Estado impede devolução de remédios pela Prefeitura de São José
Medicamentos chegaram a ficar na calçada; reunião deve resolver o caso


Medicamentos chegaram a ficar na calçada; reunião deve resolver o caso
Rodrigo Ribeiro/Meon
O Governo do Estado de São Paulo se recusou nesta sexta-feira (8), a receber os medicamentos de alto custo que repassa para a Prefeitura de São José dos Campos distribuir na cidade. Parte dos remédios chegou a ficar na calçada em frente ao NAF (Núcleo de Apoio Farmacêutico).
Desde o dia 4 de dezembro do ano passado, a Secretaria de Saúde de São José informou que não iria mais repassar os medicamentos do Estado à população. De acordo com a pasta, alguns remédios deixaram de ser repassados pelo governo estadual, o que acabou gerando conflitos entre moradores e prefeitura.
“Há dois anos estamos com esse problema da falta de medicamentos do Estado. A situação se agravou, inclusive com registro de agressão contra funcionários da prefeitura. O Governo do Estado está repassando os medicamentos de forma fracionada e ainda nominal. Ou seja, vem com o nome do paciente que precisa receber, se esse paciente não vem, não podemos repassar para outra pessoa. O que torna a situação ainda pior”, conta Paulo Roitberg, secretário de Saúde de São José.
Segundo o secretário, a prefeitura tentou um encontro com o Estado por várias vezes. “A Secretaria de Saúde do Estado de São Paulo não está aberta ao diálogo e com essa posição estará prejudicando os pacientes. Não deram nenhuma resposta. O compromisso que tínhamos de tentar alguma forma de contato com o secretário de Saúde do Estado, para acertar uma transição ou solução para o problema, infelizmente acabou não acontecendo”, diz Roitberg.
Nesta sexta-feira, funcionários da secretaria de São José retiraram todos os medicamentos do Estado da Farmácia Cidadã, de onde eram entregues, e levaram até o NAF, órgão do Governo Estadual que fica no Parque da Cidade. Ao chegar no local, o secretário joseense foi informado de que o governo estadual não autorizou o recebimento dos remédios.
Mesmo com a informação, Roitberg pediu para que os funcionários da secretaria começassem a descarregar os medicamentos, que ficaram por cerca de 25 minutos, em uma calçada em frente ao NAF.
Em seguida, Roitberg foi informado pelo gabinete do prefeito Carlinhos Almeida (PT), de que haverá um encontro entre governo municipal e estadual na próxima semana. “Tudo indica que será na terça-feira (12), mas ainda irão definir os horários. Mas está confirmado o encontro. Infelizmente precisamos ter feito esse movimento para que um secretário do Estado aceitasse se encontrar com um prefeito. É lamentável”, afirma.
Com o comunicado do encontro, funcionários da secretaria colocaram novamente os medicamentos no veículo da secretaria. Agora, os remédios voltarão para a Farmácia Popular, pelo menos, até o resultado do encontro entre Carlinhos Almeida e David Uip, responsável pela pasta estadual.
Segundo a Secretaria de São José, cerca de 1.500 pessoas por mês estão com o atendimento prejudicado. “Como vamos distribuir o que não temos? E o Estado ainda não avisa quando irá mandar. É uma situação complicada para nós”, comenta Roitberg.
Secretaria Estadual de Saúde
A diretora do DRS (Departamento Regional de Saúde) de Taubaté, Dra. Maristela Siqueira, afirma que foi notificada sobre a devolução dos medicamentos apenas no momento em que a equipe da prefeitura de São José dos Campos estava no NAF. “Durante a manhã uma funcionária entrou em contato informando sobre a situação da tentativa de devolução dos medicamentos, orientei para não recebê-los e posteriormente recebi a ligação do Secretaria de Saúde, Dr. Paulo”, diz.
De acordo com Maristela foi realizada uma reunião no dia 5 de janeiro, onde foram definidas três novas reuniões para solucionar possíveis problemas identificados em relação ao fluxo de medicamentos. As reuniões foram marcadas para os dias 12, 13 e 15 de janeiro. “As próximas reuniões acontecerão em São José dos Campos e em São Paulo, para traçar estratégias da distribuição de medicamentos no Estado e, principalmente, na região do Vale do Paraíba”, explica.
Em conversa com o Meon, a diretora do DRS-Taubaté informou que os procedimentos de devolução dos medicamentos não foram seguidos corretamente pela administração municipal. Ela afirma ainda que todos os medicamentos são rastreados para controle de distribuição do Governo do Estado.
“Estamos negociando com a Prefeitura de São José sobre a continuidade do atendimento à população e a dificuldade na distribuição de medicamentos, que ocorreu no fim de 2015, e afetou também outras regiões do Estado. O intuito é que os moradores do Litoral Norte e do Vale do Paraíba permaneçam retirando com normalidade os seus medicamentos.”, destaca Maristela Siqueira.
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