Falta de chuva ameaça reduzir pela metade safra de arroz na RMVale
Caso não chova nos próximos dois meses, a safra de arroz da Região Metropolitana do Vale do Paraíba poderá cair pela metade. Com uma produção anual de 1 milhão de sacas, os rizicultores temem que a estiagem não termine antes do prazo esperado para garantir a qualidade da colheita.




















Caso não chova nos próximos dois meses, a safra de arroz da Região Metropolitana do Vale do Paraíba pode cair pela metade. Com uma produção anual de 1 milhão de sacas (50 milhões de quilos), os rizicultores temem que a estiagem não termine antes de novembro para garantir a qualidade da colheita em 12 mil hectares.
“Sem chuva, a qualidade do arroz cai e pode ficar quebradiço. Com isso o valor de mercado também reduz. Temos ainda quem teme perder toda a produção desta safra. Muitos rizicultores atrasaram a produção para tentar salvar a colheita, mas é arriscado”, explica o engenheiro agrônomo Rodrigo Amadei, da Coopavalpa (Cooperativa dos Produtores de Arroz do Vale do Paraíba).
O arroz é a principal atividade agrícola da região de Guaratinguetá. A produção do grão é afetada pela falta de chuva porque é um cereal que cresce abaixo da água. Normalmente o plantio é feito em junho e julho, mas como não choveu o esperado no verão de 2014, muitos produtores estão começando a plantar agora, em outubro.
Economicamente, Amadei diz que os rizicultores se arriscam em manter a produção na estiagem porque precisam do dinheiro da venda do arroz colhido em dezembro para iniciar uma nova safra em janeiro. “Os cooperados já fizeram empréstimo, têm seguro, mas o custo da produção sem água só eleva. Não sei como vamos chegar em dezembro, mas sem chuvas a produção cairá pela metade e o preço vai subir, dificultando a venda”, afirma.
A produção mais afetada na região é do arroz agulhinha. Existe ainda na RMVale a produção do chamado arroz especial, mas por ser plantado em menor escala e em áreas próximas ao Rio Paraíba do Sul, não sofre tanto as consequências da falta de chuva.
“Estamos conseguindo manter a produção, mas quanto mais distante do rio, pior a situação dos rizicultores. Agora todos sofremos o impacto da estiagem porque a qualidade do arroz depende da chuva. Tivemos que gastar com a reposição de nutrientes, por exemplo, e isso vai impactar no preço final”, explica o rizicultor José Francisco Ruzene, produtor de arroz preto de Guaratinguetá.
O consultor de agronegócios do Sebrae-SP, Jardel Busarello afirma que o estiagem afeta não apenas a produção de arroz, mas diversas outras culturas. “Na nossa regional do litoral até a serra e parte do antigo vale, quase todas as culturas estão prejudicadas pela seca. Temos dados que a pecuária de leite, hortaliças, frutas e a psicultura têm sofrido bastante”, relata.
Alternativas
A saída no caso da produção do arroz, segundo Busarello, é recorrer ao plantio de outros produtos, como soja ou milho. “Esses agricultores têm que pensar em outras produções. A área onde se planta arroz, realmente não é uma terra que tem uma grande qualidade, mas daria para plantar soja e milho, por exemplo. Mas o rizicultor sabe disso. Acredito que o grande problema hoje na nossa região é a falta de investimentos em tecnologia, genética e pesquisa, como acontece no Sul”, explica.
Rodrigo Amadei, da Coopavalpa, afirma que diversas saídas são estudadas pela cooperativa. “Se você olhar a curto prazo, não temos o que fazer agora, precisamos de chuva. Agora a longo prazo podemos criar um sistema de bombeamento de água para atender todos os 42 produtores. Já começamos a estudar as saídas e também a produção alternativa de milho ou soja. Agora é pensar e conversar”, conclui o engenheiro.
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