Estudo inédito de alunos do Alpha Lumen relaciona autismo e eventos climáticos extremos

Pesquisa virou lei em São José dos Campos

Escrito por: Rubens Baracho3 min de leitura
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Dois estudantes do terceiro ano do ensino médio do Instituto Alpha Lumen, em São José dos Campos, desenvolveram um estudo pioneiro que relaciona os impactos dos eventos climáticos extremos em pessoas com Transtorno do Espectro Autista (TEA). O trabalho, realizado por Gabriela Lourenço e Felipe Deste, também deu origem a um projeto de lei aprovado na Câmara Municipal.

Durante entrevista ao Portal Meon, os alunos explicaram que a pesquisa surgiu da união de duas áreas de interesse: mudanças climáticas e autismo. Segundo eles, não existiam estudos científicos que relacionassem os dois temas de forma direta, o que transformou o projeto em uma iniciativa inédita.

A pesquisa analisou como fenômenos como ondas de calor, tempestades, enchentes e mudanças bruscas de temperatura podem afetar pessoas com TEA, principalmente aquelas com hipersensibilidade sensorial. De acordo com os estudantes, indivíduos autistas podem sentir estímulos externos de maneira intensificada, tornando situações climáticas extremas ainda mais desconfortáveis.

“Uma onda de calor muito forte, por exemplo, pode fazer com que a pessoa autista sofra muito mais do que uma pessoa neurotípica”, explicou Gabriela durante a entrevista.

Os estudantes também destacaram que pessoas com níveis maiores de suporte podem enfrentar ainda mais dificuldades durante esses episódios, principalmente pela dificuldade de comunicação, o que pode dificultar que familiares e profissionais entendam o que está causando o desconforto.

Para desenvolver o estudo, os alunos contaram com o apoio de especialistas nas áreas de clima e educação especial, além de realizarem pesquisas de campo com familiares e profissionais que atuam com pessoas autistas. Segundo os dados levantados, 77,8% dos entrevistados consideram insuficientes as políticas públicas atuais voltadas para atender pessoas com TEA em situações relacionadas a eventos climáticos extremos.

A partir dos resultados, Gabriela e Felipe elaboraram, junto ao vereador Carlos Abranches, um projeto de lei aprovado por unanimidade na Câmara de São José dos Campos. A proposta prevê capacitação de profissionais da saúde e da educação, campanhas de conscientização e criação de salas sensoriais em espaços públicos frequentados por pessoas com TEA e outros públicos com hipersensibilidade sensorial.

As chamadas salas sensoriais são ambientes preparados para acolher pessoas em momentos de desorganização sensorial, com iluminação reduzida, menos ruídos e elementos que ajudem na regulação emocional.

Os alunos afirmam que a proposta busca garantir mais qualidade de vida e segurança para pessoas autistas diante do aumento da frequência dos eventos climáticos extremos.

Além disso, eles esperam que a iniciativa incentive novas pesquisas e que outras cidades adotem políticas semelhantes no futuro.

Foto: Sabrina Martins

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