Saúde: espera por consulta dura meses em São José dos Campos

O atendimento básico nas unidades de saúde é considerado a porta de entrada para o SUS (Sistema Único de Saúde) e em São José dos Campos é o principal alvo de reclamações. O paciente que deveria esperar 45 dias pela consulta, aguarda quase quatro meses por um atendimento com clínico geral ou ginecologista.

Escrito por: Elaine Rodrigues4 min de leitura
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O atendimento básico nas unidades de saúde é considerado a porta de entrada para o SUS (Sistema Único de Saúde) e em São José dos Campos é o principal alvo de reclamações. O paciente que deveria esperar 45 dias pela consulta, aguarda quase quatro meses por um atendimento com clínico geral ou ginecologista.

Na UBS do Campo dos Alemães, a fila aumenta a cada minuto. Do lado de fora do posto, a atendente da unidade entrega uma senha aos que vão ser contemplados com uma consulta neste mês. “Já é a quarta vez que venho aqui em três meses para marcar consulta com um clínico. Fiz exames de sangue que já nem devem valer mais e o médico nem viu “, conta a dona de casa Maria Aparecida Benedito, 59 anos.

Na mesma fila, Helena Cordeiro de Melo, 46 anos, aguarda uma vaga para a filha Cíntia, 21 anos, que recebeu alta do Hospital Municipal e, segundo relata, continua doente. “Ela ficou internada três dias e teve alta. Ainda tem febre alta e dor nos ossos. O médico do HM mandou marcar médico e tratar pelo postinho. Agora estou aqui e não sei quando vou conseguir uma consulta. Da última vez que marquei, demorou mais de seis meses e não chamaram ainda”, afirma.

Até mesmo a coordenadora das unidades em São José concorda que a demora para realizar uma consulta é um problema. “As principais reclamações são em relação à demora para passar em consulta. Isso porque a forma como a UBS ainda está organizada prioriza a atenção à doença e continua centrada na figura do médico. Precisamos inverter essa lógica com práticas de prevenção e promoção à saúde realizadas por toda equipe, além de estratégias de gestão e parcerias com a comunidade”, avalia a médica Neusa Massula, diretora do Departamento de Atenção Básica da Secretaria Municipal de Saúde.

Problemas
O especialista em Saúde Pública, Gilson Carvalho, avalia que o problema das UBSs é o mesmo que dos hospitais públicos da cidade. “Faltam muitos clínicos gerais e pediatras, o que ajuda a não mudar o modelo de fazer saúde. Temos que investir nos primeiros cuidados, como o Programa de Saúde da Família e outros. Na UBS se deve dar o primeiro atendimento com forte componente de prevenção e menos de tratamento”, destaca.

Carvalho acredita que o Programa Saúde da Família implantado em 2011 em São José é um ponto positivo na avaliação geral do atendimento na saúde pública. “Todas as vezes que radicalizamos no primeiro atendimento as pessoas usam menos a emergência, a internação e especialistas desnecessários. Além, é claro, de medicamentos e procedimentos cada vez mais complexos”.

Pronto-socorro
Quando se trata de emergência, a prioridade em São José dos Campos é definida pelo sistema de classificação de risco. Antes de passar pelo médico, o paciente é atendido por um enfermeiro que avalia se o caso é realmente de urgência.  Segundo a Secretaria de Saúde, cerca de 50 a 60% dos pacientes atendidos são de classificação azul ou verde – problemas crônicos, trocas de receitas, solicitação de relatórios e atestados. Problemas que, de acordo com a pasta, poderiam ter os problemas de saúde solucionados nas UBSs ou com o Programa de Saúde de Família.

Estrutura
São José dos Campos possui hoje 40 unidades de atendimento básico e 43 equipes do Programa Saúde da Família que atendem as famílias em casa e nas regiões mais afastadas, como as áreas rurais, em quase 400 bairros da cidade.

Para conseguir uma consulta, as pessoas têm que saber o dia que a UBS vai começar agendar as vagas daquele mês e ir até o posto. As atendentes cadastram uma por uma das pessoas que chegam, até acabarem as vagas daquele mês. Após esse procedimento, quem perdeu o dia ou não conseguiu vaga na hora, tem que voltar no próximo mês ou tentar a sorte de ir no dia em que o médico atende e conseguir um encaixe caso alguém falte. Quando a pessoa falta e não avisa, aquela vaga disputada é perdida.

Particular
A realidade do atendimento nos convênios particulares é um pouco diferente da pública. A grande vantagem, segundo os usuários, é que em muitos planos é possível marcar um especialista sem ter que ser avaliado antes por outros médicos.

Levantamento feito pelo Meon apurou que a espera por uma consulta com especialista como Endocrinologista, por meio de convênio, demora de 45 dias à três meses. Por outro lado, é possível conseguir ser atendido por um Oncologista, especialista em tratamento de câncer, em menos de duas semanas.

ESPECIAL SAÚDE
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