca Stellet.

Gente empreendedora

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A jovem empresária Rebeka de Fátima Costa Soares, de 32 anos

Carol Tomba/Meon

Outro caso de destaque em São José é a da jovem empresária Rebeka de Fátima Costa Soares, de 32 anos, moradora na região sul. Ela começou ajudando a tia fazendo doces e transformou a necessidade de trabalho em uma realização. Com o forte apelo comercial, a zona sul é a mais populosa da cidade, com mais de 230 mil habitantes.

Com o sonho de montar o próprio negócio, a ideia de Rebeka surgiu após ajudar a família com uma barraca de pastel no Mercadão. Rebeka conseguiu colocar em prática o seu desejo: ter o próprio espaço. Filha de comerciante, ela há 13 anos possui o ponto na região central, também no Mercado Municipal.

A receita do sucesso? Segundo Rebeka, o atendimento e a qualidade do produto são imprescindíveis. “O meu sonho se tornou realidade. Atribuo o sucesso ao atendimento especial e à qualidade dos produtos que são oferecidos. Fazemos com muito amor e carinho”, diz.

“Adoro trabalhar com comércio e isso já é o diferencial. Trato todos da mesma forma e priorizamos essa atenção ao cliente”, acrescenta.

E é assim com Oriseus, Ronaldos e Rebekas, filhos naturais ou adotados da Terra, que São José desponta na vanguarda do desenvolvimento do Vale do Paraíba. Acolhedora, tecnológica e bela por natureza.

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